O Renascimento do Parto na Água Parto na Água / WaterLove

Imagem: The Birth of Venus by Alexandre Cabanel, 1863 (Musée d'Orsay, Paris).




Para quem desconhece as vantagens ou os benefícios do parto na água, poderá pensar que o parto na água é algo relativamente recente, “uma moda”. Embora seja fácil supor que, como mamíferos terrestres deve ser na terra que devemos nascer, esta noção simplista negligencia uma série de factos biológicos fundamentais.

A NOSSA LIGAÇÃO BIOLÓGICA COM ÁGUA

70% da superfície do nosso planeta é coberto de água e, depois de cerca de 40 semanas passadas num útero cheio de líquido amniótico, o corpo de um recém-nascido é composto por 90% de água. Mesmo enquanto adultos, o corpo humano ainda é composto por aproximadamente 60% de água. Na verdade a água tem sido muitas vezes referido como “o berço da vida” segundo teorias evolutivas de que a vida se originou no oceano à mais de 3 bilhões de anos atrás.

PARTOS NA ÁGUA: DESDE QUANDO?

A vida é impossível sem água. No entanto, à parte do debate sobre as origens da raça humana, registos e factos históricos indicam que a história do parto na água é tão antiga quanto o nascimento em si. Registos de à 8000 anos atrás no Egito, mostram petroglifos antigos que retratam o nascimento dos faraós na água. Na civilização minoica, na ilha de Creta, 2700 a.c., foram criados templos em que as mulheres pariam na água.

Na Califórnia, os Índios Chumash contam histórias de mulheres em trabalho de parto em piscinas naturais e enseadas rasas com golfinhos nas proximidades.

Nas ilhas do Havai acredita-se que milhares de gerações nasceram na água… De facto, factos históricos desde as ilhas do sul do Japão aos Índios do Panamá, aos Maoris da Nova Zelândia, às tribos costeiras do Ghana em África, o parto na água aparece não como algo recente, mas sim como uma prática muito antiga.

No entanto, a medicina moderna veio desvalorizar o parto na água, diminuindo a sua existência e importância histórica.

O RENASCIMENTO DO PARTO NA ÁGUA

Dar à luz na água é algo relativamente recente no mundo ocidental. O primeiro parto na água de que há registo na Europa foi em 1803, em França. Uma mãe cujo parto tinha sido extremamente longo e difícil, foi aconselhada pelo seu médico a tomar um banho de imersão quente para acalmá-la e proporcionar alívio da dor. O parto deu-se finalmente e o bebé nasceu na água.

O evidente sucesso do uso da água neste caso, originou a publicação do evento numa revista médica francesa, no entanto, só no início da década de 1970, é que o parto na água foi novamente reavaliado pela comunidade médica.

Nos anos 60, Michel Odent revoluciona a obstetrícia francesa recorrendo a uma simples piscina insuflável que colocava à disposição das parturientes, descobrindo assim os benefícios do uso da água no trabalho de parto. Os resultados que obteve foram promissores em termos de controlo da dor e de relaxamento e desde então inúmeros estudos foram desenvolvidos no sentido de assegurar a sua viabilidade como alternativa aos métodos tradicionais.

Depois de na década de 1960 terem sido realizados estudos sobre a segurança e os benefícios do parto na água, no início dos anos 1970 uma série de obstetras franceses e russos começaram a utilizar a água como uma medida de prevenção da dor e, em alguns casos, como uma opção para o nascimento.

A motivação das parteiras e obstetras nesta época foi crucial – preocupando-se em facilitar a transição do útero para o mundo exterior, mitigar os efeitos do trauma do nascimento, e normalizar o processo de nascimento, de forma a evitar os cuidados excessivos da maternidade moderna, com todas as suas intervenções, provocando partos traumáticos para os bebés.

O primeiro parto na água em Portugal ocorreu em Julho de 2008 num hospital privado e pela primeira vez em Novembro de 2008 numa instituição hospitalar pública, na Maternidade do Hospital S. Bernardo em Setúbal (HSB). Em Fevereiro de 2014, tinham já ocorrido neste hospital, 135 imersões em água durante o trabalho de parto e 72 bebés nascidos dentro de água. Este projeto foi suspenso e hoje o parto na água em Portugal apenas é possível em meio privado, contando apenas com duas clínicas em todo o continente onde é possível os casais terem os seus bebés na água.

O movimento cívico Mães D’agua trabalha desde 2014 para mudar esta realidade.

Fontes: BabyCentre & Pregnancy





Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.