Estar “Presente” na vida diária Coluna Humaniza-te

Estamos constantemente distraídas e absorvidas pela enorme quantidade de informação à qual temos acesso na sociedade moderna. E cada vez está mais fácil manter uma vivência superficial, amortecer nossos anseios mais profundos em prol de uma imagem e “personagem” que passa pelo mundo sem se questionar. Isso gera uma infinidade de reações, entre elas a sensação de “vida vazia”, “falta de propósito”, fadiga constante e uma infinidade de patologias, tanto psicológicas como físicas.

A “Presença” é a atitude alerta, porém relaxada, que é possível e viável para todas as pessoas em todas as fases da vida. Pode causar um certo desconforto inicial, à medida que nos sentimos dessintonizados com o tempo e, percebemos que é possível alongá-lo.

Ficar preso no Passado, pensando em algo que já aconteceu, ou em como poderíamos estar se tivéssemos feito algo de diferente, nos mantém em ciclos de repetição.
Pensar no Futuro, projectando o amanhã, e preocupando sobre o que vai acontecer, também não nos mantém no mesmo padrão.

O que nos resta?
O “Agora”, o momento presente, nem um segundo antes, nem depois.
Isto é o que chamamos de estado de Presença:
Estar Aqui, Agora.
Atento, mas relaxado – simplesmente conectado.

Esse conceito permeia todas as culturas orientais, com diversos nomes, sendo o mais conhecidas por nós como estado “zen”.
Eckhart Tolle em seu best seller “O Poder do Agora” popularizou muito o termo, e é a minha dica da semana, ir investigar este excelente professor que possui riquíssimos materiais sobre o assunto.

O que escuto muito de alunos, amigas, e pessoas em geral é que adorariam ser mais calmas e “zen” mas “não têm paciência”.
Acredito que esta visão se deve ao mito de que estar em conexão é algo lento e parado.

Algumas pessoas se identificam com essa calmaria externa e com palavras proferidas calma e pausadamente, eu me identifico, como estudante. Mas esta não é a forma como eu passo esta prática, nem é o que eu espero das pessoas que me procuram.

Para atingir conexão consigo mesmo, tem de se assumir que somos seres únicos e que nossas particularidades necessitam de ferramentas especiais, como nós.

Conheço pessoas que mesmo antes de ouvir falar na existência da meditação, já a praticavam das mais variadas formas: fosse através de algum desporto, na cozinha, ou em seus pequenos rituais de “desligamento desta realidade”, que permitem um encontro consigo mesmo e a sensação de estar em conexão com algo mais real.
Não existe receita pronta.
Mas com certeza existe uma forma para você.

A sua investigação pessoal e realização é importante. Muito. Pois eu acredito que cada um de nós possui uma particularidade, algo de especial e único no mundo. E para mim é importante que você seja você, em toda a sua potencialidade.

Este é o meu convite desta semana:
Busque o que a ajuda a abrir mais o olhar, respire mais fundo, observe os contrastes das cores que vê da sua janela. Isto pode ser a sua prática Zen. Seguir os sons que te apetecem e te acariciam por dentro.

Não precisa ter um “barulho de água” no fundo, nem mantras, nem imagens específicas; não precisa nem ser “na natureza”, nem há uma regra rígida de tempo ou espaço escolhidos para isso.

Somente estar.
Agora.
Aqui.
VocÊ com vocÊ.

Carinho meu
~ Gláucia Figueiredo

(imagem de Camilla Albano)


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.