Sexualidade Sagrada ~ questionamentos Coluna Humaniza-te

Socialmente, ainda hoje, só conseguimos tratar de forma natural da sexualidade em pequenos grupos. No geral não tratamos a sexualidade assim, e é engraçado pensar que ainda não há nenhum recurso, aberto a todas as pessoas, que nos possa trazer a informação assim.
No Brasil apenas 48% da população tem acesso à internet, e por aqui podemos ver que mesmo a info que podemos tirar daqui, é muito limitada. Reduzida a muitos conceitos errados e onde com dificuldade conseguimos encontrar coisas de fato úteis e esclarecedoras.

Como mulheres recebemos informações extremamente machistas. Praticamente tudo o que está no mainstream a “esclarecer” sobre sexualidade é dirigido ao público feminino e heterossexual. Títulos como: “Técnicas para satisfazer o seu homem” e “Deixe ele louco com pompoarismo” são populares em qualquer país ocidental, e voltados somente para satisfação do homem.

Nos últimos dez anos, por aqui, começou a despontar um pouco de matérias sobre masturbação feminina e o poder do clítoris, por exemplo, mas ainda é uma informação extremamente elitizada, à qual poucas pessoas tem acesso.
Ainda conheço mulheres que acreditam que se se tocarem crescem pelos nas mãos (!), acreditas? E isso me revolta, sabes?

Como mudar?
Acredito que não precisamos de técnicas específicas, acredito que o poder maior está na naturalização da sexualidade, no acolhimento das vontades das mulheres e é claro, o feminismo vai entrar aqui.

Olhar o teu corpo como sagrado começa pelo modo como gostarias de ser olhada se ninguém te tivesse ensinado nada. Quantas vezes tens ou tiveste vergonha de olhar a tua própria vagina? Tens nojo dela?
É preciso desconstruir o que nos foi imposto como regra para podermos nos conhecer. Não existe brinquedo tecnológico que proporcione um orgasmo melhor que uma interação de entrega, onde sabemos onde estamos. Em nós.

Para nossa sexualidade ser sagrada não é necessário um buda especial, uma cor, uma sala com luzes e mantras, um indiano a ensinar respirações, um novo guru que vai por a mão na nossa cabeça e nos libertar. Cada uma de nós tem que querer por si, olhar-se de forma natural, e aceitar-se.

Perceber que a informação que nos é imposta não é feita para gozarmos e sermos plenas sexualmente, que a nossa transcendência vem a partir da consciência de que os nossos corpos são vistos e cobrados como objetos, e de que temos poder para mudar isso.

Podemos começar não julgando outras mulheres (podes ler sobre isso no meu texto sobre sororidade AQUI), seus corpos ou suas atitudes.
Podemos continuar não buscando aprovação para agir nem pedindo permissão de ninguém, questionar por mim mesma as minhas opções.
Olhar para mim, ter tempo para conhecer-Me.

Olhar para o medo que temos de nos entregarmos ao outro, de fato.
A sexualidade cura feridas, sim, pode curar. Mas nem sempre será fácil lidar com elas. Na maioria das vezes não é.
É essencial rever o modo como lidamos com os nossos relacionamentos. A manipulação do ego, e a sexualidade sagrada também, não vivem na mente, vivem no Ser. E a busca do ser está em rever paradigmas.

Como fazer?
Permitir o encontro comigo mesma, criar tempo para o auto-cuidado, entrar em contato com a natureza, meditar, sentir o meu corpo ao longo do dia. Fazer com os outros o que gostaria que fizessem comigo, tanto na vida como na troca corporal.

Este é o meu convite
Para sentir
Para tocar
Para questionar
Para aceitar
Para te conheceres…
… Tu És Sagrada.

Carinho meu,
~ Glaucia Figueiredo

(imagem por Camilla Albano)  


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.