Quando eu Nasci ~ Inês Palma Especiais / Ser Mãe

Hoje… estou aqui pela minha Mãe!

É a mais nova de três meninas, nasceu em Espinho, no ano de 1958. Agora é mãe de duas meninas, eu nasci no ano de 1983 e a minha irmã em 1988.

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1 – Conta-me… como foi quando eu nasci?
“Bem… na última consulta/ecografia, o médico informou-me logo que como tinha uma cintura pélvica estreita, que terias de nascer de cesariana pois não tinhas espaço para dar a volta. No final da gravidez, talvez perto das 40 semanas, o médico entendeu que iria então realizar o parto. Julgo que na altura se esperava até às 42 semanas de gestação.
Então… no dia marcado para a cesariana lá fui para o Hospital particular de Lisboa, em Picoas, com a malinha do bebé. Eu nunca soube se eras menina ou menino porque tu nunca estiveste em posição para deixar ver o sexo, só quando nasceste eu soube. Fizeram-me a “preparação” e, em seguida, mandaram-me para o bloco de operação. Conversaram comigo, fizeram-me festinhas na cabeça e… adormeci!
É o que me lembro! Quando acordei já estava no meu quarto com a família toda à volta. Esse momento… foi horrível!” (muito séria).

2 – Ouviste muitas histórias de partos durante a gravidez?
“Algumas histórias, mas nenhuma que me traumatizasse. No entanto, tive algum “receio” de como iria ser o meu parto, quando chegasse a hora.”

3 – Como era no teu tempo a preparação para o dia do parto?
“Não havia. Eu ia às consultas e seguia as indicações do médico.”

4 – Já tinhas ouvido falar em Parto na Água?
“Não, naquele tempo não! Eu tinha várias colegas também grávidas e nunca tinha ouvido falar em partos na água, pelo menos no meu grupo de amigas. Soube quando tu também soubeste, já tu estavas grávida!”

5 – Parto no Hospital?
Sim, em Lisboa, nas Picoas.

6 – Como te sentiste quando soubeste que o meu nascimento, a tua primeira filha, seria através de cesariana?
“Quando soube que irias nascer de cesariana fiquei surpreendida, e tranquila, ao mesmo tempo. O médico foi muito explícito quando me informou que o parto seria de cesariana, o tempo de internamento e a ajuda das enfermeiras do berçário… foi muito tranquilo.”

7 – Como foi quando levaram o bebé para o quarto?
“A minha reação não foi muito boa! Eu estava com muitas dores da operação. Estava toda a família no quarto e quando te levaram para perto de mim choravas desalmadamente, eu não quis dar peito, só mais tarde. Mais tarde sim, foi o momento ideal para estar sozinha contigo e com o teu pai.”

8 – Passados quase cinco anos, nasceu a minha irmã… como foi o parto dela?
“A preparação, o acompanhamento pré-parto, foi o mesmo que na primeira gravidez. E também foi cesariana. Foi muito sereno.
O médico foi o mesmo, no mesmo Hospital, a informação acerca das cesarianas era a mesma, mas… no dia anterior à data marcada para o parto, rebentaram-me as águas. Estávamos nós em casa. Tive de ir de urgência para o hospital. O trabalho de parto já estava iniciado, mas como a tua irmã também não tinha dado a volta, realizaram a cesariana.”

9 – O que pensas do parto na água? Do nascimento na água?
“Penso que nascer na água deve ser muito tranquilo, para a mãe, para o bebé e para o pai, que hoje em dia já assistem aos partos. Sei que envolve outra preparação, mas parece-me um parto tranquilo.”

10 – O que sentiste quando te contei que me tinham rebentado as águas e que ia a caminho do Hospital de Setúbal?
“A notícia surgiu de madrugada, estava eu a dormir e fiquei encantada (emocionou-se). Fiquei tranquila, dada toda a preparação que fizeram para o parto na água, uma vez que estavas bem informada, achei que tu terias autodomínio para controlares todo o tempo, até ao momento do nascimento.”

11 – Tiveste duas filhas, alguma vez pensaram ter outro filho?
“Nunca pensei ter três filhos. Na minha altura já se falava que uma mulher só podia fazer duas cesarianas. Mas passado algum tempo depois do nascimento da tua irmã, uma amiga minha, que também tinha passado por duas cesarianas, fez um parto normal. Mitos da altura!”

12 – Sei que tens algo a dizer acerca dos Mitos…
“Sim… como na minha altura tive de fazer duas cesarianas pelo facto de ter uma cintura pélvica estreita, receei que talvez pudesses vir a passar pela mesma situação.”

13 – Parto na Água, Sim ou Não?
“SIM! ”

No final da entrevista, ambas nos sentimos satisfeitas por partilhar experiências… o meu nascimento… a mega família no quarto, no dia em que eu nasci (que eu já sabia), a mexerem na cama onde a minha mãe estava desconfortável!
Felizmente a minha mãe estava bem entregue… se podia ter sido de outra forma… talvez, quem sabe? Esta parte da minha história…

Adorámos!

Inês Palma


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.