Procedimentos de rotina no bebé ~ o cordão umbilical Coluna Humaniza-te

A WHO (World Health Organization) já recomenda o clampeamento tardio do cordão (realizado pelo menos um a três minutos após o nascimento), o que provavelmente já está bem praticado em todos os hospitais de Portugal. Na verdade não é de um “cortar tardio” que se trata, mas antes um recusar do “corte precoce”.

Afinal qual é a pressa?
Aconselhamos a todas as mães a incluir este elemento no seu plano de parto e a informar-se sobre as suas vantagens, principalmente no fornecimento de ferro ao bebé (podes ver mais AQUI).

Sugerimos que o cordão só seja cortado quando este deixar de pulsar, ou seja, quando o fornecimento de sangue ao bebé tiver terminado, ou até… para quê cortar?

Existe uma outra forma de ver o momento de cortar o cordão (ou não) que tem cada vez mais adeptas pelo mundo. Ela ainda é uma prática que gera muitas discussões e compartilho com vocês como uma sugestão, uma questão que na minha opinião vale a pena conhecer e pesquisar mais – principalmente por só ter encontrado questões positivas a respeito, e conhecer histórias bem sucedidas – falo do “Parto Lótus”, já ouviu falar?

No Parto Lotus, o bebé nasce, a placenta nasce e o cordão não é cortado. A placenta permanece ligada ao bebé através do cordão, até que se solte naturalmente; ou o “meio parto Lótus”, onde se espera pelo menos quatro horas antes do corte do cordão. Inclusive encontrei relatos de cesariana lótus! (como este AQUI)

Tem o aval de sumidades da humanização do nascimento como Dra. Christiane Northrup, Dra.Sarah Buckley, Janet Balaskas e Dr. Michel Odent – que diz que o parto lótus pode ser um ponto de referência, e que precisamos reaprender o que um parto pode ser quando não é perturbada pelo ambiente cultural.

Culturalmente existem referências de parto lótus em culturas que possuem uma visão mais holística do ser humano, como na Índia, no Egito, nos Nativos norte americanos e em várias culturas do oriente.

Parece estranho e complicado, mas existe uma lógica bem interessante por detrás disso.

Dra. Sarah Bucley diz no seu artigo:

Não há razões médicas sustentáveis ​​para cortar o cordão umbilical separando a unidade biológica que concebeu, cresceu e nasceu junta. O Parto de Lotus garante que o bebé recebe o quociente completo de oxigénio no sangue, altamente nutritivo, que está no cordão. A criança obtém 40 a 60 ml de sangue ‘extra’, a partir da placenta, se não estiver ligado ao cordão até as pulsações cessarem. A perda de 30 mL de sangue para o recém-nascido é equivalente à perda de 600 ml para um adulto. A prática comum de corte imediato do cordão antes das pulsações cessarem, possivelmente, priva o recém-nascido de 60 ml de sangue, o equivalente a um 1200ml em um adulto. Esta é uma explicação provável do estranho fenómeno de perda de peso que a maioria dos recém-nascidos parecem suportar. O novo organismo é colocado imediatamente sob stress para reproduzir o sangue que lhe foi negado.” (fonte)

Não existem artigos científicos ou estudos que comprovem os benefícios especificamente do parto lótus, porém alguns estudos demonstram os benefícios de manter a placenta ligada ao bebé através do cordão, como são:

– transfusão total do sangue que está na placenta para o bebé, diminuindo os riscos de anemia na primeira infância;
– fornecimento de toda a vitamina K presente na placenta (o que, em teoria, diminui a necessidade da administração da vitamina K no bebé após o nascimento – a vitamina K é importante para evitar hemorragia no recém-nascido);
– o bebé recebe muito mais células estaminais (presentes na placenta e no cordão umbilical);
– o bebé recebe mais células de defesa presente na placenta, aumentando sua imunidade;
– promove o vínculo entre mãe e bebé;
– encoraja a mãe a ficar mais quieta/ repousar mais e próxima do bebé durante os primeiros dias;
– menor risco de eventual infecção relacionada com a cicatrizacao do corte/ umbigo.

Também é dito que por ser uma forma extremamente pacífica de viver os momentos imediatamente a seguir ao parto também influencia o temperamento/ estado emocional dos bebés. Assim diz Helma Bak, médica nascida na Holanda, que pratica a medicina antroposófica e homeopatia na Austrália:

Esses bebês que nascem de um Parto de Lotus são diferentes, são mais “inteiros”, mais parecidos com os bebés como costumavam ser. Os bebés de hoje são frequentemente muito preocupados, eles mostram sinais de stress. Isto é preocupante… Que o stress esteja aumentando, mesmo em bebés. O exemplo mais marcante de bem-estar que já vi em um bebé nascido de um parto lótus era um bebê cujo pai havia morrido durante a gravidez. Quando isso acontece pode-se esperar que a criança manifeste sintomas de stress relacionado ao estado emocional das mães. Porém, esta criança nascida de um parto lotus estava completamente livre do trauma residual que estes casos costumam deixar. Era muito calmo e centrado. Observando os bebés que atendo, o Parto de Lotus é notoriamente mais benéfico.

Esta é somente um pouco da informação disponível acerca deste tipo de parto, e caso se interesse existe toda uma preparação que pode ser feita, e profissionais experientes neste tipo de parto, que possam levar em consideração o acondicionamento e cuidados específicos com a placenta (assim como outras questões que possam ter de ser consideradas individualmente).

Para saber maiores informações sobre este tipo de parto visita LOTUSBIRTH.NET

Uma ótima semana!

~ Carinho meu,
Glaucia

(Imagem de Angela Gallo)


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.