Parto respeitado ~ famílias felizes Especiais / Semana Pelo Parto Respeitado

Venho falar-vos de uma história que me toca muito…

No passado mês de Abril nasceu uma bebé especial, em circunstâncias raras, numa vivência única para pais, bebé, e parteira.

Um parto livre, respeitado, acarinhado.
Um nascimento em Amor.

Um nascimento que mostra que há mulheres inteiras e determinadas na sua vontade. Um nascimento que aconteceu no nosso Sistema Nacional de Saúde, e que mostra como, mesmo quando o leque de opções é pequeno (tão ridiculamente pequeno!), para que o parto possa ser vivido fora de uma cama, há mulheres e profissionais de saúde que não desistem de o conseguir.

Nesse dia, a cumplicidade e apoio entre uma mulher e uma parteira, tornam um parto que começa com uma indução, num parto único, improvável, limpo, e transformador.
A força interior dessa mulher, e a sua experiência como mãe D’ água levam-na a querer apenas uma coisa – água.
A paixão de uma parteira e a convicção de que a sua presença faria a diferença fez com que as suas oito horas de trabalho se transformassem em 16.

O resultado foi… surpreendente!

Era uma vez uma mãe d´Água empoderada, que foi mãe pela primeira vez numa piscina, no Hospital de São Bernardo, e que por obra do destino, vê a sua segunda experiência de parto, neste mesmo hospital, pô-la à prova.

“Uma gravidez diferente da primeira, menos tranquilizadora… Um trabalho de parto que se iniciou com uma indução…”

“Indução”… esse palavrão que nos assusta, e que de facto não é o início perfeito para quem gostaria de parir de forma natural.
Mas quando se alinham pessoas que acreditam em nascimentos felizes, acontece assim: nasce um bebé, no chuveiro, em bolsa íntegra.
E BUMMM!!

Mil perguntas surgem de repente:
– Afinal como isto aconteceu?
– Quem o proporcionou? A parteira? A mãe?
– Parto natural com indução?
– Bolsa intacta, isso é possível?
– Parto no chuveiro? Isso é permitido no meu hospital?
– O que ajudou esta mulher?
– Como pode uma indução acabar num chuveiro, com um bebé nascido na sua bolsa?
– E o CTG?!!

Pois é…
Então podemos completar a história, e dizer…
Esta mulher, apaixonada pela sua primeira vivência de parto, procura desta vez ser apoiada por uma parteira.
Gravidez seguida por EESMO – magia!
Essa Mulher e essa parteira partilham a paixão pela água, e a certeza de que partos felizes são possíveis, com base na confiança, no respeito, na cooperação e amor. Como num casamento fiel, elas não se abandonam.

Esta equipa inicia a sua jornada na urgência do bloco de partos… as horas passam, mas o elo não foi quebrado.
Nasce assim uma menina dentro da sua bolsa, num chuveiro! Um espaço limitado fisicamente, mas o suficiente para que essa Mulher se possa sentir especial, protegida na sua intimidade, respeitada na sua vontade – única.

Como toda a Mulher merece!

Todas as Mães d’Água choraram de emoção, e com este relato reafirmaram também a sua missão – opção de parto na água para todos os hospitais.

Porque nós sabemos que naquele momento, aquela mulher gostaria de ter muito mais que a água de um chuveiro. Queria água, sim… mas a envolver o seu corpo, a proteger o seu momento, a relaxar a sua mente e os seus músculos, a fazê-la sentir-se livre.

Queria um Parto na Água.

Teve uma experiência maravilhosa, sim, mas limitada em opções.

Escrevo hoje sobre esta história porque mesmo com estas limitações foi de longe um parto melhor do que são os de tantas outras mulheres, que vêm os seus sonhos de parto a cair por terra logo após uma indução – ligadas a um CTG, reféns da tecnologia cega, que não ouve o que sentem. Ela viveu um parto muito longe da realidade de tantas mulheres que sonham poder usufruir do poder terapêutico da água, e lhes é negado à partida até o acesso a um duche relaxante durante o seu trabalho de parto… Felizmente muito longe da realidade de tantas mulheres que sonham um dia ter cuidados diferenciados e contínuos, com a parteira com quem escolheram partilhar a sua gravidez.
A grande diferença aqui foi sem dúvida ser uma mulher informada, ter ao seu lado o seu companheiro, e mais que isso, partilhar o seu momento com alguém que a encorajou a viver o seu parto. Sem intervenções desnecessárias, uma “parteira à séria”, que sabe bem o caminho para fazer famílias felizes.

Hoje começa a Semana Mundial Pelo Parto Respeitado, vamos refletir sobre as necessidades e direitos das mulheres no parto?

Esta é a nossa reflexão, a nossa missão (a nossa revolução!)

Para que não se limitem as escolhas, mas antes…

Que a água esteja presente e disponível para todas, no chuveiro, e/ ou numa piscina!
Que o CTG não tome o lugar da mulher!
Que a Mulher possa escolher a sua Parteira!
Que essa Parteira a possa acompanhar desde a vigilância da gravidez ao parto e no pós-parto.
Que o medo de falhar seja substituído pela vontade de tentar alcançar um serviço público mais inclusivo.
Que casais e profissionais se capacitem, e de mãos dadas façam a mudança acontecer!

Parteiras fortes! Mulheres Fortes!

Tu fazes parte da revolução das Mães D’ Água!
Nós sentimos a tua força!
É um orgulho saber que somos, juntas, cada vez mais fortes!

~ Inês Anjo, mãe D’ Água

(imagem de Melissa Jean)


Sou uma mulher apaixonada pela vida acreditando sempre no potencial de cada pessoa conseguir ultrapassar limites e descobrir a sua plenitude. Com a minha gravidez e maternidade iniciei um caminho de encontro com a minha essência. A minha paixão pessoal… ser Mãe d’agua.