Fases Holísticas do Parto (terceira) Artigos

~ Texto original (terceira parte de quatro) por The Matrona,
tradução livre de Catharina Didelet e Joana Fartaria ~ Maes d’Agua ~

O REGRESSO
(POS-PARTO IMEDIATO)

O bebé deslizou para um novo mundo. A transformação aconteceu. Tanto a Mãe como o bebé vivem um momento de reintegração e reorganização. Esta fase pode demorar entre cinco a dez minutos e é semelhante à Calmaria, na sua calma e sossego. Mãe e bebé estão a estabilizar – reorganizar estruturas moleculares – e por alguns momentos nenhum deles está a fazer nada que seja aparentemente visível.
O bebé está a mudar da circulação fetal para a circulação neonatal, iniciando respirações, cheirando o ambiente, sentindo ar pela primeira vez, ouvindo, vendo, e experienciando as suas primeiras impressões neste planeta. A Mãe está a ver o planeta com novos olhos. Normalmente senta-se quieta por uns momentos permitindo a si mesma regressar. E de seguida procura o seu bebé para o tocar. Normalmente o parceiro senta-se ao seu lado, observando, com lágrimas de comoção.
Este é o momento de criar laços neste mundo físico. A Oxitocina, hormona do amor, flui intensamente… mais do que em qualquer outro momento do parto e todos na família se apaixonam. A Mãe (re)conhece o seu filho, o parceiro acolhe a sua família. Os laços criam-se primeiro a um nível psicológico e espiritual, e depois a mãe pega no seu bebé.
As Mães têm-me ensinado que não é correcto interferir nesta importante fase do parto. Este é um momento incrivelmente único e sagrado, e se realmente percebemos o parto e as ramificações de regressar de um estado alterado… a sua reintegração… protegeríamos a privacidade da mãe e do bebé nesta altura, mais do que em qualquer outra. Tenho reparado que muitas vezes as mães não estão prontas para pegar nos seus bebés imediatamente a seguir ao parto. Precisam de um minuto, ou dois, ou cinco. Precisam de sentir o seu bebé de uma forma autêntica e instintiva. Não precisamos de entregar o bebé à mãe e por favor, nunca devemos remover o bebé do campo de proximidade dela.

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O (RE) CONHECIMENTO

Nesta fase a Mãe pegou no seu bebé e começou o processo de (re)conhecimento. Mãe e Pai estão maravilhados; maravilhados com o seu bebé, um com o outro, com os reinos fantásticos através dos quais acabaram de viajar. Aproximam-se do bebé com um sentimento de fascínio e veneração. Ao princípio podem chorar e estar sem palavras, ainda envoltos no casulo místico do Vórtex. Em breve pode haver expressões de deleite ao mesmo tempo que os pais acarinham e falam com o seu bebé e um com o outro.
As fases do Regresso e do (re)Conhecimento são fases em que as distracções devem ser as mínimas possíveis de forma a respeitar a criação de laços iniciais entre os pais e o bebé. Estetoscópios, flashes de câmaras, objectos de sucção, mãos e vozes que não as da mãe e do pai podem ser disruptivas e inapropriadas durante estes primeiros minutos vitais, sobretudo se os pais querem honrar a sacralidade deste processo de ligação desde o início.
Quando o (re)Conhecimento está prestes a terminar (normalmente ao fim de cerca de 10 minutos) e a mãe e o pai exploraram o seu novo filho, a mãe pode sentir a placenta descer e sentir que está pronta a ser parida. Nesse caso, ela pode pedir uma bacia ou querer que o profissional de apoio ao parto se aproxime. No entanto, a maior parte das mulheres com que trabalhei não quiseram parir a sua placenta até à fase seguinte.
Do Tao…” A parteira faz o seu trabalho ao não fazer nada”.
De perto, sem interromper ou estar no espaço da mãe, a parteira ou o profissional de apoio ao parto pode avaliar o recém-nascido, avaliar a separação da placenta e sangramento da mãe, avaliar e ir ao encontro das necessidades imediatas de qualquer pessoa na sala, estabilizar o ambiente e ser uma testemunha silenciosa durante estes primeiros dez minutos e primeiras fases a seguir ao nascimento.

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COMUNHÃO

Este é o momento em que os pais optam por partilhar o seu novo bebé com os outros na sala. Filhos, avós, amigos, acompanhantes são convidados a aproximar-se e saudar o recém-nascido. Com este convite, a equipa de apoio parto pode aproximar-se do espaço da Mãe e da família. Mamã e bebé estão alerta e receptivos. O pai está a processar a experiência e a proclamar a sua família. O bebé pode mostrar interesse em mamar. Dão-se os parabéns e segue-se uma celebração silenciosa. O Regresso, o (re)Conhecimento e a Comunhão juntos, demoram cerca de 20 a 30 minutos e constituem o pós-parto imediato. Apesar de serem curtos em duração são fases muito diferentes do parto, cada uma é uma experiência única e importante que tem impacto no desenvolvimento e bem-estar da família.

(CONTINUA…)

Foi um enorme prazer traduzir este texto e ele foi apresentado em quatro partes para facilitar a leitura, podes ler aqui a Primeira Fase, Segunda Fase, Quarta Fase.

Carinho nosso.


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.