Aldeia procura-se! Maternidade

– “Qual a parte mais difícil de ser mãe?” – Perguntam-me às vezes.
– “É o isolamento.

Não lhe chamo solidão, chamo-lhe Isolamento.

“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.”

… diz um sábio provérbio africano. É. Pois é…

Hoje percebo. É preciso uma aldeia para que todos se possam ajudar, para não serem apenas dois (por vezes um…) isolados num apartamento, a fazerem o melhor que sabem (e sem saberem assim tanto).

Espreito da janela da minha casa os prédios da frente, imagino que cada janela é uma pequena gaiola de humanos. Cada humano, qual pássaro já sem piu, sozinho, preso, sem ver que na gaiola do lado está outro igual…

Quando um bebé nasce parece que o mundo inteiro tem uma ânsia imensa de o conhecer, até de o contemplar. Recebemos visitas e mais visitas, prendas e mais prendas.
O tempo vai passando e as visitas vão espaçando, até quase desaparecerem… Chega a uma altura que parece que entramos para uma pasta especial dos “amigos que têm filhos”, e que são pessoas muito pouco interessantes…

A realização de que agora não posso (e possivelmente nem quero) fazer o que fazia antes, vai diminuindo, com os meses a passar. E a ansiedade de que talvez seja demasiado apegada ao meu filho, e de que não sei gerir bem a dinâmica de ser mãe, vai aumentando.

A minha vida mudou, sim. Eu vou-me transformando, com essa mudança, sim.

Mas, claramente, esta sociedade não é isso que espera das mães. Espera-nos iguais a antes, sem novas necessidades… mas isso não é possível.

Somos feitas para estarmos juntas, de mãos dadas, aprendendo umas com as outras, sentadas em círculos.
Somos feitas para viver em tribo… onde está a minha…?

~ Rute Ferreira

(Imagem de Paulina Splechta)


Apaixonada pelo processo de desenvolvimento humano. Apaixonada pelo Yoga. Apaixonada pelo parto. Apaixonada pela Vida. Sou Mulher. Sou Mãe. Sou Alma.