A Deusa que Habita em Mim Ser Mãe sem o Ser

Semanas passaram desde que decidi avançar com esta coluna. Questionei-me sobre a possibilidade de ver a imaginação que em dias solarengos (e noutros nem tanto) passeia pela minha mente, desaparecer. Mas avancei! Poderia dizer que sou assim: que sempre que decido algo avanço com a firmeza de um cavaleiro e a sabedoria de um rei. Mas não estaria a ser verdadeira convosco, nem comigo.

Cada olhar que lanço para o passado faz-me reviver momentos e decisões que foram importantes; algumas das quais levaram lágrimas a cair no meu rosto. Decisões que me criaram um duelo interno. Por um lado, sentia-me uma pessoa cruel; por outro, sentia um alívio pela mudança causada por essas decisões.

Ao longo do tempo – tempo que me pareceu uma eternidade – houve momentos de culpa, de medo, que me faziam viver cada dia como se as minhas mãos estivessem amarradas. No fundo, eu sabia que esses sentimentos eram propriedade dos receios que o meu ego alimentava e cuidava com tanto carinho.

O que eu não percebi logo é que toda essa culpa camuflava a bela transformação que acontecia no meu interior mais profundo e sombrio. As águas pantanosas que existem no meu Ser estavam a ser purificadas e a mostrar uma nova Luz! O tempo foi-me mostrando, pouco a pouco, que é preciso coragem para afastar o que está na nossa vida e que já não nos nutre (pelo contrário, desgasta e absorve energia).

É preciso alterar as lentes que usamos para nos vermos e ver que somos muito mais; que o medo faz parte de alguns processos de libertação de que fazemos parte, mas que não nos devemos prender e acomodar nas suas costas. Com o tempo começamos a ver-nos com olhos que nos honram e nos respeitam. Finalmente, percebemos e reconhecemos que somos Deusas e que o poder da criação – o Amor – corre nas nossas veias, na nossa pele e faz pulsar os nossos corações.

Quando chega esse momento, aprendemos a celebrarmo-nos enquanto Mulheres, enquanto Seres divinos.

Aprendemos a reconhecer a sabedoria que nos é inata e que está semeada na nossa Alma à espera de florescer. Quando aceitamos que não somos a culpa nem o medo, os nossos ombros ficam mais leves e o nosso caminhar suaviza. Ao invés de arrastarmos correntes pesadas, flutuamos sem pisar as flores e a relva verde.

Agora imaginem que ensinamos as nossas crianças a honrarem o sagrado que habita nelas, desde pequenas, e a se permitirem fluir. Como o Mundo atual num piscar de olhos se transformaria…

Gratidão!

Até breve, Liliana! ☼

(Foto de Chanel Baran)


Sou a Liliana, mas todos me conhecem por Lili. Sou dança, sou Sol, sou música... sou riso, sou lágrimas, estações... sou o dia, sou a noite... sou um eclipse de sentimentos e sensações. Filha da Terra, Mãe d'Água de Coração! ☼