A Sororidade e a Maternidade Coluna Humaniza-te

A ideia de que só nos tornamos mulheres completas após a maternidade é um conceito que ainda assombra muitas mulheres.

Mas esta “obrigação” de ser mãe é uma ilusão imposta pelo patriarcado, que vê o Ser Mulher como um objeto dentro da sociedade, objecto que tem o dever, a obrigação (a função até!) de procriar. Nesta linha de pensamento nós só somos Mulheres, pessoas realmente realizadas, após concretizar a maternidade.

Sim, é verdade que quando nos tornamos mães recebemos uma gama enorme de desafios a serem superados, que podem fazer crescer o nosso potencial e ajudar-nos a nos conhecer mais profundamente. Mas esta não é a única forma de atingir o nosso pleno potencial, e nem uma fórmula de crescimento aplicável a todas nós.

Nem todas as mulheres se realizam na maternidade. E isso não significa que não amamos nossos filhos. Significa antes que as expectativas geradas em torno desse “ser mãe” (como se houvesse um único modo para o ser), nos levaram a acreditar numa realidade sempre fascinante, de felicidade plena. Uma realidade que nem sempre é real e que… quando não encontrada no nosso dia a dia nos faz ficar até doentes!
Muitas vezes é mesmo a pressão de outras mães que nos faz sentir assim, somos no fundo subjugadas por nosso próprio colectivo que nos devia entender como ninguém.

Convido-as a conhecerem, caso ainda não tenham ouvido falar, o conceito de Sororidade.

Sororidade é o apoio/ suporte, que uma mulher oferece a outra(s) mulher(es). É o exercício de se permitir sentir empatia por outra mulher e buscar formas de apoia-la no seu crescimento individual. Um apoio sem julgamento, partindo do pressuposto de que juntas somos mais fortes e de que apoiando as histórias individuais podemos chegar a um coletivo mais justo e humano para todas nós.

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A prática de se colocar disponível para outras mulheres/ mães, pode não só nos ajudar a crescer e amadurecer enquanto mulheres, como também semear um campo para a futura geração, onde nossas filhas possam também tomar decisões mais sábias, sinceras e firmes quanto ao rumo que querem dar às suas vidas.

Tornou-se necessário desconstruirmos os paradigmas que nos são impostos. Sentirmos se de fato o legado que estamos a deixar é sincero.

Como sente o seu?

Como agir em Sororidade?

Escute mais as necessidades das mulheres à sua volta (assim como as suas); participe mais ativamente na sua comunidade: encontre a sua vocação pessoal e compartilhe a suas individualidades com o coletivo.

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Esse é o meu chamado desta semana.

~ Juntas somos mais fortes! ~

Carinho meu,
Glaucia Figueiredo

(imagens de Camilla Albano)


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.