Abraçando a Nossa Capacidade de Parir Ser Mulher

 

Deusa Gaia

“Gaia recua ao início. Assim disseram os gregos, que provavelmente absorveram essa Deusa terrena do povo que habitava Ática antes de migrarem para essa região. Ela era dona de um grande santuário na montanha, onde vivia uma serpente chamada Piton. (…) Gaia era uma poderosa deusa criadora, uma mãe partenogenética capaz de criar o mundo inteiro sem ajuda. Ela era omnisciente, como atesta o seu templo de Delfos, pois conhecia tanto o futuro quanto o passado. (…) É bastante apropriado que, três mil anos depois de o seu culto ter sido abolido na sua terra natal, o nome dessa deusa volte a emergir para indicar a intuição de que a Terra está viva. Viva e repleta de uma enorme energia generativa. Viva e ainda criativamente produtiva como era na sua juventude primordial.”

(Patrícia Monaghan)

Nasceu um bebé! A mãe e o pai sorriem. Lágrimas de cumplicidade jorram pelos seus rostos. – Que mãozinhas tão pequenas e capazes ele tem! Como o toque da sua pele na minha é mais suave que seda. Ele está aqui! A harmonia rodeia-nos. Estamos felizes! Estamos aqui! Nos dias de hoje, apesar de vivermos em pleno século XXI, a Mulher continua a não ser considerada capaz de dar à luz as suas próprias crias. A evolução tecnológica e científica levou a que, na atualidade, os partos sejam realizados em hospitais – isto nos ditos países desenvolvidos – e com medicação e “instrumentos de parto” à mistura. O parto tornou-se num ato clínico e deixou de ser algo natural e mágico, como era em tempos antigos. Há muitos anos que a sociedade deixou de ser matriarcal. A mulher perdeu muito do respeito e da admiração que lhe era atribuída: era a mulher quem dava à luz; a mulher era aquela que gerava vida, tal como a Mãe Terra. Nessas épocas, os conhecimentos femininos eram passados de mães para filhas consecutivamente. O sangue era algo sagrado, tal como a mulher e o parto. Hoje em dia, essa realidade encontra-se alterada. A evolução tecnológica trouxe-nos bastantes possibilidades anteriormente impensáveis de serem realizadas; contudo, em contrapartida, “retirou-nos” a capacidade de parir. Muitas mulheres deixaram de conhecer os seus corpos; muitas mulheres deixaram de acreditar que são capazes. Mas são! Nós somos capazes de gerar vida e de a trazer ao Mundo! Essa é uma das nossas dádivas; certamente a maior. É necessário alterar a realidade do parto atual; aliás, é urgente alterar essa realidade! Juntemo-nos Mulheres! Juntemo-nos e abracemo-nos; abracemos os nossos ventres cheios de amor! Vamos mostrar ao Mundo que é possível parirmos com dignidade, confiança e amor! Vamos mostrar ao Mundo que o parto natural é o caminho!

~ imagem de The Visionary Photographic Art of Chanel Baran

 


Sou a Liliana, mas todos me conhecem por Lili. Sou dança, sou Sol, sou música... sou riso, sou lágrimas, estações... sou o dia, sou a noite... sou um eclipse de sentimentos e sensações. Filha da Terra, Mãe d'Água de Coração! ☼