Imagem de Chanel Baran Ser Mulher

 

~ Alma Mater ~
Radmila Jovanovic, ginecologista e obstetra, fala dos ciclos da mulher

no Alma Mater da ALAGAMARES TV

(episódio 1)

Bem-vindos ao primeiro episódio da “Alma Mater”, na rubrica “Ser Mulher por Inteiro”!
Esta rubrica está criada para apoiar o processo de nós, Mulheres, nos conectarmos mais profundamente com quem somos. Algo que foi perdido ao longo de muitos anos e algo que quer ser alcançado neste momento. Tudo chama por isso!
O primeiro episódio vai falar sobre o nosso ciclo. E porquê isso? Porquê a nossa conexão com o Universo? É a nossa conexão com aquilo que vibra em nós; é a nossa conexão com a pulsação do Universo; e esta pulsação nós, Mulheres, temos dentro de nós! Esta pulsação é aquilo que cria o campo necessário para este mundo existir. Esta pulsação é aquilo que cria a possibilidade para que o masculino à nossa volta signifique acção/acontecer. Quanto mais homogéneo, quanto mais desenvolvido este campo é, mais fácil, mais nítido, mais transparente este mundo parece. E nós Mulheres temos esta energia toda dentro do nosso corpo. E dentro do nosso corpo com uma memória mensal, quando temos as nossas menstruações.
Esta conexão é uma conexão que se interliga imenso com a Lua. A Lua é um satélite que, como sabemos, mexe muito com as águas. Nós somos Seres da Água! Dentro do nosso corpo, as águas movimentam-se; movimentam-se assim, como se movimentam no mar. Conectar-se com este movimento traz sabedoria, traz conhecimentos, traz informações. Informações neste momento necessárias. O nosso corpo, inclusive, e também estes órgãos estão conectados com centros energéticos que são os chamados chakras. Aqueles que são conectados com o Universo – que é o chakra da coroa – onde temos o nosso centro de controle sobre todas as hormonas do nosso corpo e depois, também, o terceiro olho, que também é um centro que tem conexão com o espaço superior. E estes centros conectam-se com aquilo que se encontra dentro dos nossos órgãos; dentro do nosso sistema. Eles comunicam imenso com os nossos ovários e os nossos ovários são aqueles que nos dão as energias, as informações e os movimentos que são necessários para este ciclo se possa repetir dentro do nosso corpo.
E o que é que acontece ali? Este nosso ciclo tem duas fases: normalmente conectado ao nível do tempo lunar de 28-29 dias, quando estamos ligados com a natureza, este ciclo muito mais facilmente se conecta com estes 28-29 dias; quando estamos muito fora, nem sequer temos influências das luzes que acontecem durante a noite, em diferentes níveis da Lua. Os nossos ciclos, hoje em dia, até estão muito mais direccionados para 30-31 dias. Porquê isto? Porque dentro do nosso corpo existe um pensamento; existem ligações colectivas. A informação colectiva é a informação mensal de 30-31 dias. E o nosso corpo começa a ajustar-se; começa a ficar um bocadinho irritado. Nós não vemos, mas há diferentes níveis de luz durante a noite (que se vê, por exemplo, quando se vai ao Alentejo). Nós aqui temos demasiada luz e ainda não temos a informação em conexão com a natureza…Uma via de se conectar e de ganhar ciclos regulares é conectar-se com a natureza; conectar-se com a observação da Lua e conectar-se com a observação do mar. e nós estamos muito perto desta energia forte; bem feminina; bem básica!
O ciclo é dividido em duas fases e estas duas fases são muito interessantes de revelar e podem ajudar-nos quando nos conectamos com isso de viver a nossa vida, de uma maneira muito mais ampla, com muito mais capacidade de percebermos o que é que está a acontecer e criar aquilo que é necessário para isso acontecer. A primeira fase do ciclo são os primeiros 14 dias (se o ciclo for de 28 dias). Há uma energia activa dentro do nosso corpo. É interessante, porque esta energia activa dentro do nosso corpo é dirigida pela hormona estrogénio. Interessante, não é? Porque activo quer dizer masculino e estrogénio é uma hormona feminina. Parece que estrogénio é aquela hormona feminina, que é mais masculino. Esta fase é uma fase activa. Nesta fase, o nosso corpo começa a preparar a cama para uma futura gravidez. Ele começa a pôr coisas na cama; coloca o que é que é necessário; prepara o ninho. Esta fase é uma fase boa para avançarmos com coisas; para fazermos coisas; nesta fase podemos ignorar inclusive até a nossa necessidade de dormir, das regras do tempo; podemos ultrapassar os limites, inclusive na alimentação. Podemos até, naquela altura, comer coisas que evitamos comer noutras. E não vale ficar tão presas ao nosso corpo como na outra fase. É muito bonito usar esta fase para projetos a iniciar; para dar energia inicial a estes projetos, para fazer com que eles se desenvolvam; para começar a ser possível transportá-los para fora.
No momento em que chegamos ao meio do ciclo, quando acontece a ovulação, já começámos a ter o desejo de exprimir isto bem para fora; uma coisa que já está pré-feita; que já está cheia; que já está lá. O que é que acontece quando a Lua fica cheia? A noite fica dia; a noite fica clara! Você pode andar durante a noite e você vê tudo. É já o momento em que as coisas estão explícitas, podem ser dadas e explicadas, comunicadas. As Mulheres gostam muito, nesta fase, de falarem umas com as outras, de exprimir as suas informações; de entregar as suas informações; de partilhar as suas informações. É um momento bem activo! Muitas pessoas, durante este período, não conseguem dormir tão bem; acordam; parece que existe uma agitação dentro de nós. O mar também: todo excitado, todo grande, todo a mexer.
Depois desta agitação toda que ganha o seu máximo ali. E ali acontece, depois, uma expulsão, porque o ovo naquela altura – na ovulação – fica expulso para fora. Depois desta altura começa a haver um relaxe; um profundo respirar. Esta segunda fase é uma fase de reflexão. Temos a primeira fase, uma fase ativa e a segunda fase, uma fase passiva. Na primeira fase acontece que o revestimento do útero começa a crescer (ao que eu chamei de “criar o ninho”). Na altura da ovulação existe a expulsão e, ali, começa a haver um preenchimento, um nutrir deste tecido todo que foi criado para, se não engravidarmos depois, no fim, ficarmos a menstruar no 28.º dia. Significa que esta segunda fase é precisa para poder colocar a nutrição, o quentinho; para preparar aquilo que ainda é necessário; é necessário calma. Significa que eu fui muito ativa na minha primeira fase do ciclo – que é bom e pode ser! -, na segunda fase, eu devia ficar na reflexão daquilo: “O que é que eu fiz? O que é que aconteceu?”; de sentir, tal como nos exercícios que fazemos no plano físico (eu movimentei e, depois, parei), para sentir o que é que aconteceu no corpo.
Então, nesta fase é importantíssimo o relaxamento, a percepção, ganhar as informações, ter muita cautela com o colocar coisas novas; deixar as coisas onde estão; menos é mais, naquela altura. Para depois, na altura da menstruação, eu ver o esvaziamento deste tecido que já não é mais necessário, porque não é necessário uma criação grande a nível de ter uma criança; neste momento é uma criação pequena que foi feita. E, na altura da menstruação, nós depois começamos a receber mesmo; a ficar bem vazias da informação e começamos a nos abrir outra vez para receber uma nova informação.
Então, um bocadinho daquilo que é vida: é acção, expressão, relaxamento e entrega.

Obrigada!

 

Mais sobre Radmila Jovanovic:

Sou médica especialista em ginecologia e obstetrícia que usa visão holística no trabalho com as mulheres. Faço leitura do corpo feminino usando técnicas da medicina convencional em combinação com, entre outras, biologia da saúde, e experiência somática. O desenvolvimento do parto natural e humanizado, bem como a introdução do parto na água no meio hospitalar foram e são os meus focos principais enquanto médica obstetra. A auto-consciencialização e enpoderamento da mulher para a sabedoria do corpo feminino tem prioridade neste caminho.

Mais sobre o Canal:

A Alagamares TV visa prosseguir os fins informativos e de divulgação consonantes com os Estatutos da Alagamares-Associação Cultural, com 10 anos de actividade já, norteando-se pela independência político-partidária, pluralismo de opinião, respeito pela legalidade e prossecução de uma abordagem inovadora e crítica, estética e visualmente apelativa.

Visando uma participação pluridisciplinar e intergeracional de figuras com iniciativa, ideias e conhecimentos, eruditos ou populares que possam enriquecer e diferenciar a oferta do canal, para que não seja um mais, dedicará atenção privilegiada aos criadores e criativos, locais ou nacionais, acompanhando as tendências e manifestações cívicas e culturais de relevo.

(imagem de capa de Chanel Baran)


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.