[Relato de Parto #34] Clémence Guillard Gonçalves Relatos

~ Nascimento da Philomène ~

Tive um parto em casa, na água, tal como tinha sonhado.

Encontrámos parteiras fantásticas que aceitaram acompanhar-nos antes, durante e depois desta maravilhosa aventura que foi o nascimento da Philomène.

A Philomène é a nossa primeira bebé, e o seu nascimento era previsto pelo dia 16 de setembro… mas no dia 16, ainda não tinha nascido!
Esperámos. Cada dia com mais vontade de ver a nossa bebézinha.

Pela meia noite do dia 19 tive contrações regulares e cada vez mais desagradáveis. Pela uma da manhã do dia 20 disse ao meu marido para ligar à Raquel, uma das parteiras que nos acompanhava, que confirmou que pelo que relatávamos o trabalho de parto tinha começado! A Raquel ia estar a trabalhar até às 8 horas da manhã e só poderia chegar depois, e ligou à parteira Celeste para que viesse ter connosco.
Até às 8!l – pensei eu – “Ela não vai estar presente no nascimento da nossa filha… é uma pena!
Ligámos ao Tiago, um amigo nosso que ia ser o padrinho da Philomène e que aceitou acompanhar-nos no nascimento dela. Chegou com boa disposição e com comidinha que tinha preparado – nomeadamente uma salada de fruta que soube muito bem depois do parto!

A Celeste chegou com uma colega que já tínhamos encontrado antes e que falava francês (a nossa língua materna), pelas quatro horas da manhã começaram a acompanhar-me, ouvindo de vez em quando o coração da Philomène e dando-me alguns conselhos.
Elas eram discretas e falavam baixinho entre elas, deixando-me gerir as contrações e fazendo-me sentir à vontade. Estava cansada porque não tinha dormido, mas conseguia aguentar a dor das contrações, ajudada pelo meu marido e pelo Tiago, que me faziam massagens nas costas.

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Depois de um tempo, seguindo os conselhos das parteiras, fui tomar um banho de imersão na minha banheira, e as contrações foram mais suportáveis, graças ao relaxamento produzido pela água. Uma das parteiras punha-me água quentinha em cima da barriga a cada contração, falando-me sobre os nascimentos dos seus filhos, o que foi muito agradável e me deu coragem.

Meia horinha depois, voltei para a sala onde o tablet tocava músicas relaxantes que eu tinha escolhido, e onde havia a bola de pilates, que, com as massagens do meu marido, me ajudava a suportar as contrações.

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Quando o dia nasceu aceitei ir para a piscina de parto que o meu marido tinha começado a encher.

Que delícia entrar e movimentar-me na água quente!
As contrações começaram outra vez a ser bem mais suportáveis!

Estava na piscina quando a Raquel chegou também… e a bebé ainda não tinha nascido!

Ao chegar, a parteira Raquel deu um abraço à parteira Celeste, o que me reconfortou.
Tão bom sentir respeito e ternura entre as pessoas que me acompanhavam.

Depois de bastante tempo passado na água da piscina (duas horas talvez? perdi a noção!), parecia ainda não ser tempo da Philomène nascer.
As parteiras propuseram-me sair da piscina. Foi a partir deste momento que comecei a achar que o parto demorava mais do que eu queria… as contrações estavam cada vez mais dolorosas, e eu estava cada vez mais cansada!
Ainda bem que o meu marido, o Tiago e as parteiras estavam sempre a apoiar-me, com uma bolsa de água quente, com massagens ou com palavras de apoio!
Lembrei-me neste momento de algo que li alguns dias antes, que Santa Philomène responde às orações, e pedi-lhe que o parto corresse bem e acabasse rapidamente!

A Raquel deu-me a comer à colher uns pedaços da salada de fruta feita pelo Tiago.
Quando a dor era muito intensa pensava “se estivesse num hospital e me oferecessem agora uma epidural eu aceitava“…
Uma das parteiras propôs-me primeiro andar pelo apartamento, o que fiz; e depois na rua, o que não fiz! Pensei: “não vou correr o risco que a bebé nasce na rua!

Afinal decidi ir outra vez para a piscina. E, pouco tempo depois, senti que era o momento de fazer força.
Depois de umas 13 ou 14 horas de inúmeras contrações dolorosas com tantas massagens para ajudar-me a suportá-las, e depois de tanta alegria, mas também de momentos de cansaço e desespero, a Philomène nasceu na piscina.

Quando a vi na água, ela estava a olhar para mim.
Que olhos bonitos tinha ela!
Peguei nela e chorei. Ela era tão bonita! Tinha um ar de alguém que sabe muitas coisas, e parecia querer falar connosco.
Não podia tirar os olhos dela!
Neste momento percebi realmente o milagre desta vida que tinha começado há nove meses atrás e que ia continuar na Terra.

Depois do nascimento da placenta, propuseram-me sair da piscina para cortar o cordão umbilical. Fomos para o sofá, o meu marido cortou-o, e a Philomène mamou e tomou assim a sua primeira refeição.

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O nascimento da Philomène foi um momento mágico. Tanto por a nossa bebé Philomène ser uma maravilha que nos encanta a cada dia que passa, como por o parto ter acontecido como tínhamos sonhado, sem stress, num ambiente de confiança e de paz.

Foi tão bom ser acompanhada pelo meu marido, o Tiago e três parteiras com quem me sentia tão segura e relaxada.

Recomendo a todos os futuros pais que tenham a sorte de viver uma gravidez de baixo risco que considerem a opção de um parto em casa, e na água. O nascimento de um filho é um momento mágico em que se percebe o milagre da vida, e vale a pena ser realizado como o desejamos.

Se Deus quiser, quando a Philomène tiver irmãos, chamarei outra vez as nossas parteiras, para o bebé ser acolhido num ambiente sereno e tenro.

~ Clémence


Um coletivo de mães que fomentam o Parto na Água em Portugal.