A Dança do Ventre e o Parto Ser Mulher

Na Antiguidade, a dança era considerada uma forma de ligação entre o Homem e o Divino. Nos Templos, as Mulheres faziam rituais, entregavam oferendas e dançavam. Esses rituais – realizados apenas por mulheres e sacerdotisas – eram de fertilidade. Na época, a Mulher era considerada sagrada! Era respeitada e abençoada, devido à sua capacidade de gerar vida, tal como a Mãe Terra.

Para ser mais específica, os Deuses e as Deusas eram representações da própria Natureza: sol, lua, mar, … Consequentemente, cada fenómeno natural estava associado a um Deus. Por exemplo, quando chovia, tal acontecia porque o Deus da chuva se estava a manifestar; se o mar estivesse agitado, provavelmente o Deus do mar estava zangado; etc.. Todavia, o Ser Humano necessitava de uma energia superior, que fosse a criadora de toda a vida: da vida humana e da dos Deuses.

Após a observação de que apenas as mulheres davam à luz, concluiu-se que todo o Universo teria sido gerado a partir de um grande útero – a Mãe Divina. A partir daí, a ligação entre os rituais de fertilidade que incluíam a dança e a Mãe Terra torna-se mais evidente. Acreditava-se que a mulher, quando grávida, estava possuída pelo divino, o que lhe possibilitava gerar vida.

11870735_766299650147932_7265856396498003140_nSe formos analisar as primeiras sociedades matriarcais, os rituais eram oferecidos à Deusa Mãe; na Antiga Grécia (de salientar que a dança fazia parte do sistema de educação obrigatório, dada a sua importância na ligação com os Deuses) à Afrodite e no Antigo Egito à Deusa Ísis. Em muitos desses rituais, as sacerdotisas dançavam criando ondulações com os seus ventres desnudos. Essa era a forma de garantir prosperidade e fertilidade para a terra e para as mulheres.

Essa ligação íntima da mulher ao arquétipo da grande Deusa Mãe está diretamente relacionada com a fertilidade, com a concepção, a gestação, o parto e, igualmente, com os cuidados maternais. Muitos dos movimentos que agora fazem parte da Dança do Ventre eram passados de mulher para mulher, com o objetivo de as auxiliar durante o parto, inclusive no momento de expulsão. Aliás, hoje em dia, alguns desses movimentos são ensinados nas aulas de preparação para o parto, pelo menos em Portugal.

Outro facto curioso é que existem outras culturas com danças características – por exemplo, o Hula, Dança típica no Havai – que incluem movimentos de anca que também fazem parte da Dança Oriental. E, ao analisarmos essas culturas, percebe-se que elas também tinham cultos de fertilidade oferecidos às suas Deusas, dos quais a dança também fazia parte, tal como esses movimentos de anca. Coincidência ou mais uma prova de que os considerados movimentos base da “atual” Dança Oriental são comuns às mulheres de diversas culturas que, devido à sua experiência e conhecimento dos seus corpos, sabiam o que ajudava a aliviar as dores do trabalho de parto e o próprio momento da expulsão?

A dança do ventre relembra-nos a nossa capacidade de gerar vida; é o nosso resgate do sagrado feminino. Cabe-nos desvendar a nossa essência e levá-la aos ventres de todas as Mulheres.

Imagens de Yobara

Fontes:

~ “Dança do Ventre: Ciência e Arte”, de Patrícia Bencardini, São Paulo, 2009;

~ O resgate do feminino através da Dança do Ventre: uma forma de ser e estar no mundo”, de Viviane Esteves de Mello Braga.


Sou a Liliana, mas todos me conhecem por Lili. Sou dança, sou Sol, sou música... sou riso, sou lágrimas, estações... sou o dia, sou a noite... sou um eclipse de sentimentos e sensações. Filha da Terra, Mãe d'Água de Coração! ☼

Recommended Posts