Entrevista com Moisés Oliveira Entrevista

Hoje vamos conversar com um elemento vital do nosso movimento, uma colaboração essencial, generosa e inspiradora sem a qual este site não seria possível…

Homem, Pai, Criativo, Voluntário, Activista, por onde queres começar?

(risos)
Eu ainda estou a aprender muitas coisas na minha jornada…  Ser Homem é uma aprendizagem que nunca acaba porque tem mais a ver com atitude do que com o género… e com isso vem o restante… o pai, o marido, o profissional, e por aí adiante…

 

Homem no Brasil , Homem em Moçambique, quais as diferenças?

Engraçada essa pergunta, e muito interessante. Faz-me pensar imenso… (risos)!
Quando eu saí do Brasil, era muito novo, com muitos sonhos e desejos. Todo o meu impulso e energia estavam direcionados para o lado profissional. Completamente! Tinha acabado de sair da universidade e me tornado publicitário, com muita vontade de trabalhar. Moçambique veio na minha vida para me tirar de um certo ambiente profissional que a minha cidade natal, a grande São Paulo, tem. Muita gente criativa lutando por um espaço. Se destacar por lá leva anos. Ao mesmo tempo que esse motivo de encontrar o meu lugar profissionalmente me levou para fora, também havia um certo desejo aqui dentro de explorar outros lugares, outras culturas…. Mas para ser honesto, eu nem sabia que Moçambique existia! (risos) Só soube da sua existência três meses antes de ir para lá. Ora, fui supostamente para ficar por um curto período numa agência de publicidade e fiquei por cinco anos! Isto foi em 2009 e eu tinha 23 anos. E adorei! Foi uma grande experiência e sinto muitas saudades de Maputo. Fez-me transbordar e encheu-me de uma forma incrível… as pessoas que conheci, a magia da cultura africana… Foi lá que descobri a paixão pela fotografia e me tornei fotógrafo. Foi lá também que consegui sanar uma necessidade de me realizar profissionalmente na publicidade. Senti-me liberto daquele desejo juvenil de “Eu quero ter sucesso nessa profissão”, porque só depois de eu me sentir realmente realizado é que pude me permitir a explorar outros caminhos, outras qualidades.

Aos 28 anos saí de lá, e foi um período que considero de muita transformação a nível espiritual. Enquanto que aos 23 eu cheguei a África com essa gana de trabalhar em publicidade, aos 28 eu saí de lá com um pensamento completamente oposto! (risos). Eu queria rever os meus sonhos, os meus projetos. Ter um trabalho com mais significado.
Conheci gente de todo o mundo e deixei-me ser influenciado pela energia dessas boas pessoas, e que me ajudaram a fluir no meu próprio caminho.

Quando saí do Brasil, estava em busca de um caminho que não era necessariamente o meu. Estava encantado com o mundo da publicidade (que hoje é preciso repensar, pois tem contribuído para essa sociedade consumista). Moçambique foi o lugar onde eu revi meus conceitos e me reconectei comigo próprio. De lá para cá essa jornada de transformação tem sido cada vez melhor!


E essa transformação foi trazida para cá, e depois ?

Ali foi como “colocar a água no fogo para aquecer, até ver as primeiras borbulhas” e nesse processo eu vim para cá. Aqui, em Portugal, é que eu sinto que “a água ferveu”! É aqui que eu estou a aplicar melhor aquilo que vim aprendendo no meu desenvolvimento pessoal e espiritual. Enquanto que em Moçambique eu vislumbrei um novo rumo de vida, aqui estou a “pôr a mão na massa”, a responder ao chamado. Vai fazer já três anos que estou por cá.

 

Uma vida fácil, não te ensina praticamente nada. 


Em Moçambique decidiste seguir a tua intuição e resolveste mudar a tua vida, mudar de paradigma. Que crês ser necessário para fazer essa transição, hoje, a que muitos sentem, essa “vontade de mudança urgente”?


Em primeiro lugar: coragem! (Mas isso para tudo na vida, não é?!) Sobretudo enfrentar os  medos…  só assim conseguimos realmente mudar os paradigmas. Da minha experiência pessoal, o mais duro foi isso mesmo: enfrentar os meus medos. Como por exemplo a opinião social sobre a minha decisão,  tipo “você tem certeza de que vai largar este ótimo emprego?”.

Mas eu perguntava-me: O que é realmente um ótimo emprego? O que é um bom salário? O que é ter boa qualidade de vida? O que esse trabalho exige de mim? O que dou eu em troca dele? E para mim, o que eu estava dando em troca era a minha própria vida, meus valores, meus intentos…

Por essa “estabilidade” e uma boa posição social, dei-me conta que eu estava a trocar a minha própria missão – porque eu sentia que não era aquela! E isso é uma coisa que não dá para explicar, só sentindo, só seguindo a intuição.

Agora, os desafios – de abrir mão dessa estabilidade sócio-económica – também chegam, e ainda bem que chegam! Porque são maravilhosos! Passar por dificuldades é maravilhoso! É apanhar chuva! Dá sentido à vida! Sem passar por isto – pelas dificuldades – não amadurecemos, não adquirimos as ferramentas de que vamos precisar logo adiante.

Uma vida fácil, não te ensina praticamente nada.

Tem muita gente a quebrar esse paradigma porque esse modelo social em que vivemos hoje – e a forma como vemos o trabalho, influenciada pela Revolução Industrial, que ditou o sistema de educação e tudo o que vem a partir daí – esse modelo não dá mais. Já estamos noutra, isso já não cabe, já não dá para engolir essa rotina do trabalho de 8h por dia, para fazer um monte de coisas que não têm sentido para no fim do mês ter um salário garantido. E daí ? E o que mais a gente ganha?
Nas gerações anteriores trabalhava-se, 10, 20, 30 anos na mesma empresa. Tudo pela estabilidade.
Mas isso HOJE já não funciona.
A minha geração não quer isto!

Estamos num mundo diferente e a economia terá de caminhar para outros modelos onde haja mais equilíbrio, menos desigualdade, menos exploração.
Como participamos nós disso?
Como ajudamos a criar novas economias?
Abrindo a nossa mente, expandindo a consciência e rompendo culturas impeditivas.

Não digo que todos tenham que deixar os seus empregos do dia para a noite, como eu fiz! Mas é preciso repensar o significado que tem para a humanidade, e para si próprio, aquilo que está a fazer. Tem gente que larga tudo e sente-se perdido (normal) e depois entra em pânico porque não tem dinheiro para pagar as contas!

Mas essa transformação tem de ser a todos os níveis: Mudar os hábitos de consumo, repensar a forma como interage com a sociedade, o que come, o que produz… Cultivar um pensamento empreendedor. Que as pessoas sejam capazes de desenvolver os seus próprios projetos, que se abram para a colaboração, para a co-criação, tudo isso irá facilitar esse processo de transição.


Continuas a ter alguma ponte com o Brasil nesse sentido da parte da colaboração e tecnologia?

Neste momento eu tenho pouco envolvimento com o Brasil ou Moçambique. Estou muito focado nos projetos aqui em Portugal. Mas eu bebo muito de algumas fontes brasileiras sim. No Brasil está a acontecer um movimento incrível de cultura colaborativa e economia criativa, liderado por jovens incríveis – como a Rafaela Cappai, Gustavo Tanaka, Daniel Larusso, Lella Sá… Só para citar alguns dentre tantos outros “quebradores de paradigmas”! – jovens que estão a dar início a uma mudança que vamos ver melhor daqui há alguns anos. Eu tento trazer para cá o que tenho aprendido e que tem feito sentido para mim. Isto porque, cá em Portugal, ainda existe muito medo. Medo de mudar, de fazer diferente, de nadar contra a maré.

troquei a agência de publicidade por um jardim de infância


Tu falas de um empreendedorismo como “seguirmos a missão que vai dentro de nós”, porque no fundo isso vai ter um reflexo na sociedade. E, curiosamente, o empreendedorismo sempre foi sinónimo de “canal e reconhecimento financeiro com vista num determinado status”.
Neste sentido gostava que comentasses uma frase que me disseste que gostei muito, “troquei a agência de publicidade por um jardim de infância”.


Alguns dizem “Empreender-se”!
É tornar-se responsável por fazer acontecer aquilo que faz sentido!

Sobre essa “troca de ambiente de trabalho” (risos), foi algo sensacional!
Em Moçambique fui director criativo e experienciei coisas incríveis, mas eu sentia que alguma parte de mim estava vazia e não sabia muito bem que parte era essa!
De repente, a vida foi-me colocando em determinados caminhos e quando eu olho “estou a trabalhar num jardim de infância” (risos). E foi das melhores oportunidades que já tive até hoje!
Neste momento colaboro numa escola Waldorf. E nesta escola sinto-me esperançoso, porque posso contemplar novos rumos para educação. E também me faz voltar à escola, porque eu estou aprendendo coisas que não aprendi lá atrás, estou sempre relembrando a minha infância e trabalhando isto aqui dentro. Nestes dois anos que estou nesta escola aprendi mais sobre mim próprio do que nos últimos 10 anos…


Queres partilhar a forma como “entraste para esta escola” (Harpa Portugal)?

Há uma característica que cultivei e gosto muito, que é ser Criador. Todos nós somos seres criativos, porque a criatividade está dentro de nós desde sempre, mas se não estivermos dispostos, ela não se manifestará… por isso mesmo muito poucos são criadores.

Considero-me um criador de oportunidades.

Eu venho de uma família muito pobre, da periferia de São Paulo, e quando chegou a S uposta “idade de entrar para a Universidade”, eu nem sabia o que realmente era uma Universidade. Era uma realidade muito distante, ninguém em minha família tinha formação académica e eu pensei que alguém da família tinha de ir. Então fui atrás de conseguir uma bolsa de estudos. Consegui uma bolsa de 50% para o curso de Comunicação Social. O restante eu pagava com a totalidade do meu salário de fatiador de fiambres e queijos num supermercado. Faltava ainda a passagem para os transportes, e aí a minha mãe ajudou-me muito para dar conta do recado. Como eu sou o filho mais velho de pais separados e tenho dois irmãos desta relação entre os meus pais, tive que começar a trabalhar muito cedo. Aos 13/14 anos consegui meu primeiro emprego e, então, aos 18 quando quis ir para a universidade. Tive de “correr atrás” dessa oportunidade porque nunca tive nada “de mão beijada”. O lema lá em casa era: “se quer, faça por onde“!

Na escola em que colaboro hoje, com muito prazer, foi a mesma coisa. Eu transformei uma necessidade numa oportunidade de participar de um projeto lindo.
A minha filha do coração, minha enteada Luana, estava nesta escola e a determinada altura não tínhamos como sustentar esta escolha. Quando me vi sem possibilidades, transitando profissionalmente, sem muitas perspectivas financeiras, pensei que tinha de fazer qualquer coisa. E simplesmente vim até à escola e me coloquei à disposição. E assim a oportunidade surgiu!

Muitas vezes criar a oportunidade não é difícil, basta apenas colocarmo-nos disponíveis! (risos). Espiritualmente disponível, principalmente!

Assim que me coloquei disponível e expressei o meu desejo de fazer parte desta escola como colaborador, em troca de ter aqui a minha filha a estudar, imediatamente essa oportunidade apareceu! (risos) É sobretudo não ter medo, nem ter vergonha de pedir.

Na minha família a humildade foi o ponto principal da nossa educação, e não tenho problemas nenhuns em dizer que não tenho condições, e que tenho algo em troca para oferecer, mesmo que não seja dinheiro. E desde aí que tenho aprendido a viver com outras moedas, como a troca directa. Porque muitas vezes o outro precisa de coisas que sabemos fazer, e podemos trocar.

Aqui eu ofereci o que eu tinha de melhor, as minhas ferramentas, o meu conhecimento, em troca dos estudos da minha filha. O que é curioso, porque é justo – mas no fundo eu aprendo tanto, mas tanto, que por vezes parece-me que saio a ganhar! (risos)

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E quando apareceu o homem Pai?

Olha, ser Pai foi a coisa mais incrível que me aconteceu até hoje, enquanto Homem. Mexeu comigo de uma forma gigante a ponto de me transformar muito intensamente.

Isto porque eu achava que a maneira como eu pensava antes, como homem, era a maneira que eu iria pensar o resto da minha vida… Quando cheguei em Portugal, a Maria logo ficou grávida e o meu filho nasceu dois dias depois do meu aniversário, como um presente (risos) A sua chegada influenciou, e certamente continuará influenciando, a minha forma de encarar a vida. Ele é tomado em consideração em todas as minhas decisões. E ele está muito bem, tem uma energia fabulosa, é muito carinhoso, a nossa relação é tão boa que me enche de alegria todos os dias. E o processo de ser pai… As chamadas “obrigações”, o termos mais com que nos “preocupar” quando temos um filho… Ou seja, esta realização ajuda-me muito a amadurecer. A olhar para a responsabilidade de outra forma, a olhar para as minhas acções, a me entregar mais, me organizar mais.

Aliás, a organização é algo extremamente importante em tudo. Estabelecer objetivos, saber o que queremos, estabelecer objetivos e prazos, não procrastinar…
A paternidade deu-me um senso de urgência maior: “O meu filho não pode esperar… então faz!”

E claro, fez-me melhorar a minha relação comigo próprio, o que é maravilhoso! Olhar-me, comunicar melhor comigo, estar mais aberto à minha intuição, olhar para a minha biografia e história, trabalhar o perdão próprio, os pais e aquelas coisas que podem não ter sido as “melhores coisas”… Melhor para concretizar, para recomeçar sadio, limpo, são, com problemas resolvidos.
A paternidade trouxe-me essa urgência em resolver essas questões.

 

E tu és um Pai de Água. E como apareceram as Mães d’ Água na tua vida?

Já em Moçambique eu tinha me cruzado com a Joana Fartaria. Quando a Maria e eu viemos para Portugal e decidimos que queríamos ter o nosso filho em casa, na água, e começámos  a pesquisar, encontramos pouquíssimas coisas… Encontramos a página das Mães d’ Água no Facebook (que na altura era Parto Na Água em Portugal) e entrámos em contacto com a Joana, que nos ajudou a encontrar a nossa parteira, a Celeste Varela, que nos encorajou a ter um parto domiciliar. Em conversa com a Joana sugeri que as Mães d’ Água podiam ir além da página no Facebook, ela respondeu que no momento não havia ninguém para fazer um site, e eu decidi oferecer-me. Pouco a pouco fomos trabalhando e, em algum momento saiu.

O meu envolvimento com as Mães d’ Água foi com o nascimento do meu filho, e nesse sentido eu quis contribuir com algo para o movimento.
Sou Pai D’Água, o que é praticamente a mesma coisa! A minha ideia era ajudar as Mães D’ Água a se tornarem mais autónomas na publicação das suas ideias e artigos. Eu confesso que sinto um chamado enorme para este movimento, que sei um dia vai chegar de uma forma maior.

O teu papel na Mães d’ Água é de longe pequeno, tu fazes um trabalho “quase de bastidores”, mas muito importante!

Eu na verdade sinto-me como aqui na escola (risos) uma oportunidade em que eu mais ganho que dou, porque uma vez que participei e ajudei no site, também contactei com pessoas incríveis, tive experiências que me ensinaram muito. Por isso digo que a minha missão ainda não está “ cumprida” com as Mães d’ Água!

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O que simboliza para ti o parto na água e o parto humanizado, no sentido de ser um dos momentos mais importantes e que influenciará o resto da nossa vida?

A água por si só é algo extremamente magnífico. É a vida, é a essência da vida.
A água traz conforto, traz leveza.

Ter o nosso filho na água, para mim teve um significado muito grande… É difícil de explicar em palavras. Eu entrei junto com a Maria para recebê-lo e os dois ali, na piscina com a água, era como se fosse um ninho… não sei se sentiria o mesmo de outra forma… a água aninhou o nosso processo.
A Maria e eu estávamos conectados pela água, que cobria os nossos corpos, e naquele ambiente veio o nosso filho. Para mim isso faz muito sentido.

Ele fez uma passagem para o nosso mundo de uma maneira confortável.
A água proporciona essa conexão entre a mãe, o pai e o bebé, ali é o nosso ninho, o nosso portal.

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Qual foi a reacção social (família, amigos) relativamente à tua escolha de parto?

(risos) Eu já estou acostumado a tomar aquelas decisões que a minha mãe quase nunca concorda, mas que sempre acaba por apoiar! Nunca deixando de dizer “filho não faz isso” – Eu, por exemplo, abandonei duas faculdades, e ela quase a ter surtos de tanta preocupação! (risos) Mas acabava por confiar quando eu mostrava que fazia sentido para mim.

Com o parto foi igual, foi muito bom! E no fundo é isso, é saber se temos a certeza ou não. Quando temos a certeza daquilo que queremos fazer, a Natureza coopera, o Universo coopera, de alguma forma. E a minha família aceitou a minha intuição.

Por um lado é entediante encarar os preconceitos que a sociedade dita, e aí a minha dica, é: que cada um partilhe os seus intentos apenas com os verdadeiros amigos, que podem não concordar totalmente, mas vão aceitar e dar apoio, porque com pessoas que só nos querem fazer desistir, não vale a pena.

 

Qual achas ser o elemento chave que falta em Portugal para que mais mulheres/ casais queiram (reconheçam as vantagens e as escolham para si) ter um parto na água?

Na verdade, não falta nada. Só é preciso uma pessoa querer, e que faça sentido para ela.

No parto do meu filho, o primeiro passo foi que interiormente a Maria e eu quiséssemos que ele viesse a este mundo de outra forma que não a hospitalar.
O primeiro passo foi querer.
O segundo foi encontrar as pessoas certas para nos apoiar.

O maior passo, se calhar, é encarar os medos. Ouvir o chamado do coração, a intuição. Confiar que uma mulher está preparada para ter um filho até sozinha.

Parto não tem segredo nenhum… O homem e a mulher têm a capacidade de saber parir juntos. Claro que por vezes é necessário ter um apoio, e aí tudo bem, encontrem uma doula para ajudar a passar por esse processo, para se encorajar.

A doula é um trabalho muito necessário, ela ajuda a quebrar os paradigmas relacionados com o parto, fazendo-nos passar por esse período de uma forma mais consciente, mais tranquila e com orientações essenciais.
Depois encontrar uma parteira, que está ali para nos dar mais apoio, segurança e, caso algo aconteça fora daquilo que queremos, para agir.

A Celeste, no dia que o meu filho nasceu, eu lhe dei um abraço e disse “obrigado por tudo!”, e ela la respondeu “mas eu não fiz nada!” (risos).

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A nossa sociedade basicamente retirou o homem do parto. E tal como a mulher sabe parir naturalmente, também o homem sabe intervir naturalmente neste processo.
Que mensagem queres passar para os homens, no sentido de transformação deste papel para Pai, no sentido de uma paternidade consciente e resgate da sua sabedoria?

Eu também estou a aprender nesse processo de ser pai, e só posso falar com base na minha experiência.

O papel do pai tem de mudar, não pode ser o mesmo de antigamente.
O homem tem que ajudar nesse processo de mudança.

Nós fomos educados por pais extremamente machistas, pelo menos a maioria. A dificuldade que temos de acompanhar o que está a acontecer no ativismo social da mulher, tem que começar a diminuir. Temos que ajudar isso a acontecer, romper essa cultura machista mais rapidamente.
Os nossos pais eram inconscientemente machistas, e os pais deles, os avós… Isso vem de longe. O nosso papel como homens, e a importância da paternidade, nesse sentido, é pensar em como vamos educar os nossos filhos, principalmente os rapazes.

Porque as mulheres estão muito mais preparadas do que nós… as mulheres são seres incríveis que evoluem mais rápido e entendem e compreendem as coisas muito mais depressa.
O homem leva mais tempo.

A maneira como o homem vai participar da parentalidade é muito importante, também da filha mulher.
Na nossa sociedade a mulher sofre com essa desigualdade absurda e nós, como pais, temos que trabalhar na educação das nossas crianças, para que eles não venham a sofrer (e nem praticar) o que acontece hoje.
A educação das minhas crianças é a minha prioridade, neste momento.
Aliás, a educação deles é a minha também pois tudo aquilo que eu não aprendi, eu tenho a oportunidade de aprender agora. Nunca é tarde.

Mas é muito mais fácil de aprender quando somos crianças. Agora, como vamos mudar? Para isso é preciso conversar mais, falar uns com os outros. Os homens conversam muito pouco sobre coisas essenciais. As mulheres movem-se, são ativas na comunidade, enquanto que os homens… acho que nós deveríamos comunicar mais, estar mais presentes, tal como as mulheres estão a fazer impecavelmente. Daí a necessidade de termos de criar novas culturas.

 

Estamos muito, muito gratas por esta entrevista UAU que toca temas essenciais!
Queremos juntos trazer de volta o pai para o parto e resgatar o seu papel activo na parentalidade
Queremos mais vozes assim!

Gratidão!


Mulher, Amiga, Filha, Companheira, Cozinheira. Acredita que o Universo está dentro de cada um de nós, e que resgatando os rituais dos nossos ancestrais, seremos mais Unos com a nossa Grande Mãe Terra. A Joana , faz por isso um bocadinho todos os dias.