As amarras da maternidade Grito na Lua Negra

Num mês em que tanto se fala de liberdade (ou não) decidi fazer uma reflexão sobre o assunto. De que forma a manternidade nos tira a liberdade? Será que tira?

Sempre​ que falava com alguém sobre o querer ser mãe era comum ouvir conselhos para aproveitar, viajar e namorar muito porque depois nada disso seria possível. A verdade é que tudo depende da… perspectiva!

O impacto inicial foi ambivalente para mim: o amor incondicional de ver, pela primeira vez, a minha filha e a adaptação às noites e dias sem dormir, sem tempo para mim. À partida parece, realmente, que há um grande corte na nossa liberdade.

Deixámos de ter tempo de sair com os amigos, de passear quando queremos e à hora que nos apetece. As saídas passaram a ser mais controladas. Gerir isto tudo com a hipersensibilidade que tive no pós-parto não é tarefa fácil, parece que tudo nos “fere”.

Até ao momento em que decidi ter tempo para mim passei por fases em que me sentia, realmente, presa e exausta. Comecei a escutar as minhas necessidades e isso fez uma diferença brutal.

“O que estou a fazer a mim mesma? O que preciso para respirar e sentir-me feliz e completa com a maternidade? Não era suposto ser mãe ser motivo para sorrir por si só? O que me está a escapar? Porque me sinto tantas vezes incapaz?”

Semelhante ao grito de Ipiranga (hehehe) iniciei o “Grito na Lua Negra”. Ui!!! Foi libertador! Foi crucial para a minha sanidade mental. Escrever tudo o que sentia, especialmente nos picos/saltos de desenvolvimento, nas noites sempre a acordar, nos momentos em que me sentia falhar como mãe, mulher e companheira.

Escrever foi mesmo libertador!

Foi a tomada de consciência dos meus sentimentos. Do que precisava de mudar em mim e precisava para mim. Escrever foi sinónimo de liberdade. Começar a fazer as compras semanais sozinha também. Ter o meu tempo, mimar-me.

Sim, é possível ser livre e mãe. É possível amar-me e ser mãe!

Neste momento, dou por mim a passar uma nova etapa na minha perspectiva sobre a maternidade. Após mais de 26 meses de amamentação, esta tarefa, juntamente com o regresso ao trabalho e, consequente aumento nos níveis de stresse e cansaço, comecei a ter menos paciência para estar muito tempo a amamentar.

Ultimamente, felizmente, estou a redescobrir o amor que trocamos nesses momentos… Os sorrisos, as cócegas que lhe faço, as brincadeiras que trocamos, as vezes em que lhe digo que a amo, as festas no cabelo,… São momentos de grande entrega e ternura. Mas uma entrega libertadora porque o amor, o verdadeiro e puro amor, é livre. A maternidade é sinónimo de liberdade para mim. Agora sou capaz de o ver!

Os passeios e aventuras que temos em família são os momentos em que me sinto mais entregue, feliz e livre! São os que quero repetir!

É neles em que penso quando estou a trabalhar. Por isso sim, ser mãe é uma descoberta de uma nova liberdade e do amor puro e genuíno.

Permite-te ser mãe livre de amarras e medos. Permite-te amar-me e respeitar-te (não, não são votos de casamento 😜) acima de tudo. Ser livre.


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.