Campanha NÃO DÁ PARA PARIR VESTIDA Especiais / Mães D'Água

Sabias que…?
A nossa campanha vai muito para além da criação de mais um hastag!

A nossa campanha trata:
– Consciência Individual e Colectiva
– Resgate do Feminino
– Liberdade Beleza e Magia da união Homem/ Mulher
– Liberdade Beleza e Magia do corpo da Mulher – e do Parto!

~ Tem poucos meses que sou voluntária no movimento das Mães d’Água. E hoje posso dizer que este “detalhe” faz de mim um ser humano cheio de sorte!
Sou parte deste grupo, e, na realidade é muito mais do que “mais um grupo”.

 

“Quando a morte de um grupo se completou e este se encontra aberto e vazio, entra em comunidade. Neste estádio final, uma suave placidez desce sobre ele. É uma espécie de paz, frequentemente precedida e seguida por uma grande abundância de expressões individuais de experiências e emoções pessoais, lágrimas de tristeza e lágrimas de alegria. É nesta altura em que uma extraordinária quantidade de cura e conversão começa a ocorrer – agora, que ninguém tenta deliberadamente converter ou curar. A partir deste ponto, nasce a verdadeira comunidade… Uma vez conseguida a comunidade, dependendo dos objetivos e tarefas, mantê-la tornar-se-á um desafio permanente. Mas a experiência de ter crescido a partir do esvaziamento deixa uma impressão duradoura. E a resposta emocional mais comum ao espírito da verdadeira comunidade é a alegria e o amor.”

Depois de citar M. Scott Peck, em “O Caminho Menos Percorrido e Mais Além” (um “especialista” em comunidades), adianto desde já que para mim as Mães de Água representam isso mesmo, uma comunidade – de mulheres, de homens, de mães, de pais, de profissionais de saúde, que lutam por um mundo melhor, com a alegria e o amor que lhes vai dentro.

Existem dois factores muito importantes para que todos em comunidade/ sociedade, levem a cabo o objectivo final. Esses factores são a Consciência Individual e a Consciência Colectiva.
Hoje vejo que é a União e a Força que este Movimento cívico tem que faz dele uma Comunidade. Um Movimento, que, para mim, se vai transformando, passo a passo, numa Comunidade – Consciente, Humana e Activa.
Ora essa Consciência Individual, pertence a cada Ser deste movimento.
E como?
Em cada vez que acreditamos, que lutamos, que praticamos, que partilhamos, que agimos, que actuamos, que defendemos, que choramos, que rimos, que reivindicamos… de cada vez que não nos calamos, e, o mais importante!, de cada vez em que Amamos (sim, em que nos amamos para vivermos um dia a dia melhor, em que amamos o próximo para que o mundo dele seja também melhor).
Sempre que mudamos as nossas crenças, de nós, como indivíduo; mudamos as crenças do Colectivo que nos rodeia. E é por uma integração harmoniosa que lutam (ou será melhor dizer “que amam”, porque é sem duvida uma luta amorosa) as Mães D’ Água – por uma cooperação dos dois mundos, onde sabemos respeitar e honrar a nossa sabedoria enquanto Humanidade.

“Think Global, Act Local.”

Vivemos nesta sociedade patriarcal que coloca os dois géneros – feminino e masculino, em caixinhas, caixas chamadas de “tabus”.
Estes dois géneros, Mulher e Homem, que ainda são martirizados, culpabilizados, estigmatizados e levados até à exaustão na ilusão da “produtividade” e do “sucesso”. Num caminho onde nos esquecemos de uma parte da essência do que somos: a criatividade.

Estes dois seres, que são nitidamente diferentes mas parte essencial do Equilíbrio, são necessários para a Criação de outro Ser.

Como podemos duvidar desta nossa Natureza?

Mulher e Homem têm a capacidade de criar.

A Natureza fez-nos seres criativos, e um dos mais belos resultados dessa União é darmos à luz outro Ser.

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Sinto-me neste momento, como voluntária, como Ser Humano e como Mulher, indignada, triste, desapontada, rejeitada, desprotegida, revoltada.
Depois dos episódios de Censura recentes eu sinto-me desrespeitada, por uma sociedade que ainda tem a coragem e a desresponsabilização (!) de censurar fotografias de mulheres a parir! Quando este é dos actos mais naturais e dos presentes mais generosos que uma mulher pode dar!

Como pode uma rede social – que tem sido uma plataforma tão importante na troca de ideias, na partilha de impressões, que convida à exposição e que (bem usada, em consciência) contribui para a mudança (por vezes quase à velocidade da luz!) – PROIBIR a imagem de um dos mais belos actos de todo o universo que é o de Dar à Luz Amor!!??

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~ As imagens de parto são Censuradas nesta plataforma sendo catalogadas de “nudez”.
Mas é mesmo o corpo feminino, nu, que está aqui a ser censurado? ~

Como podemos permitir isto, e não nos revoltarmos por aparecerem e serem alimentados vídeos, imagens, músicas… onde aparecem mulheres de facto nuas (ou quase nuas), tratadas e representadas como objectos sexuais?
Essas imagens, porque movem milhões, são permitidas.
Nós permitimos (sim, não falar, aceitar sem questionar esta visão do colectivo é permitir…) nós permitimos esta nudez porque faz parte da imagética da “mulher perfeita do séc XXI”.
Pois… Talvez seja assim, mas isso não é uma Mulher na sua Natureza.

A mulher Natural, é como quando acorda, como quando ri, chora, sente, assume que dói, que se excita, que se desequilibra.
A mulher transpira, a mulher geme, a mulher tem mamas e tem vagina.
Nua e Crua. Tal como a Natureza, que assim se expõe a nós todos os dias.

Como podemos permitir a proibição da Natureza e Verdade de um momento, que é, nada mais nada menos, que a consequência, o resultado glorioso, o culminar de um acto de Criação?

~ Como podemos querer negar que é assim para todos nós: que todos fomos concebidos pela união sexual entre uma mulher e um homem, nos desenvolvemos no ventre de uma mulher e fomos paridos, assim mesmo – TODOS nós. ~

Um bebé sai de uma vagina de uma mulher, e para que tal aconteça foi necessário entrar lá um pénis – é tabu?

Qual é a vergonha disto?
Onde está o TABU nisto?

Não é de dentro de uma vagina de uma mulher que vimos todos nós?
Como podemos negar-nos a partilhar, a trazer isto a público?
O resgate da sabedoria feminina que temos, e da sabedoria masculina que temos também, passa por este que é o Portal de Entrada e Saída de um novo Ser, já pensaste nisso?

O parto natural (e a humanização/ respeito/ honrar do parto), não serve só como Canal de Cura para uma Nova Mulher, mas também como Canal de cura para um Novo Homem.

O homem sente o peso do rótulo do “protector”, da “responsabilidade”, do “sustento”, do “viril”, do “macho” “alfa”, do “orgulho”, da “força”…
A mulher o rótulo da “submissa”, a que “não impõe limites”, a que “não define o seu espaço”, a que “não pode dizer que não”, a que “só serve para procriar”, a “que se lamenta”, e “que se vitimiza”.

Coitados… – digo eu. Aquilo em que nos transformámos, tão longe da nossa essência, tão longe do nosso equiílibrio, tão longe da nossa matéria.

Depois de uma concepção consciente, o momento mais importante do ser humano são as suas “boas – vindas” a este mundo, há dúvida?

NÃO.
Está na hora de começarmos a dizer “NÃO”.
Mulheres e Homens, vamos dizer NÃO?
Vamos dizer “NÃO” a um sistema e a uma plataforma que nos quer distanciar da nossa “Verdade”.

As Mães d’Água, apesar de terem como foco o Parto na Água, são muito mais que isso.
As Mães d’ Água representam este (re)despertar do Sagrado Feminino, que já existia em todas nós.
Representam o renascer de uma Consciência da qual todas já fizemos parte, pelo menos em alguma das nossas vidas.
Representam um convite às nossas entranhas, enquanto seres humanos, enquanto TRIBO!

Por isto, e só por isto, nos chamo de Comunidade, porque era assim que vivíamos nos tempos Antigos.

Chamam-nos de “primitivos”?
Se assim for, tomo-o como um elogio. Pois era na nossa Era “mais primitiva” que vivíamos verdadeiramente juntos, em torno de toda esta sabedoria, e cooperávamos.

Era nessa “Era primitiva” que os partos eram “humanizados”. Onde se sabia esperar pela mulher e pelos seus tempos no trabalho de parto, inerente à sua natureza.
Onde existia confiança plena no corpo feminino.
Onde era dado crédito ao homem enquanto elemento chave da chegada de um novo ser ao mundo.
Onde o homem não tinha vergonha de chorar ao receber um novo Ser, que sem ele não existiria.

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Sabias que…?

Sabias que, sempre que uma mulher dá à luz, está não só a trazer ao mundo um novo Ser, como uma Nova Mulher?
Sabias que, as primeiras mulheres a serem queimadas vivas, não foram as curandeiras (chamadas de “bruxas”), mas sim as mulheres parteiras, porque “participavam demasiado” na vida privada e tinham um papel “demasiado activo” na transformação da sociedade”!!??

 

“O melhor presente que uma mulher pode dar a uma filha é a cura de toda a sua linhagem.”
~ Christiane Northrup

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Um parto humanizado…

Um parto humanizado, é um parto respeitado. Onde é honrado o corpo da mulher. Onde cada auxílio é apenas executado com a permissão da mulher.
A mulher é que faz o parto, e esta é uma memória que está gravada na nossa alma!, só temos de a resgatar.
Um parto humanizado é aquele onde se observa e se espera – na mulher, no corpo desta, num olhar, num gesto – qual o próximo passo a dar.
Um parto humanizado é respeitar a vontade do homem que acompanha esta mulher. É incentivá-lo a resgatar o seu papel, é convidá-lo a ser essencial, em vez de acessório (um factor que a nossa sociedade “castra”).
Um parto humanizado é aquele onde a mulher é livre – dança, esbraceja, descansa, muda de posição, pare na posição que lhe é confortável – escuta a sua intuição e aplica a sua sabedoria.
Um parto humanizado é aquele onde a mulher escolhe onde e como quer parir.
Um parto humanizado é aquele onde ela escolhe quem quer ter à sua volta, onde a sua sabedoria é superior a tudo o resto. Um parto humanizado é aquele que permite à mulher ser livre para curar todas as suas feridas, de todos os seus antepassados, é aquele que cura toda a sua linhagem, onde ela se torna sábia, onde se torna “alma mater.”
Um parto humanizado é aquele em que a mulher permite que a dor liberte todas as suas dores passadas e antepassadas.
Um parto humanizado é aquele que permite à mulher sair desta dimensão e voar.

 

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É na essência feminina que se gera a vida, logo, é nela que se dá a morte. E a morte nada mais é que transformação. A morte das crenças, das amarras, dos medos, que não nos permitem evoluir.

Um parto humanizado, é aquele em que sortudos são os que assistem, porque permitem-se a eles também pertencer a um ritual de cura.

Um parto humanizado é isto, e no dia em que nos libertarmos dos tabus, das crenças, das inseguranças, das “pedras nos sapatos”, que nos prendem a este sistema preconcebido, estaremos no caminho em que o parto humanizado será um dos veículos mais importantes para a mudança do paradigma em que vivemos.

A Consciência Individual transforma a Consciência Colectiva.

O parto humanizado tem de ser natural, tem de ser público quando tiver de ser, tem de ser honrado em nome do amor incondicional, e por isso o parto humanizado tem de ser opção no nosso sistema público hospitalar (é preciso falar sobre isto).

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Na verdade, um parto humanizado, hoje em dia, é uma GLÓRIA.
Um parto humanizado hoje em dia é um ACTO POLÍTICO.

Digam-me agora, onde, no meio disto tudo, não cabe uma vagina e um par de mamas?!

É por todas estas razões que PARTO NÃO É PORNOGRAFIA! Porque há nudez nas imagens de parto? Porque NÃO DÁ PARA PARIR VESTIDA!

 

“A maternidade não é o simples processo orgânico de dar á luz, é compreender, sim, as necessidades do mundo”.
~ Alexis Deveaux

 

Grata a todos os que nos leram.
~ Joana

(imagens inspiradoras de Roberta Martins)


Mulher, Amiga, Filha, Companheira, Cozinheira. Acredita que o Universo está dentro de cada um de nós, e que resgatando os rituais dos nossos ancestrais, seremos mais Unos com a nossa Grande Mãe Terra. A Joana , faz por isso um bocadinho todos os dias.