As Mil&Uma razões para… não criticar uma mãe Coluna Humaniza-te

Acho que é algo natural, sim…
Algo que Freud, Jung e toda a psiquiatria tentou explicar…
Mas gostava de pensar com você…
Porquê?
Porque será que criticamos nós as nossas mães? (Em algum momento da nossa vida acontece, não é?)

Todos os “manuais de maternidade” nos descrevem como “semiDeusas” que são capazes de abrir mão de tudo o que têm dentro de si para o bem da sua prole.
Mas eu estou aqui para ajudar a ver… olha, isso é ilusão!
O “bem de nossa prole” não tem a ver com abdicar de sonhos, vontades, posicionamento político. Nada.
Agora EU vejo isso… mas antes de ser mãe… não. E criticava.

Se você, como eu, tinha “um génio” forte na adolescência, você também olhou um dia para a sua mãe com frustração por ela ver o mundo diferente ou ter uma opinião diferente da sua. Ou até por a ver feliz por algo que para você não fazia sentido, ou até que não a servia a si…
Porque no fundo ela devia ser um Ser feito para te servir e te fazer feliz, não é?
O ego é cruel.
A gente julga.

Mas (por incrível que pareça), mães são pessoas. E Pessoas têm sonhos, vontades, opiniões… e as pessoas mudam de ideias… as pessoas assumem posturas diversas em relação à vida… as mães também!

Semana passada minha mãe brincou a dizer que “Agora você vai dar valor para mim enquanto mãe”, e sim, isso é a mais pura verdade.

Só depois de ser mãe, depois de passar por milhões de problemas com meus relacionamentos… só depois de tudo isso eu consigo ver a minha mãe como uma PESSOA. Uma pessoa que tem sonhos, vontades, pensamentos dela (só dela mesmo, que não me incluem) e que merece ser valorizada. Sim, merece que eu reconheça o valor de cada, mas mesmo de cada segundo que ela deu da vida dela para mim, para que eu pudesse crescer.

~ Mãe me perdoe, mesmo, sinto muito, eu te amo, gratidão! ~

Agora… existe um fenómeno – talvez “natural”, não sei… – entre as mulheres que se tornam mães, o suposto “direito adquirido” de criticar outras mães!

Vamos falar de mães que têm bebés pequenos.
Até antes, logo que uma mulher engravida, mesmo antes do parto, descobre que todo o mundo acha que sabe o que é melhor para o seu filho.
Você passou por isso? Eu sei que passou. Eu passei!
Como se sentiu?

Eu quero fazer um pedido simples, um chamado (de coração, mesmo):
Por favor, não vamos multiplicar esta atitude para com as outras mulheres/ mães, e todo o incómodo que causa.

Existem mil formas de ajudar, e quando vemos uma situação complicada é natural querermos ajudar. Mas existem mil maneiras de falar, e, se decidir mesmo falar com essa mãe que sente que pode ajudar, tenha algumas coisas em mente:

~ Primeiro
A mãe em questão pediu a sua opinião? – Nunca perca a oportunidade de exercer o seu direito (até um dever por vezes) ao silêncio, nem sempre as pessoas querem saber o que você pensa.

~ Empatia
Você está se colocando no lugar dela? Falando como gostaria que falassem com você?

~ Utilidade
Isso que tem para dizer é realmente útil? – Isso é o que você realmente acredita e vivenciou, ou está somente repetindo algo que ouviu e que não aprofundou sequer?

~ Cada família é uma família
Tenha em mente que a realidade das outras pessoas pode ser diferente da sua. O que é bom para você não o é necessariamente para outra pessoa (Isso parece clichê, mas é verdadeiro).

Ser mãe te traz milhões de desafios constantes, você está lutando com milhões de questões internas e ainda por cima com as cobranças que vêm de todos os lados.

Uma mãe precisa de apoio, e normalmente o melhor que você pode fazer por ela é lavar a louça! Ou somente ouvi-la, perguntar de que precisa, brincar com o filho dela para ela ter dez minutos sozinha, para tomar um banho ou somente respirar…
Isto sim, ajuda! E como ajuda!

Então, por mais que te doa ver uma mãe dar “papas Nestlé” para o filho dela aos quatro meses de idade, se ela não quiser saber de BLW (Baby Led Weaning) você só vai ser mais uma pessoa chata que lhe traz um momento de stress.

A chamada dessa semana é para todos:
Respeitem as mães, respeitem as mulheres.
Respeitem, acima de tudo, as pessoas.

Seja você um exemplo, ofereça espaço para as outras mães.
Seja esse espaço seguro e sem julgamento que tantas de nós queremos, precisamos, e não encontramos facilmente.
Ofereça compaixão pelo caminho de cada uma e liberdade para ser quem é, para seguir aquilo em que acredita… e aí… aí veja como vão até vir te procurar, se houver sintonia. Se não houver… não perca seu tempo atraindo o que você não quer.

Se você estiver chateada comigo e houver ressentimento (até raiva) criado por este texto, eu sinto muito, mas não é uma crítica. Veja, eu já critiquei demais, e já sei que não ajuda. Critiquei a minha própria mãe, outras mães… e parei. Não quero fazer mais isso, e sabe, sou bem mais feliz assim, sem críticas. Quero que você possa ser feliz também.

Não dei mil&um motivos aqui, não sou eu a detentora da solução, e não pretendo escrever mais uma “Manual da Boa Mãe”, cada uma de nós tem o seu percurso, não julgo, eu vim aqui apenas para partilhar. Para mim este é o caminho para cada uma de nós, no seu tempo, no seu espaço de auto-questionamento encontrar seus motivos.

Uma ótima semana,
Carinho meu
~ Gláucia Figueiredo

P.S.: Nesta foto sou eu mesmo, minha cara de cansaço verdadeira!


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.

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