Revolução das Mães D’ Água Especiais / Mães D'Água

MANIFESTO ANTI PARTO ROUBADO

~ por Joana Fartaria e Mariana Falcato Simões, Mulheres, mães, activistas, Mães D’ Água, e tudo.

Porque nenhum parto é falhado mas muito parto é roubado…

Basta!
Basta de atropelar, mascarar, desrespeitar os direitos da Mulher no Parto.
Basta.
Porque a nossa voz não é ouvida, e petições que defendem os nossos direitos são simplesmente arquivadas!
Porque há medo, manipulação, motivações económicas onde deveria haver cuidado, amor, humanidade!
Porque o CTG fala mais alto do que a mulher a que está ligado!
Porque a mãe não é apenas um número no gráfico da natalidade e depois de um parto não basta um bebé vivo!
Porque o nosso sistema de saúde segue o exemplo mais pobre do exterior e escolhe ignorar as medidas tomadas por outros governos para um parto respeitado e feliz!

Porque parir é um acto natural, fisiológico!
Porque para parir bastam amor, carinho, segurança, confiança!

Cuidado com a desnecessária instrumentalização do parto, ela rouba as mulheres de um evento transformador!
Cuidado! Ela rouba as famílias da sua intimidade; rouba aos corpos sua beleza; viola e mutila a pureza de quem nasce! Adormece a humanidade em anestesias desnecessárias! Um parto assim é roubado.

Cuidado, a instrumentalização do parto é manipuladora!
Cuidado com os interesses económicos, os lobys, os gordos egos na sala de operações!
Deixem o diploma do lado de fora! Vamos trabalhar juntos nos hospitais!

Cuidado com a desnecessária instrumentalização do parto! Ela vai contra os direitos humanos!

Sim queremos Homens de ciência no apoio ao parto, precisamos muitas vezes deles, mas deixem entrar as Doulas e as suas mãos e carinhos. São necessárias!
Sim, queremos eficácia no Sistema Nacional de Saude mas não apressem os gestos que recebem os novos no mundo. Deixem tempo para a Mulher falar, caminhar, cantar.
Deixem.
Deixem a oxitoccina trabalhar, o seu bebé descer, coroar, nascer. Deixem-nos apaixonar!
Deixem suspirar a mãe apoiada no colo do pai.
Respeitem os preciosos momentos depois do parto! Criar laços com o bebé logo após o nascimento não é uma moda, é uma necessidade!
Deixem parar de pulsar o cordão umbilical antes de o cortar! Deixem a mãe parir a placenta (esse órgão glorioso!), para quê a pressa?

No momento do parto deixem os pais decidir! Ainda mais – insistam para que sejam os pais a tomar as decisões! Uma sociedade é feita de indivíduos que pensam. Cuidado com a desnecessária instrumentalização do parto – ela cega!

Um parto assim é um ladrão!
Um parto assim é traumático, e mascara de “procedimento hospitalar” a violência obstetrícia!
Um parto assim não é um parto – é um procedimento médico!

Não somos anti médico, anti ciência, anti obstetras! Mas somos anti procedimentos desnecessários, de rotina. Somos contra a indução sem necessidade, a episiotomia sem vontade, a manipulação da mulher e do bebé como objetos sem voz ou capacidade de acção.

Basta!
Deixem as mulheres parir. Deixem as mulheres renascer nas águas das piscinas de parto!
Sim, na piscina se elas assim quiserem, porque não?! Para quê as camas? As marquesas? As batas hospitalares?
Tirem as camas das salas de parto! Tirem!
Precisamos de espaço para dançar!

Morra a instrumentalização do parto, a excessiva, a desnecessária, a cega! Ela pode ser necessária – sim. Pode salvar vidas – sabemos. Mas nasceu para as emergências, para as excepções! Não a deixem ser o dia a dia de uma maternidade.
Façamos equipe verdadeira com aos médicos, deixando os enfermeiros assim qualificados tomar conta das gravidezes de baixo risco e dos nascimentos.

Abaixo a medicalização, a manipulação do parto!
Abaixo o parto roubado!

Porque ainda há quem defenda que tem de ser assim, que a mulher não sabe do que precisa e não pode ter o que quer! Não! Basta! O corpo da mulher sabe como parir. Confia.

E fiquem sabendo que se um dia houver LIBERDADE em Portugal será a Mulher, e sempre a Mulher, a decidir (ela e a Mãe Natureza) onde, como, com quem vai parir!

O nosso “país de doutores” conseguiu pôr Portugal num dos primeiros lugares da lista… das mais altas taxas de cesarianas do mundo…
Não estamos orgulhosas com tanto parto roubado.
Não estamos aqui para sonhar, e este manifesto não é um pedido – estamos a trabalhar!

Pela humanização do parto!
Pelo direito ao parto na água!
Por PARTOS RESPEITADOS SEMPRE!

Morra o parto roubado! Plim!

~ imagem de  Joana Meneses 


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.