Redescobrir-me Grito na Lua Negra

A maternidade tansformou-me e devolveu-me à vida, a mim… Senti, logo, uma enorme necessidade de enraizar, andar descalça, nutrir o meu corpo, libertar-me das amarras dos soutiens. Trabalhar o meu feminino, redescobrir o meu ciclo. Só aqui senti uma diferença enorme. Menstruei 11 meses depois de ter sido mãe.  Tinha os meus receios pois ouvia de tudo… “Ai a primeira mentruação é horrível, sangras imenso!…”…

O não saber quando viria, até quando continuaria a fazer ciclos anovulatórios e o saber que o meu corpo estava, naquele tempo, focado no novo ser que eu tinha gerado, naquela vida frágil que estava ao meu encargo. E que, para já, não era momento de outro filho. Teria de continuar a preparar e cuidar do meu ninho.

O tipo de dor, os sintomas, a duração dos ciclos,… tudo mudou. Há meses em que quase não noto que estou a menstruar, outros que tenho tantas dores que até me custa caminhar; como se tivesse acabado de parir. Os ciclos tornaram-se mais pequenos e o fluxo menos abundante, apesar de não me encontrar a tomar nenhuma pílula anticoncepcional. Opção minha, como mulher consciente das minhas escolhas, da minha saúde e da importância de respeitar o meu corpo, já maltratado durante longos anos com hormonas químicas.

A maternidade fez-me escutar… escutar o meu íntimo, os meus desejos, medos e redescobrir o meu prazer.

As diferenças no meu corpo trouxeram-me muitas inseguranças… como iria aprender a olhar para o meu novo corpo? Como iriam elas ser recebidas pelo meu namorado? O medo de não ser desejada e de me tornar diferente, indiferente…

Vontade de esconder o corpo, de não ser vista ou tocada.

E não me refiro à falta de líbido tão frequente nesta altura em que a atenção é toda para o bebé. Não senti diminuição nesse campo. Senti vergonha da minha barriga que via tão deformada.

E a amamentação? Tão bom poder alimentar e dar vida a um ser. É indescritível a beleza desse acto de amor. Mas e as mamas? Como ficam elas? O volume e sumptuosidade iniciais (que para mim era exagerado) rapidamente mostram a força da gravidade e de muitas horas a dar amor líquido e energia. Parece que somos sugadas pelo nosso bebé. Eu senti muito isso. E, ainda, estou a aprender a aceitar todas estas alterações. Até o meu rosto e a minha expressão sinto diferentes. Não sei porquê, nem em quê e ainda estou a tentar perceber se gosto.

Estou a aprender a olhar-me ao espelho e aceitar que sou e estou linda. O meu corpo modificou-se e transformou-se para gerar vida. As marcas que ficam fazem parte do processo e posso sempre fazer exercício para ajudar qualquer coisita. Depende de mim! Cada vez tenho mais essa certeza!

A decisão é minha, assim como a decisão é tua! Eu estou cada vez mais focada em mim e tenho aprendido a redescobrir o prazer de uma forma bem mais intensa… com mais entrega e re-união.

É normal sentires-te como eu, perdida, “estragada” e feia. Aceita o que sentes. É o primeiro passo. A partir daí liberta-te… deixa voar essas energias que te assombram e descobre o que de lindo vive em ti. Aprende a amar-te. Eu estou a adorar este meu novo caminho… o meu caminho.

 

Fotografia por Filipe Raimundo 


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.