[Relato de parto #25] Rita Sousa Relatos

Tudo começou uns anos antes de pensar sequer em engravidar, ou “engravidarmos”, sim, porque foi de imediato decisão dos dois, após ver um vídeo de um parto na água!

Quando chegou a nossa hora tudo fizemos para o nosso desejo se concretizar.

No dia 16 de maio de 2014, por volta das 7h da manhã a minha filha Matilde começou a “arrumar a sua casinha”, e a dizer à mamã e papá, “eu vou chegar”, mas na verdade já andava eu super ansiosa há dias! À espera das, tão faladas, “contracções”.

Às primeiras contrações fui para o duche, e a água quentinha soube… uau, que delícia!

7h30 tomos caminhar. Entre contrações, suspiros, e sob olhares menos discretos na rua, fui caminhar, caminhar caminhar…
Quando as contracções já vinham muito, muito juntinhas lá fomos nós até ao Hospital de São Bernardo.

Sentimentos? Bem, felicidade, mas também receio, ansiedade, alguma insegurança… Muito medo de no momento de dizer “nós queremos parto na água” haver uma porta a fechar-se.

No entanto… foi completamente ao contrário!
Na triagem da obstetrícia fui recebida pela enfermeira Celeste Varela, a quem digo,

“Eu tenho um plano de parto porque queremos parto na água!”
Da parte da enfermeira um sorriso enorme que me responde
“E querem muito bem!”

Uau, o meu mundo ficou mais brilhante, mais radioso. Tudo foi tão natural e suave. Poder estar no duche, ter o marido ali mesmo ao lado a ler os meus olhos e a movimentar-se em silêncio, foi precioso! Deram-Nos toda a privacidade, respeitaram o nosso momento, e permitiram que eu respondesse e correspondesse ao que o meu corpo me pedia!
Durante toda a fase de dilatação tivemos o nosso espaço, alternei entre a cama, o chão, o banho, a bola de pilates…

Ai que saudades daquele dia!

Demos entrada perto das 10h da manhã, cerca das 15h15m chegou o momento de ir para a piscina – enquanto o marido vestia os calções para “mergulhar” connosco, ainda tive a sorte de ter a enfermeira Elisabete a dançar comigo, a sorte de receber muitos abraços.
Mal sabia eu o que aí vinha.
A determinado momento perguntaram-me como sentia a dor, de 1 a 10, para mim… Bem a dor estava no 8… Mas, ao entrar na água a dor desapareceu!
Bem, eu nunca consumi nada de estupefacientes, não sei dizer se é semelhante, mas tive a sensação de ter sido levada para outro mundo, fiquei de tal maneira descontraída, confortável, ali sobre o peito do Amor, o meu pilar.
Aos poucos a intensidade das contrações foi voltando, mas nada como tinha sentido antes.

A liberdade de movimentos foi crucial.
Não havia pressas, apenas quatro olhares atentos, de quatro seres humanos brutais, que foram as enfermeiras que nos assistiram. Sim, que nos assistiram, dando apenas algum reforço com palavras enquanto o meu corpo fazia o seu trabalho e o pai se mantinha firme.
Chegou o momento em que me disseram,

“Queres sentir a cabeça da tua bebé?”
UAU, emocionante!
Passado pouco tempo segurei a Matilde por debaixo dos bracinhos, olhando-a, ainda submersa na água, a nadar, ela batia os braços e as perninhas… Uau…

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Aos poucos tiramo-la da água e… de tão tranquilamente que nasceu, assim que a encostei ao peito, adormeceu. Aqueles lábios que mais pareciam um botãozinho de rosa, vermelhinho…
Com calma, muita calma… enquanto a Matilde dormia, como se nada se tivesse passado, o cordão pulsava, até que terminou a sua função e eu própria o cortei.
Com tudo isto, eram apenas 16h58. Passaram cerca de 1h45m após entrar na água.

Foi a melhor experiência da minha vida, enquanto mulher!

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Voltaria a escolher respeitar o meu corpo e dar um nascimento suave e tranquilo a um filho!

Foi um dia maravilhoso que recordo com muito orgulho e saudade.

~ Rita Sousa


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.