Sangue Ancestral Ser Mãe sem o Ser

E o sangue desceu pela primeira vez! Tantas mudanças a acontecerem no meu corpo. E o sangue desceu!

Lembras-te do que sentiste quando menstruaste pela primeira vez? Lembras-te da alegria, do entusiasmo, da importância do momento? Houve medo, culpa? Quem foi a primeira pessoa que procuraste para partilhar o que tinha acontecido? A mãe, a avó? Sabias o que estava a acontecer contigo naquele momento?

Eu fiquei muito feliz, quando o sangue desceu pela primeira vez! Não entendia – ainda – a sacralidade do sangue e a sacralidade de ser Mulher. Mas sabia que algo se iniciava ali, mesmo não entendendo muito bem o que acontecia. Era Mulher! E havia algo que lembrava um rito de passagem e que me fazia sentir que nunca mais seria o mesmo.

20 anos depois, muito mudou na maneira como vejo o meu corpo e como sinto os meus ciclos. A percepção do “ser Mulher” também alterou. Fui educada na religião católica apesar de, curiosamente no mesmo ano em que menstruei, ter-me afastado das cerimónias religiosas da igreja. Esse afastamento permitiu que, tempos depois, novas questões sobre “o que é o Sagrado para mim” surgissem e me fizessem procurar informação diferente da que eu tinha.

O peso que carregava aos ombros por ter desistido da religião católica e das suas práticas foi substituído por um sentimento de plenitude que me dizia que a Divindade está em cada um de nós. O mesmo sentimento que me começou a destapar o véu e a revelar a magia, a força e a energia sagrada que pulsa no ventre das Mulheres.

Comecei a olhar para dentro e a ver que essa energia também faz parte de mim e das Mulheres com quem cresci e que fazem parte da minha vida. Isso ajuda a ler o passado com uma nova visão, o que me leva a perdoar sentimentos de culpa ou de perda.

Por muita dor ou mágoa que carreguemos nos nossos ventres, Mulheres – seja a nossa dor ou dor de gerações anteriores -, que nos permitamos olhar para eles com amor. Só assim poderemos curar esses sentimentos feridos, perdoar-nos e transformá-los em algo bom!

Gratidão, Liliana! ☼

Foto de Camilla Albano Fotografia


Sou a Liliana, mas todos me conhecem por Lili. Sou dança, sou Sol, sou música... sou riso, sou lágrimas, estações... sou o dia, sou a noite... sou um eclipse de sentimentos e sensações. Filha da Terra, Mãe d'Água de Coração! ☼