O Ovário representa o Passado Ser Mulher

 

~ Alma Mater ~
Radmila Jovanovic, ginecologista e obstetra, fala dos ciclos da mulher

no Alma Mater da ALAGAMARES TV

(episódio 3)

Bem-vindo ao terceiro episódio da “Alma Mater”, na rúbrica “Ser Mulher por Inteiro”.

Como se lembram, na última vez que falámos sobre o aqui e o agora, sobre onde está isto colocado dentro do nosso corpo e sobre a importância de colocar o prazer na vida. Hoje vamos fazer um passo bem para trás. Vamos ao passado! Vamos ao órgão que, no nosso corpo, representa o passado; representa a informação que vem de antes; que não quer dizer só da mãe ou do pai; quer dizer da família toda e, se calhar, de muito mais do que isto.
Este órgão é o ovário. Este órgão é duplo: são dois ovários que temos. Significa que tem, também, uma conexão, de um lado, com aquilo que tem que ver com a mãe, e do outro lado, que tem que ver com o pai. E o movimento é: esquerda – mãe; direita – o pai. Este órgão é um órgão que tem informação infinita. Muito interessante, no tempo embrional, este órgão tem ainda mais informação, bem mais informação em forma de ovos, do que depois do nascimento. Esta informação é tanta, que não chega a ser utilizada na totalidade numa vida. Sempre deixamos mais algum que, depois, fica para a próxima!
O ovário é o órgão que inicia, também, a nossa vida, inicia e acaba as três diferentes fases da nossa vida. A fase da puberdade, quando nós ficamos “mulheres”, quando a mulher começa a se conectar, pela primeira vez, com o sangue; com aquilo que é a terra. Depois temos uma segunda fase, também, em que o ovário conecta imenso. Também, porque ele nutre aquilo que cresce dentro de nós, do início do crescimento, que é a altura da maternidade, onde a mulher se conecta com o sangue do parto; não é com o sangue da menstruação! Depois temos uma terceira fase, onde acabam funcionalidades da mulher e ela depois já não sangra; o que não quer dizer que não se conecta. Diz-se que o sangue se torna dourado e começa a fazer a conexão directa com o Universo.
Estas são três fases que não são uma ou outra; são uma e outra e outra. Significa que eu sou da última – fase da “velha” ou da sábia – e esta fase contém a virgem e contém a mãe. E a virgem não é aquela que não tem relações sexuais; a virgem é aquela que ainda não encontrou o homem futuro pai dos seus filhos, que está na exploração da sexualidade. Significa que é muito importante mudarmos um bocadinho aquela palavra “virgem” e encontrarmos um bocadinho uma nova informação.
O nosso ovário é aquilo que ajuda e que desenvolve dentro do nosso sistema o ciclo menstrual que falámos no primeiro episódio. Ele é dirigido e conectado com sistemas mais altos, que são sistemas que se encontram no cérebro, que são conectados ao nível das ondas energéticas com o chakra da coroa e com o terceiro olho. A hipófise, que é por baixo do hipotálamo, vai dando apoio a formações dentro do ovário, a partir da puberdade. O que é que acontece depois, nesta zona? Como existem muitos ovos por todo o lado aqui, começa a haver activação de um dos ovos e ele começa a receber nutrição; começa a receber líquido à volta; começa a receber o seu próprio espaço. E começa a crescer mais e mais, até ao momento em que o crescimento está pronto, a nutrição está feita e, depois, acontece aquilo a que nós chamamos ovulação, aquilo que se encontra no meio do ciclo ou, dito, 14 dias antes da menstruação.
Quando acontece a ovulação, o ovo é expulso para fora. Significa que o ovo não faz para sair; o ovo é como – já falámos também no início – a mulher: algo passivo, algo respiratório, algo criando campos; não é algo que actua; não é uma energia de acção. Significa que no ovário fica o ovo nutrido, alimentado, preparado. Chega a uma certa maturação e, depois de chegar a esta maturação, é expulso para o espaço, como se fosse o Universo! Quando nós olhamos os filmes e os astronautas estão naquele preto, imaginem se o ovo tivesse olhos, quando saía dali, via isso. E o espaço enorme que é o espaço que ainda não entra na trompa está ainda por fora e, no fim, nem sabe o que é que vai acontecer. Mas confia!
O que é que acontece? A trompa é que move para o ovário, move para o sítio onde está este ovo; a trompa faz tudo para apanhar esta informação, este ovo; para aconchegar este ovo. E dentro da trompa, o ovo outra vez não mexe. O que é que acontece dentro da trompa? A trompa movimenta; tem pelinhos, tem movimentos específicos. Movimenta o ovo em direcção ao sítio certo, para aguardar uma possível fecundação. Dentro deste processo todo que está acontecendo e mais tarde, a partir do momento de expulsão, existe uma criação de um campo magnético; existe uma criação de um campo que vai ser aquilo que vai dar nutrição à direcção dos espermas que possam ir ao seu encontro.
Significa que ali serve para preparar-se para receber. Se não acontecer, morre. O que é que quer dizer isso? Fica reabsorvido. Vai começar um novo ciclo. Significa que ali entendemos o que é viver, desenvolver-se, morrer, renascer, viver, desenvolver-se, morrer, renascer, … É muito interessante ver que nesta atitude do nosso ciclo, que nesta atitude que o próprio ovário cria explica imenso o que é que é o lado masculino, o que é que é o lado feminino. O lado masculino é uma acção; são muitos; é competição. A competição é para ganhar o melhor; para o melhor chegar ao sítio; para o melhor poder acontecer. A competição masculina serve para apoiar o desenvolvimento de mais e mais potência.
O feminino é diferente. O feminino já existe. O esperma tem que ser formado. Em cada ejaculação tem que ser formado de novo. O ovo não! O ovo já existe desde sempre. Fica, apenas, aconchegado e nutrido, alimentado e, depois, é expulso. Depois comprova com entrega, confiança e tudo aquilo que existe para, no momento, receber ou não; conceber ou não conceber; entrar em contacto ou não entrar em contacto. Se entrar em contacto, começa a haver uma explosão de uma capacidade criativa natural. Não é preciso fazer nada. Acontece por si próprio: uma criança começa a se desenvolver.
Se não acontecer isso, houve uma elevação de energia; houve um novo momento; houve tocar no assunto no sistema subtil e, a partir dali, não foi necessário fazer mais uma reabsorção de todos os materiais que lá existem para uma nova utilização e vai-se aguardando um novo ciclo a acontecer. Significa que é um momento onde tudo pode acontecer e mais e, quando acontece a gravidez, nós vemos o que é que está a acontecer; quando não acontecer a gravidez, nós não vemos, mas sentimos que aconteceu alguma coisa. Porque durante o tempo do nosso desenvolvimento, a mulher modifica, mesmo não tendo filhos – não interessa; ela começa a desenvolver aptidões diferentes ao nível de relacionamento, ao nível de cuidar de outros, ao nível de presença, ao nível de conexão com ela mesma. Tudo isto acontece também, porque existem os nossos erros.
O que é que acontece na nossa sociedade hoje em dia? Nós interrompemos este ciclo! A maioria das coisas. Ele nem tem tempo de se desenvolver um pouco. Já muito precocemente, começa-se a dar uma contracepção que traz a paragem deste processo, que traz menstruações fingidas, que traz o ir outra vez para trás. Qual poderia ser uma resolução para a contracepção, para a sexualidade dos jovens poder acontecer sem “perigo” de gravidez? Isto é outro tema que precisava, de certeza, mais do que este curto tempo agora. Mas existem possibilidades! E vale a pena abordá-las! Se calhar não hoje, mas no próximo “Alma Mater”.
Obrigada!

 

Mais sobre Radmila Jovanovic:

Sou médica especialista em ginecologia e obstetrícia que usa visão holística no trabalho com as mulheres. Faço leitura do corpo feminino usando técnicas da medicina convencional em combinação com, entre outras, biologia da saúde, e experiência somática. O desenvolvimento do parto natural e humanizado, bem como a introdução do parto na água no meio hospitalar foram e são os meus focos principais enquanto médica obstetra. A auto-consciencialização e enpoderamento da mulher para a sabedoria do corpo feminino tem prioridade neste caminho.

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(imagem de capa de Chanel Baran)


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.