Procedimentos de rotina no bebé ~ Amamentação Coluna Humaniza-te

Ah, a amamentação! Falamos tanto sobre ela e ainda acredito haver muito mais sobre o que falar.
Hoje vamos abordar o tema do aleitamento logo após o parto e das suas vantagens, para a mãe e para o bebé.

Já falámos sobre a importância do contacto pele com pele na passada semana (Coluna Humaniza-te 12/ 11) e nas suas vantagens – de manter o bebé aquecido, estabilizar a frequência cardíaca e respiratória, entre outras – agora pensemos no próximo passo: nutrir e proteger o bebé.

Logo ao nascer, independentemente do tipo de parto, o bebé é exposto a vírus e bactérias e, naturalmente, o corpo da mãe é o local mais adequado para ele.
Para além do calor humano e conforto do que é conhecido (afinal ele passou nove meses destro desse corpo) após o parto, entra em acção mais um maravilhoso/ natural/ gratuito/ e cheio de vantagens “imunizador”: o leite materno!

Isso mesmo, o leite materno funciona como uma vacina natural!
O primeiro sinal de leite é chamado de “colostro” e possui anticorpos, proteínas e células imunologicamente ativas. Além de colaborar na prevenção da icterícia, estimula os movimentos do intestino facilitando a saída do mecônio do corpo do bebé, e colonizando o seu intestino com bactérias boas (pro- bióticos) essenciais para o processo digestivo.

No parto hospitalar (ou até no domiciliar) existem por vezes procedimentos rotineiros que podem impedir esta amamentação imediata?

Existem sim! Rotina de primeiro banho logo após o parto, afastamento entre mãe e bebé no período de recobro com uso de berçários, casos de bebés prematuros, procedimentos relacionados com epidural, anestesias ou cesariana … entre outros, podem forçadamente adiar esta “primeira pega”. Aconselhamos por isso todas as mães a fazer a sua investigação e incluir a sua opção com base na escolha informada no seu Plano de Parto.

Sabias que o bebé nasce já com o seu instinto de sucção completamente desenvolvido? Sim, ao ponto de ser capaz de, se for deitado no peito da mãe, ir por si próprio até ao mamilo (!), numa espécie de ensaio de “gatinhar”, o chamado Breast Crawl.

Elementos a considerar…

~ A “hormona do Amor” ~

A oxitocina (hormona do Amor) é produzida pelo nosso corpo em vários momentos da nossa vida: quando estamos apaixonados, no prazer da relação amorosa, durante o trabalho de parto e… durante a amamentação!
Surpreendida? Não há dúvida, a maternidade é mesmo um trabalho de Amor!

A presença desta hormona é vital, contribuindo para o nascimento da placenta e ajudando na redução de sangramento pós-parto.
De forma totalmente sincrónica, e perfeita, a oxitocina acalma, induz relaxamento e traz prazer a estes momentos, facilitando o vínculo afetivo entre mãe e bebé.

Em condições ideais a amamentação deve acontecer na primeira hora de vida do bebé, o que também auxilia na apojadura (ou “descida do leite”) e na continuidade da amamentação.

~ Bicos e leites artificiais ~

Vivemos numa cultura que tem problemas em lidar com o “barulho dos bebés” (falarei mais sobre isso noutro texto), e fomos inventando várias formas de “calar” as pobres criaturas… as chupetas são apenas uma delas…

Introduzir chupetas, biberão, ou outros tipos de bicos na boca de um recém-nascido prejudica a “pega” correta do seio – a pega correcta é essencial para uma experiência de amamentação eficaz para o bebé e sem dor para a mãe – além de ser totalmente desnecessário.
O bebé quando chora clama por conforto, não paleativos.

A introdução de leites artificiais ou “suplementos” é também completamente desaconselhada. Os leites artificiais foram feitos para salvar vidas e para usar apenas em caso de extrema necessidade.
A amamentação tem vantagens insubstituíveis! E a administração do leite materno, ainda que seja por extracção, oferece um início de nutrição único, perfeito para o bebé, e incomparável! No caso de não ser possível amamentar o bebé no pós-parto imediato o que aconselham a OMS e a UNICEF é a extracção do leite, de preferência feita manualmente, e o uso do copinho para alimentar o bebé (pode ver mais sobre AQUI).

A grande maioria das mães e bebés reúnem as condições necessárias para uma aventura de amamentação de sucesso. Mas os desafios na amamentação existem! Esses desafios fazem parte do processo de adaptação à nova vida como mãe, e são ajustes necessários deste par mãe/ bebé. “Não conseguir” amamentar não é um sinal de fracasso, e na maior parte das vezes é uma situação de transição.

Na sua esmagadora maioria estes desafios são ultrapassados com o apoio e aconselhamento adequado, que pode vir de outras mães e/ ou familiares, de grupos de partilha (presencias ou virtuais), de profissionais de saúde, de Doulas pôs-parto ou de CAM (Conselheiras em Aleitamento Materno – ver AQUI)
Para mais informações e apoio (gratuito, distribuído por todo o mundo, e com base em evidência científica) sugerimos o site da LLL ~ La Leche League: Portugal e Brasil.

Abordaremos mais aspectos do leite materno em outros textos futuros (este tema é quase inesgotável!) mas a reflexão que trago esta semana é: como estamos acolhendo os seres que nascem? Essas pessoas chegando ao mundo, do que precisam?

Aguardo vossas reflexões!

Uma ótima semana!
carinho meu,
~ Glaucia Figueiredo

(Imagem de Roberta Martins)


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.