O que celebra o teu Natal? Especiais / Inspirações

E se o Natal não for apenas o nascimento de Jesus mas, antes de mais, o re-nascimento de Maria?
E se… trouxermos de volta a Mulher, e a Energia Feminina ao centro desta celebração a que chamamos “Natal”?

Porquê? Porque eu gosto de pensar em Maria como uma Mulher, real, e na verdade adoro inventar razões para celebrar a maternidade! Tu não?

E se o Natal fosse mais como uma “lua de leite“? Aquele período de recolhimento depois do parto, em que nos nutrimos e começamos, com o apoio certo, o precioso caminho da maternidade (ou o caminho do novo ano)?
Se forem os reis magos Doulas, que trazem apoio para a mãe+bebé?
Estou aqui a imaginar Maria logo depois do parto, e do que esta mãe e bebé mais precisariam. Não a imagino em festas, embora esteja, sim, sem dúvida, num período de mágica celebração…

As celebrações são vitais para o nosso bem estar e acredito mesmo que são cruciais na nossa saúde mental.
De tempos a tempos celebrar, de modo social, público, em comunidade, é essencial, sim! É preciso! Mais do que gostar das “tradições do Natal” (acho até que não sigo nenhuma!) gosto deste momento para Parar e Celebrar.
Mas como?
Sinto que há muitas pessoas, muitas mães, muitas famílias, a questionar como celebramos o Natal. Tantas pessoas a querer trazer maior consciência na escolha da ementa no significado dos “presentes”, no sentido, verdadeiro, do Natal.

~ E tu? Quem queres Presente no Teu Natal? ~

Há muitas práticas e rituais, muito anteriores ao que chamamos Natal (a celebração Católica), que ajudaram a criar esta celebração como a vivemos hoje. Se virmos com atenção a maioria das “tradições” que seguimos prendem-se muito mais com o celebrar do solstício de Inverno, e com as práticas do ritual pagão Yule… Sabias?

Wendy Andrew

Yule é uma tradição antiga praticada de um modo ou outro por Vikings nórdicos, druidas celtas, povos egípcios, Hindus e até pelos Hopi.
Este é antes de mais um tempo sagrado, que assinala o fechar do ano velho e preparação do ano novo, assinalando o solstício de Inverno. A noite que marca o final desta época Yule chama-se “Noite Mãe” (não é lindo?), e é na sua origem um momento de reverência a Deusas, Antepassadas e também a figuras femininas vivas. Sabias?

Profetizas eram honradas e era evocado o poder e sabedoria de deusas (como as nórdicas Frigg e Freyja).
Há algum tempo que estamos habituados a esta imagem do Pai Natal, do menino Jesus, e onde até a rena é um macho, chamado Rodolfo… pois, mas até nas renas, na sua origem não era bem assim! Muito antes de se criar esta imagem do “Pai Natal” era na verdade uma ren@ fême@ quem dominava o céu, e associada a ela provavelmente um Shaman… feminino! As renas eram veneradas pelos povos do Norte e consideradas símbolo de fertilidade, maternidade, regeneração, renascimento e associadas ao Sol – o tema do solstício de inverno. As renas fêmea, chamadas de “life-giving mother” (mãe que dá a vida) são antes de mais símbolos espirituais, tão populares que eram usados em bordados nas roupas, nos temas da pintura e escultura, até em tatuagens. Poucas vezes representadas em terra, as renas são estes animais mágicos, voadores, com os chifres feitos de árvore, habitados de pássaros, borboletas… e de sol! Nos países nórdicos, Beaivi é a deus@ Sol – a Lituânia chama-se Soule – associad@s à maternidade, à fertilidade da terra, às renas e sua energia feminina…

(Gather)

~ O que celebra o TEU Natal? ~

Os termos mudam, os detalhes variam, mas há constantes, uma delas é que nesta altura do solstício de Inverno a Deusa dá à luz um bebé divino – não, este acontecimento não é exclusivo das práticas no Natal cristão.
As tradições de partilha de uma refeição, a própria ementa, a decoração da árvore e o uso de luzes por toda casa (que celebram o Sol e o chamar da Luz sobre a Escuridão) parecem também ter origem aqui.

J. M. Leotti

~ Quem está no centro da tua celebração? ~

O que levas para o teu altar Yule, ou para o teu presépio? A energia feminina está em destaque, como manda o espírito da época? Vejo o meu “presépio” com a mãe no centro, ou antes, o casal mãe+bebé, acabado de (re) nascer! Maria a dar de mamar – há imagens fantásticas da Nossa Senhora do Leite, conheces? – ou até na piscina de parto…? 😉

O Yule é momento de novos começos e… re-nascimentos. E o inverno, quando passamos mais tempo recolhidos é ideal para isso (quem não sentiu isso mesmo no seu período depois do parto? Mais só, mais recolhida, submersa em todo o tipo de re-nascimentos?). E se este “nascimento” que celebramos no Natal for muito mais isso, e se for mais sobre sentar, na quietude, e ir para dentro de nós?

~ O que te apetece a TI fazer nesta época? ~

Porque é importante para mim partilhar esta visão do Natal? Porque acho que todos os anos (todos aqueles em que passei o Natal em Portugal), me senti assim, sem vontade de celebrar mas sem conseguir ir contra, sentindo-me um pouco alien no meio de tanto brinde e festejo… Agora não. Percebo que se me sinto em modo “lua de leite” isso apenas significa que estou alinhada com a natureza da época, e que honrar essa necessidade não é ser contra a maré, mas estar em sintonia com a natureza (sim, com a ÁGUA também).

As mães d’ água vão celebrar este tempo em recolhimento, e o nosso site e publicações regulares por aqui serão interrompidas agora. Regressamos a 15 de Janeiro.

Até lá a nossa página no facebook continuará activa e para qualquer assunto os eMails enviados para nós – info@maesdagua.org – terão sempre resposta.

Feliz celebrações! Mães d’ Água!!

~ Joana Fartaria

Fontes: Chase Hill Folk, Wilder Utopia, Gather
(Imagem de capa por Melissa Jean)


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.