Um palpite e um Om Yoga e a cidade

A Equanimidade é um estado de equilíbrio emocional, mesmo experimentando diferentes situações externas, algumas muito desafiantes, extremamente difícil de alcançar.

 

Tem dias em que consigo viver todos os desafios de uma forma tranquilamente natural, tem outros em que simplesmente sou levada e arrebatada pelas paixões e irritações.
A maternidade põe muito à prova a minha capacidade de manter a equanimidade, tem tantos desafios e surpresas que ficar em mim nem sempre é fácil.
Mas, se eu pudesse escolher algo que me fez sair do meu centro, e consequentemente me ajudou muito a treinar a equanimidade, seriam os palpites.

 

Oh meu Buddha, os palpites!

 

Todo o mundo sabe como tu deves criar o teu filho melhor do que tu! Isso tirava-me – pronto, está bem, às vezes ainda me tira – do sério! A minha capacidade de me manter presente em mim desaparecia em dois tempos. Às vezes fui rude, desagradável, às vezes virei costas para não ouvir comentários…. Não me orgulho…

 

E porquê? Porque é que me tira tanto do sério? Quando penso nisso só me ocorre uma explicação… como mãe tenho à minha responsabilidade a vida de outro Ser, eu sou a guia do meu filho – e ele o meu espelho reflectindo todas as minhas falhas e sombras – e o peso de fazer algo de errado, ou simplesmente não saber o que fazer às vezes (tantas tantas vezes) paira sobre mim.

 

Os palpites, as “sabichices” muitas vezes põem-me a duvidar da minha intuição…
Na verdade, mais do que a grande capacidade de todas as pessoas terem qualquer coisinha a dizer sobre como devia actuar com o meu filho, o que mais me tirava do sério era mesmo a falta de franqueza… Poucas vezes ouvi algo como “olha, é normal estares cansada” ou “sabes, é normal os bebés não dormirem facilmente, não te preocupes”, “não come? Não te rales!” e as vezes que ouvi palavras assim, palavras sinceras vindas do coração, posso dizer que me ajudou a voltar ao meu centro.

 

A Maternidade é difícil. É difícil manter a equanimidade quando a vida de alguém – que não fala nem traz manual de instruções – está nas tuas mãos!

 

Por isso hoje em dia, sempre que alguém me presenteia com um palpite indesejado, Respiro e tento lembrar-me que a minha intuição sabe muito bem o que fazer. Basta eu parar e voltar a mim, olhar para a situação com equanimidade.
Ah… quase me esquecia… meditar ajuda! Meditar ajuda tanto a manter a equanimidade. Meditar ajuda a manter-me em mim.

 

Fotografia de Camilla Albano


Apaixonada pelo processo de desenvolvimento humano. Apaixonada pelo Yoga. Apaixonada pelo parto. Apaixonada pela Vida. Sou Mulher. Sou Mãe. Sou Alma.