Quando eu nasci ~ Inês Anjo Especiais / Ser Mãe

Hoje vou falar da minha mãe.

Nasceu no ano de 1962 em Setúbal…
“A tua mãe foi feita em Tróia, numa barraquinha que fazíamos para acampar”, diz-me a minha avó. “Casei, e passados cinco meses nasceu a tua mãe, tinha eu 23 anos. Nasceu no hospital de Setúbal, ainda eram as Freiras que faziam os partos. Mas nessa tarde ainda fui apanhar Laranjas!”
Quando lhe perguntei como foi, disse a rir:
“Foi fácil, um parto bom, por isso quando tive o teu tio pari em casa, com um joelho no chão e outro numa saca de calhamaço.”
Foi tão bom ouvir isso! Sempre pensei que a minha avó tinha escolhido ter o meu tio em casa por ter tido uma má experiencia no hospital, no parto da minha mãe.

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A minha mãe cresceu e com 20 anos casou. Fui a sua primeira filha, e de três em três anos foi abençoada pela maternidade. Primeiro filho aos 21, o segundo aos 24, o terceiro aos 27 e o quarto aos 31.
Nenhum foi planeado!” é a frase que diz, com orgulho, quando fala dos filhos.
O Dr. Camarinha disse-me que nasci para ser Mãe ” e eu confirmo, é de facto uma mãe maravilhosa!

Quando lhe pergunto se é mais fácil ser mãe ou avó, a resposta imediata é: “Ser avó é bem mais fácil”, mas quando lhe peço para terminar a frase Ser Mãe é… o meu coração aquece…

Ser mãe é ser portadora de um Amor sem limite, é dar, proteger, cuidar. É acordar à noite vezes sem conta e retomar o dia, como se o cansaço não existisse.
Ser mãe transformou-me num ser especial, completo.
A tua chegada tornou-me numa pessoa mais feliz! Gravidez era um tempo do qual eu desejava… ser mãe despertou um amor sem limite, amamentar foi uma experiência inesquecível… uma doçura!

Eu nasci no dia 28 Agosto de 1982. A minha mãe deu entrada no hospital de S. Bernardo pelas 13 horas com sinal de parto e contracções ainda espaçadas… foi um dia com excesso de lotação.

A minha cama era junto à janela, onde tinha sido colocada devido ao número de parturientes. A receção não foi a desejada e apanhei a mudança de turno. Ali permaneci sozinha até que as dores se tornaram insuportáveis… rastejei até alcançar a campainha de uma das camas e rapidamente surgiu uma enfermeira que me fez o toque e repentinamente fiquei toda molhada… rebentaram as águas! Tudo correu bem até que a maldita tesoura surgiu, apressando a expulsão do bebé, foi um golpe que levou pontos intermináveis… foi dolorosa a recuperação, devido a esta intervenção. O teu nascimento foi o início do meu melhor projeto de vida: ser Mãe. Nasceste e passados nove anos eu tinha filhos, todos eles partos fáceis!

Depois do meu parto nunca mais foi cortada, teve dois partos naturais e o último foi induzido. Em todos pariu deitada, “Não tínhamos opinião, não havia acesso a informação, acompanhamento e esclarecimento prévio de profissionais de saúde“, recorda sem mágoa.
Quando falamos do presente partilha que “Ao longo destes 30 anos houve uma evolução positiva. Foram criadas as condições físicas e profissionais mais humanizados e com mudanças significativas, tanto no parto como no acompanhamento à grávida!
A mulher tem opção de escolha… infelizmente neste momento está suspenso o parto na água. Esta seria a minha escolha se no meu tempo existisse esta opção, que para além de ser mais humanizada e menos interventiva, são os pais os intervenientes principais.

Quando falamos nisso pergunto-lhe o que achas que falta?
Faltam mulheres mais fortes, que não se acomodem.”

Eu, sou o espelho da minha mãe, com a fibra da minha avó! De facto o parto da minha filha foi fácil, talvez por isso queira ter o meu próximo filho em casa! Tal como a minha avó.

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Inês Anjo


Sou uma mulher apaixonada pela vida acreditando sempre no potencial de cada pessoa conseguir ultrapassar limites e descobrir a sua plenitude. Com a minha gravidez e maternidade iniciei um caminho de encontro com a minha essência. A minha paixão pessoal… ser Mãe d’agua.