[Relato de parto, que sonhava na Água mas… #2] Diana Dias Parto Com Água / Relatos

A data prevista de parto era 30 de Dezembro, dia de aniversário do meu irmão. Trabalhei até ao final do mês de Novembro e o plano era ter Dezembro para organizar tudo calmamente. No entanto, tive uma ruptura parcial na bolsa de água no dia 7 de Dezembro logo pela manhã. Lembro-me de ficar meia assustada e sem certezas – sem certeza até se o parto podia ser em casa, faltavam 2 dias para as 37 semanas.

Falei com o parteiro e também cheguei a ligar à enfermeira das aulas de preparação para o parto, que me tranquilizaram, era uma ruptura parcial, sem sinais de alerta, e estava tudo bem.
No entanto, o tempo de espera entre a ruptura e o inicio de trabalho de parto, não pode ser eterna… O protocolo varia de país para país mas se fosse para o hospital (já não me lembro quanto tempo esperariam, mas não seria muito) tinha muito medo de ir parar a uma cesariana.

Já não dormi bem nessa noite, sempre a correr para a casa de banho. O enfermeiro parteiro chegou no dia seguinte (8 de Dezembro) pela manhã.
Analisou-me: nada de dilatação nem sinais de início de trabalho de parto.
Caminhei a manhã toda.
Durante o dia, não sei precisar quando, usámos compridos na vagina (prostaglandinas) para uma ligeira indução do parto. Nada!
Às 22h da noite teve início o trabalho de parto propriamente dito.
As primeiras duas horas foram bastante suaves, eu ia alternando entre a bola, as massagens da minha mãe, as palavras de conforto do meu companheiro e da minha amiga… Ouvia música, falava, tudo ok..

Entretanto lembro-me de começarem a ser as sensações mais fortes, e eu queria entrar para a piscina, estive lá um bocado (ainda nem sequer estava cheia), mas lembro-me de ter aliviado bastante!
Quem me estava a acompanhar passava-me água quente nas costas com um copinho e era tão bom!

Revendo agora um vídeo (e sinceramente, não me lembrava mesmo das contrações terem sido assim!) eu vocalizava bastante, faziaaqueles sons “ahhhhhh, uhhhh”, quando vinha a contração, mas já nem me lembrava disso. É incrível como a dor de parto é uma dor tão passageira, e tão tolerável no fundo, apesar de na altura não parecer. Acho que por isso o sentimento é tão incrível, porque o que fica não é a dor, mas a recompensa de termos o nosso filho nos braços e de termos sido capazes.

Quatro da manhã, e (pelo que vejo agora ao analisar as fotos) já não fui mais para a piscina. Começou a fase em que estava completamente exausta, ora tinha frio ora tinha calor, ora tinha fome mas não queria comer nada, ora vomitava… Estava sempre a dizer que estava a sentir vontade de fazer força mas ainda estava com pouca dilatação!

Estava tão, mas tão cansada (a noite anterior não tinha dormido nada por causa da ruptura parcial da bolsa de água) e isso não ajudou.

Já nem queria entrar na piscina novamente, andava de rastos, nem me conseguia pôr de pé quase..

O período expulsivo foi tão difícil…! Não foi só por isso mas certamente foi um motivo importante, eu não tinha energia para experimentar posições, não me conseguia levantar sequer..!
Lembro-me do enfermeiro depois me explicar que a minha bacia é estreita e que o M. nasceu virado para um lado que não é o mais favorável e por isso foi tão difícil.
Foram para aí… quatro horas o período expulsivo? Já não me recordo.
Eles viam a cabeça e lembro-me que diziam “vá mais um bocadinho de força!” e eu “mas eu não tenho mais força! esta é toda a força que eu tenho!” e ele não saía…

Hoje dá para sorrir mas lembro-me dessa altura ter sido a mais difícil, mais difícil que as contrações anteriores, porque eu sentia que não tinha mesmo força, que não era capaz, que o bebé “não ia sair”.
Claro que saiu!
Às 10h da manhã, depois de 12 horas de trabalho de parto.

Nasceu no dia em que fez 37 semanas, com 2750kg e 49cm.

Foi um momento mágico recebê-lo nos meus braços, ouvir o seu choro, conhecê-lo, e termos a confirmação de que era um menino (apesar de não queremos saber o sexo durante a gravidez uma médica descaiu-se: “parece um menino”).
Chamei o meu pai e o meu irmão (que estavam no andar de baixo da casa) para virem ver o M.!
Estava super feliz!

Entretanto, em 40 minutos saiu a placenta, que enterrámos mais tarde no jardim.

Não levei pontos e fiquei mesmo contente porque (era das coisas que tinha mais medo!), só rasguei mesmo ligeiramente.

Às 13h estávamos todos a almoçar e eu cheia de energia novamente.
Lembro-me de ter sido incrível essa parte, como o corpo reage, a adrenalina. Fiquei com uma energia incrível, toda a gente de rastos e eu só falava!

E pronto, fica o relato do dia, até agora, mais importante da minha vida!!


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.