Entrevista com Noordev Kaur Entrevista

~ Noordev Kaur (Xuxuta V. e Sa Grave) é Psicoterapeuta Corporal formada em Massagem Biodinâmica, Vegetoterapia, Trauma de Choque, Psicoenergética, Gestalt, Calatonia, Coacher Profissional, Kundalini Yoga (I e II Nível). ~

~ Em que momento sentiste que querias trabalhar a psique e a sua cura?

~ Eu diria que desde sempre senti essa necessidade. Mas, foi por volta dos 30 e tal anos que essa enorme vontade de procurar outras coisas e soluções se manifestou fisicamente, não só porque via muito sofrimento à minha volta, mas também eu vivia um momento delicado na minha vida.

~ Qual foi a forma que encontraste?

~ Primeiro foi com a Astrologia. Comecei a estudar astrologia no Quiron (Centro Português de astrologia) com a Maria Flávia de Monsaraz e foi maravilhoso esse inicio. Esse perceber que eu não era “doida”, que aquilo que eu sentia tinha um sentido, e eu não era a única a sentir necessidade de questionar a minha vida, ainda que “aparentemente” estivesse tudo bem. Perceber e sentir que havia um propósito e uma ordem superior, uma força enorme que nos empurra para o que é preciso fazer e ser feito. Isso para mim foi um descanso enorme. Sempre tive a sensação de que o que eu gostava ou com que me identificava era “estranho”… Estudei astrologia durante quatro anos e o que mais me fascinou foi toda a simbologia associada. Perceber uma ordem cósmica e um poder superior, que trabalha a nosso favor e não contra, fez toda a diferença. Ao mesmo tempo sabia que não queria ser astróloga.

~ Depois da Astrologia?

~ Depois estudei no CLUC (Centro Lusitano de Unificação Cultural) matéria relativa à Teosofia.
Neste conhecimento que fui adquirindo, fui sentindo a vontade de fazer algo, e de sobretudo usar as mãos – e hoje faz todo o sentido para mim porque as mãos e os braços são a extensão do chakra do coração, era como se ele começasse a abrir e eu sentisse necessidade de expandir e ao mesmo tempo afastar da minha vida aquilo que não fazia mais sentido, e trazer outras coisas – e foi aí que surgiu a Massagem Biodonâmica.
Depois foi uma dinâmica que não teminou mais! (risos).
Seguiu-se a Terapia Psico Corporal, o Coaching e o início do Yoga.

Esse foi um momento em que senti poder assumir a minha espiritualidade.
Foi mágico! Ainda não tinha descoberto como canalizar a minha espiritualidade e a minha devoção pelo Sagrado. Nunca me identifiquei muito com a Igreja Católica, na forma como se manifesta e se mostra. O que senti foi uma grande necessidade de me re-ligar a algo, a um sagrado que estava adormecido e esquecido dentro de mim.

Conhecer a prática de Kundalini Yoga foi esse momento, esse encontro, que me ajuda diariamente a mergulhar num espaço e num templo sagrado dentro de mim.

~ De entre todas as linhas do Yoga, porquê a identificação com o Kundalini ?

~ Durante muitos anos pratiquei Hatha Yoga, mas sentia que não me preenchia completamente. E houve um ano que, através de um convite de uma amiga, fui a um encontro num campo de mulheres em Itália, foi aí que conheci o Kundalini Yoga.
Foi muito forte, foi como uma paixão, um amor à primeira vista.
Lembro-me de ter chorado muito, e de me emocionar quando cantava os Mantras, e à medida que me envolvia com toda aquela prática. Soube que era esta linha de yoga que queria aprofundar.
Em Portugal conheci a Quinta do Rajo e fiz a formação de professores em Kundalini Yoga. É um yoga que traz efeitos muito rápidos, como se de facto nos acordasse e nos abanasse para algo que está adormecido em nós.

Kundalini Yoga é uma ferramenta preciosa na descoberta de quem somos. A sua prática permite-nos tomar consciência do quão inconscientes nos tornámos.

~ Disseste que os braços e as mãos são a extensão do chakra do coração. Hoje em dia, as pessoas tocam-se muito pouco. Qual é para ti a importância do toque, do abraço?

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~ A importância do toque é tão grande…! Na minha visão o afastamento do toque e da ligação ao corpo está relacionado com o afastamento e esquecimento do feminino. Daquilo que em nós, Sente.

Vivemos num mundo em que a mente predomina, e o Sentir foi para segundo plano, ou mesmo esquecido. A dor e o prazer estão interligados. Quando não nos permitimos sentir a dor igualmente não nos permitimos sentir prazer. A maior parte das pessoas está completamente desligada do corpo.
Quando as pessoas me falam de emoções, eu pergunto “Onde é que a sente, em que zona do corpo?“ E normalmente, as pessoas ficam um pouco perdidas, porque nunca antes tinham pensado em tal relação: emoção – corpo.

O Corpo Emocional (as nossa águas) está interligado com o Corpo Físico e precisa dele como contentor, para poder fluir em segurança. Aprender a sentir é aprender a ter consciência da polaridade Feminina da nossa Alma.

~ Como resgatamos essa ligação corpo – emoção ?

~ Aprendendo a sentir. E isso de início pode ser assustador e podemos até nem saber como fazê-lo. Isto porque temos memórias de que sentir pode não ser muito confortável e que é muito doloroso, há uma parte nossa que nem acredita ter competência para tal.

A desconexão com o corpo e com o que sentimos começa bem cedo. Resgatar essa ligação é um trabalho que “quase” todo o adulto tem que fazer.

~ É portanto sem dúvida curar a criança interior ..?

~ É sem duvida sair de um tempo que já não é o nosso. É aprender a amar incondicionalmente a nossa sensibilidade e vulnerabilidade.

~ Mulheres, Século XXI e a Conexão ao Sagrado Feminino. Como comentas estes três conceitos?

~ Constato que a maioria das mulheres está completamente desconectada de si própria.

O que é o Sagrado Feminino? O Sagrado Femino não diz respeito apenas às mulheres, mas também aos homens. O Sagrado Feminino é a nossa conexão com a matrix da criação, é o poder universal feminino expresso através do coração da Mãe Terra, uma Energia Criativa que cura, nutre e nos liga a tudo e a todos.
É pura criativiade.
É a mudança permanente, a transformação necessária.

Como é que nós percebemos que estamos tão desligados desta realidade? Basta olhar para o que é feito com as mulheres e a forma como abusamos do nosso planeta, a forma como a maioria está desligada do seu próprio corpo e do sentir.
O feminino está ligado à espiritualidade, ao oculto, ao sagrado e a toda uma ordem superior que precisamos respeitar. E isso é assumir uma consciência vertical. Assumir a nossa verticalidade é reconhecer a ligação ao Céu e à Terra, ao nosso coração (ponto de encontro dessas duas realidades).
Precisamos reparar que sempre que estamos a sofrer de alguma forma estamos apenas ligados à nossa vibração horizontal, apenas a um mundo exterior. Assumir a verticalidade, é assumir que temos uma alma, é assumir que existe uma ordem superior que nos guia e orienta. É aprender a mergulhar no nosso universo interior, dentro da nossa pele.

Olho o sinal da cruz como uma ferramenta que me lembrar essa “Assunção” de ambas as realidade (horizontal e vertical) o poIMG_7320nto onde se encontram é o centro onde está o coração. E aí somos inteiras. A cruz é um símbolo de crescimento e tomada de consciência.

~ Dirias que a mulher enquanto energia criadora, cura um Todo.

~ Cura, porque é a partir da mulher que tudo nasce. É a partir dessa energia criativa que tudo aparece e se manifesta.

Nós somos criativas por excelência, estamos sempre a criar algo, se estamos em ordem criamos mais ordem se estamos desalinhadas e carentes criamos o caos.

~ Fala-me de arquétipos femininos…

~ Há um desempoderamento colectivo enraizado na psique da mulheres.
As mulheres acreditam ser inferiores, ser inseguras, incompletas, imperfeitas, responsáveis por tudo e todos. Há milhares de anos que a psique feminina tem sido oprimida e manipulada por um sistema dominador que não valoriza as mulheres, os sentimentos, as emoções, o corpo físico, a realidade física, a Mãe Terra, e o Divino Feminino.
Toda a mulher já sentiu, pelo menos uma vez na sua vida, que não é seguro ser mulher, que não é bom. Há uma parte nossa que de alguma forma inveja o homem, mas ao mesmo tempo se confronta com ele. Porque nos ensinaram a viver no medo e na negação.
Então quem somos nós?
O que é suposto fazer para sermos aceites e respeitadas?
Há tanto tempo que somos desvalorizadas que acreditamos não ter valor. É uma dor muito profunda e inconsciente.

~ É por isso que tantas de nós sentem uma “zanga” que não sabe de onde vem?

~ A razão pela qual nos sentimos zangadas é porque as nossas mentes e emoções são controladas por valores (e por um sistema) dominados pelo homem, que faz questão de limitar e destruir a energia feminina.
Tudo isto nos destanciou da nossa essência, precisamos procurá-la, ouvi-la, senti-la e aprender como po-la em prática.

~ Sei que também muitos homens se sentem desconfortáveis, sem saber o que fazer e qual será o seu verdadeiro papel. Que memórias arquetípicas são estas?

~ Não sabemos quem somos nem o que estamos aqui a fazer.
Esquecemos que há um Plano Divino.

O Universo é feito de duas POLARIDADES, que estão sincronizadas tão harmoniosamente que parecem como uma.
Uma é estável, neutra, e constante. Geralmente é chamada a Polaridade Masculina.
A outra está sempre a mudar, a transformar-se, em evolução. E referimo-nos a ela como a Polaridade Feminina.
É urgente aprender a crescer com essa dinâmica.

~ É curioso que as histórias das mulheres, por exemplo a mitologia grega e romana, foi escrita por homens…

~ Sabes que eu diria antes que eles escreveram a história que eles acreditam sobre nós. Não é a nossa história.
Ou seja, não é a nossa verdade. E por isso é que nós precisamos de nos descobrir, e estamos a descobrirmo-nos, e sabemos por vezes o quão perdidas nos sentimos nessa viagem.
Acabamos por ir buscar informação a algumas mulheres que já estão a fazer esse percurso e que, com a sua idade e experiência de vida, nos lembram a ligação a uma matriz de amor sagrado que esquecemos.

~ A Mulher é a Donzela, a Mãe e a Anciã.
O nosso processo passa também por esta “trilogia”…

~ O nosso processo passa por essa viagem cíclica: o ciclo vida, morte e renascimento.
Identificar a natureza e os objetivos do nosso caminho espiritual enquanto mulheres. As lutas dessas fases oferecem-nos sabedoria para guiar o nosso caminho de feminilidade, despertar o Feminino Divino na nossa psique e integrar as polaridades para experimentar o Todo.

~ Queres comentar esta tua frase “Que eu me permita ser mãe, ser pai, e também ser órfão”.

~ Essa frase não é minha, mas ao lê-la identifiquei-me muito com ela. Está relacionada com esse reconhecimento de um Poder que esquecemos Ser e Ter disponível em nós. Reconhecer a Mulher, a energia Feminina, com segurança interior (o nosso pai interior) a capacidade de entrar num espaço neutro que nos acolhe, nos ama e nos estimula e lembra o quão Divinas e Sagradas Somos. É o mergulho num vazio de não exigência e aceitação total e completa.
A segurança não é algo que se agarra e já está. Não! Nada é estático e nada é para sempre…. A capacidade de fluir de um sítio para outro é uma dança que precisamos dançar sem limites.
É um convite à mudança, à transformação à morte, ao desconhecido!

~ Nós mulheres temos muito esta dificuldade, em deixarmo-nos ir e em pedir ajuda.

~ Sim. Temos dificuldade em assumir a responsabilidade pela nossa cura. É sempre mais fácil “culpar” alguém, assim a responsabilidade é sempre do outro e nós podemos continuar na mesma.
No momento em que assumirmos que o passado (seja ele qual for) não é responsável pela maneira como nos sentimos agora, saímos de um estado de vitimização e negatividade. Curamos as nossas feridas no momento em que deixamos de participar no martírio, na culpa e no ressentimento.
Curar a nossa herança de dor não significa que nada tenha que mudar lá fora, significa que nós abandonamos a nossa reacção habitual a toda a nossa história.

Isto remete para a questão das feridas emocionais na infância e a posteriori a relação pais – filhos, que é necessário curar.
Curamos a nossa criança quando aprendermos a ficar tranquilas com o que somos. Não tentar mudá-lo. Este pequeno exercício poderá fazer toda a diferença.

Quando estamos presentes para as nossas emoções sem as querermos mudar, automaticamente algo muda. Sabemos que a nossa criança se está a curar quando aceitamos ouvir seja o que for que os nossos pais pensem ou digam a nosso respeito, porque sabemos que isso não tem a ver connosco mas sim com eles, e é algo que não podemos mudar. Isso é permitir que o comportamento e as crenças deles sejam assunto deles e não nosso. E nesse momento paramos de querer controlá-los. Simplesmente aceitando, seja o que for.
Sei que isto não é fácil mas é possível.

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~ De que forma usas as ferramentas que tens nas pessoas que te procuram? De uma forma geral, que tipo de casos vêm ter contigo?

~ Geralmente quem me procura chega com uma dor/ sintoma emocional com o qual não está a conseguir lidar. É sempre a parte emocional.
Devolver à pessoa a consciência que a faz viver o que está a viver, é essencial.
O Coaching é aqui uma ferramenta muito importante que uso. Perceber que seja o que for que estamos a viver é responsabilidade nossa.
Geralmente não temos consciência disso, porque se tivessemos não estaria a acontecer o que está. A maioria das pessoas quando se dá conta disto , diz “mas isso é muito díficil…”, e eu costumo dizer sempre que “é tão díficil sair como ficar“, porque a energia que nós gastamos para sair ou ficar é igual.

É apenas uma questão de nós percebermos e mudarmos a maneira como olhamos para a vida.
É assumir uma espiritualidade esquecida: a verdade acerca de quem somos.
É saber e acreditar que temos direito a ser felizes.

Não acreditamos que a vida possa ser vivida de uma forma fácil e fluída. E por isso estamos a passar por processos tão dolorosos, sendo que o propósito é limpar, limpar, limpar e limpar.
É urgente lembrar que a vida está a nosso favor e que nós somos inocentes.
Na verdade é assumir que tudo o que desejamos já somos, e tudo o que procuramos é uma identidade que esquecemos e temos dificuldade em assumir.

~ Qual é a diferença na forma como actua um Psicoterapeuta e um Coacher?

~ Não sei dizer-te a diferença, pois não consigo separar um do outro. Sinto que um Psicoterapeuta que também é Coacher tem acesso a algo que só o Coacher não terá.
No meu caso, sinto que fui acumulando ferramentas e que todas elas apontam para o mesmo: a cura.

A cura exige uma mudança de vibração e somos capazes de mudar a nossa vibração quando assumimos que a vida é uma experiência espiritual – quando falo de espiritualidade não falo de religião, mas sim da capacidade que temos para assumir aquilo que realmente somos, a cada momento.

Sempre sabendo a possibilidade de ir um pouco mais além, crescendo e aperfeiçoando aquilo que somos e um potencial por descobrir.
Hoje não consigo separar esses dois mundos. Eles misturam-se e é um processo fluído. É toda uma consciência que vai crescendo de uma forma muito espontânea.

~ Fala-me da Gestalt e Calatonia, outras das tuas ferramentas de trabalho.

~ Ambas são ferramentas que tive na Formação da Psico-Corporal, na Escola “Asas e Raízes“. (Esta formação foi única em Portugal, creio que só aconteceu uma vez, tivemos professores muito bons.)

A Calatonia é o toque subtil e surgiu na época da segunda grande guerra mundial. O Dr. Sándor era um médico – nascido na Hungria – que nessa época trabalhava no atendimento de feridos e refugiados em deslocamento pela Europa. Embora a sua especialidade fosse Ginecologia/Obstetrícia, foi designado para o cuidado de pessoas portadoras dos mais variados traumatismos. Ele tentou utilizar, sem sucesso, “métodos de relaxamento” usuais na época e então percebeu que a manipulação suave nas extremidades e na nuca, produzia descontração muscular e alterava o estado de ânimo. Então a Calatonia, enquanto método de relaxamento, promove equilíbrio no sistema nervoso, soltando tensão dos músculos. Os toques são realizados na pele em vários pontos do corpo. A sequência de toque mais conhecida é realizada em nove pontos da área dos pés, acrescida de um toque na nuca (região occipital).

A Gestalt é uma das muitas maneiras de se fazer psicoterapia. O objectivo desta abordagem é habilitar a pessoa a usar (além da cognição), as suas sensações, emoções e sentimentos, integrando todo o potencial que a natureza nos disponibiliza para fazer frente à sua realidade. Criada pelo psicanalista alemão Fritz Perls, é uma doutrina que defende que, para se compreender as partes, é preciso, antes, compreender o todo .

~ O Xamanismo ganhou alguma má reputação nos últimos tempos. Que importância vês na celebração, nos rituais..?

~ É definitivamente importante celebrar, marcar, valorizar os marcos, os ritos de passagem, as mortes, os nascimentos. Existe uma parte nossa que é nutrida quando isto acontece. É a nossa alma feminina, a magia, liga-nos a algo que é mágico, intemporal.
Perigoso? Como tudo poderá ser. Se não for usado para o bem maior, se for usado como poder pessoal.
Não são as coisas que são perigosas, mas o uso que fazemos delas. Depende da consciência de quem as utiliza.

~ E a água ? Que simbolismo tem para ti este elemento?

~ A água simboliza Vida, o fluir. O abrir mão do controlo. E ao mesmo tempo que simboliza a vida, enquanto elemento de mudança também está associada à morte, ao desprendimento. A Água e a Terra (astrologicamente) são elementos femininos.
A água representa as nossas emoções,
O elemento Terra corresponde ao nosso corpo.
O Feminino expressa-se através da água como corrente de energia, fluxo, pulsar, ritmo, movimento em espiral.

~ E qual é a tua opinião sobre o parto na água?

~ A minha filha teve um parto na água. Nessa altura, há cerca de seis anos atrás, ainda existia parto na água em regime hospitalar (no SNS). Para mim faz muito sentido, porque olhando para a experiência dela, tudo começou a fluir quando ela entrou na água. É como se nós precisássemos lembrar e entrar num mundo diferente para que as coisas possam fluir, e a água lembra-nos isso.

O sentir a água, a capacidade de mergullhar e vir ao de cima, a entrega que nos permite ser levadas para outra realidade.
A água é mágica.
A água tem vários estados, e nenhum é melhor que outro. Todos são necessários e úteis.
Portanto, eu diria que o parto na água deveria ser sempre uma escolha para quem o quiser usar, (não como obrigatório, mas uma opção).

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~ Acreditas então que a forma como nascemos tem consequências na nossa vida futura?

~ Profundamente! Yogi Bhajan, o mestre que trouxe Kundalini Yoga para o Ocidente, diz que a vida é o tempo entre dois momentos: a primeira e a última respiração.
A maneira como chegamos aqui e a forma como somos recebidos vai influenciar (ainda que inconscientemente) a nossa vida. Quanto mais fluído, amoroso e harmonioso puder ser esse momento, mais harmonia e amor teremos na nossa vida. E irá poupar-nos a muito trabalho terapêutico no futuro! (risos) Assim como a forma como deixamos este mundo (a nossa última respiração) irá contribuir para o modo como entramos nessa outra dimensão a que chamamos Morte.
Mais importante que a respiração é a consciência, em ambos os momentos.

Os yogis dizem que toda a nossa vida é um trabalho para que possamos estar mais conscientes no momento em que deixamos o nosso corpo físico, lembrar naquele momento a nossa imortalidade ajuda a nossa alma a subir, a elevar-se.

~ Trabalhas muito com mulheres grávidas ou casais em processos de gravidez?

~ Já trabalhei, mas esporadicamente. Não são casais os que mais me procuram. E quem sabe, porque até agora eu própria não estava totalmente disponível para fazer um trabalho terapêutico com homens. Eu própria precisei curar uma ferida grande em relação à energia masculina na minha vida. Agora existe disponibilidade interior e os homens começam a aparecer para terapia. É um um caminho que se está a abrir. Os homens estão a partilhar mais a dor deles, e o quanto se sentem perdidos.
Eu diria que quanto mais as mulheres se forem respeitando, mais o homem vai poder respeitar a mulher e a si mesmo.

~ Que mensagem queres deixar às mulheres e aos homens?

~ Que aprendam a escutar-se.
A vida é maravilhosa e precisa ser vivida como tal. Assim, se sentires desconforto, procura ajuda no sentido de te poderes elevar e desfrutar ao máximo desta dádiva que é estar VIVO.
Sabe que, haja o que houver, mais profundo do que qualquer circunstância, qualquer emoção, qualquer história ou qualquer avaliação espiritual, há um lugar em ti que te recebe de volta e te aceita em amor.

 

Gratas… tão gratas por esta conversa e pelo modo como nos permitiu voar para dentro de nós, tocar o Todo a partir do nosso Viver Presente.
Grata por seres o nosso guia, Noordev.


Mulher, Amiga, Filha, Companheira, Cozinheira. Acredita que o Universo está dentro de cada um de nós, e que resgatando os rituais dos nossos ancestrais, seremos mais Unos com a nossa Grande Mãe Terra. A Joana , faz por isso um bocadinho todos os dias.