Placenta ~ um órgão que nos pertence Coluna Humaniza-te

A placenta é considerada pela medicina tradicional chinesa um poderoso remédio, sagrado mesmo!, repleto de força vital.

Existem publicações sobre a prática do uso da placenta para fins terapêuticos desde o primeiro livro sobre medicina chinesa, publicado em 1578 pelo médico Li Shi-Zhen.

Alguns países – os EUA, Canadá e alguns países da Europa – aceitam várias práticas relacionados com este órgão, e placentofagia (ingestão da placenta) é uma delas, mas fora do mainstream.

Ainda não se existem registos de estudo randomizado nesta área da ingestão da placenta, mas sabemos de várias culturas que o praticam, com o objectivo de conseguir um pós parto mais tranquilo, com maior facilidade de lactação e mais rápido regresso do útero ao seu tamanho normal.

Para o filho também é comum fazer-se a “homeopatia da placenta”, que consiste em fazer o processo de diluição de uma pequena parte da placenta e transformá-la em “tintura mãe”, para ser usada em diversas fases da vida da criança.

Para muitos povos, ainda ligados a suas práticas mais tradicionais, é comum ser feita uma “despedida” da placenta, devolvendo-a à terra, por exemplo, e plantando uma árvore sobre ela – que será nutrida com este poderoso órgão, que sustentou, e foi a ponte entre mãe e filho na criação da vida.

Não tenho uma paixão declarada por nenhuma prática em particular, e vejo tudo como válido. Mas de algo tenho certeza, é muito estranho tratar a placenta como lixo hospitalar… Não é?
Na maioria dos hospitais é assim que este órgão glorioso é tratado: lixo hospitalar.

Existem vários tipos de parto, e há intervenções que podem eventualmente alterar a capacidade terapêutica da placenta. Quando o processo de parto passa por alguma interferência – como por exemplo a injeção de occitocina sintética no cordão umbilical (após o clampeamento e corte) para mais rápido descolamento da placenta, ou o uso de anestésicos – essa pode marcar a placenta, o que pode retirar eficácia aos medicamentos naturais feitas com ela… mas a placenta, seja como for, é sua.
Já pensou nisso?

Poucas mulheres sabem que a placenta, seja o parto no hospital ou em casa, é um órgão nosso, e na verdade… pergunto, porque não somos informadas do destino que toma? Porque não nos perguntam o que queremos fazer com ela?

Mesmo que “não tenha uso nenhum” para mim, mesmo que não queira prestar-lhe nenhuma homenagem especial, a placenta é minha.
Não é raro pessoas que tiveram pedras nas visiculas, por exemplo, guardarem-nas num frasquinho lá em casa, prática até estimulada por alguns médicos no Brasil (e também em Portugal?). Porque não levar para casa a placenta?

A placenta é um orgão seu, e é seu direito, e dever!, fazer com ela o que achar mais apropriado.

Caso exista curiosidade sobre formas holisticas de ver a placenta aconselho o livro “Placenta: The Gift of Life”, de Cornelia Enning, onde a autora nos fala de diversas formas de utilização tradicional deste órgão.

Seja para usar na sua saúde, na do seu filho, ou como uma forma de gratidão e de honrar da dimensão mística deste órgão, eu, no mínimo, vos convido a pensarem sobre ela…

… a Placenta também faz parte do processo de nascimento.

Se quiserem compartilhar connosco, amava saber – o que fez você com a sua placenta?

As mães d’água adoram saber das vossas histórias e práticas neste tema amplo do parto!

Enviem para mim (para o e-mail info@maesdagua.org e/ou glauciapax@gmail.com)!

Adoraria saber as histórias de vocês, quem sabe escrevemos juntas novo texto sobre o tema?!

Uma ótima semana!
Carinho meu!
~ Gláucia Figueiredo

(imagem de Roberta Martins)


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.