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Para assinalar o dia da Saúde Sexual fomos falar com uma mulher activista, apaixonada pelo ser mulher, pelo direito ao parto humanizado e às escolhas respeitadas da mulher/casal. Vamos, então, conhecer um pouco do trabalho desenvolvido pela psicóloga Lígia Catão, no âmbito da sexualidade.

 

Como conheceste as Mães d’Água?

Sou muito curiosa e faço formação contínua que dá suporte e estrutura às minhas paixões profissionais, que são: a PSICOLOGIA – na prática obstétrica, a SEXOLOGIA – que se integra neste contexto das #MãesDÁgua, e a Sexologia Perinatal. Paralelamente à minha formação mais tradicional, tive formação com médicos de renome internacional na área dos partos fisiológicos, na Europa (Reino Unido) com Michel Odent – curso de Paramana Doula – e no Brasil com Ricardo Herbert Jones – formação em Educadora Perinatal. De seguida, surgiu a formação com Barbara Harper, em Junho 2014, WaterbirthInternational.
 
Lígia Catão com Barbara Harper– Diploma de Waterbirth Internacional

 

E foi nesta etapa que senti qual seria o meu caminho. No final da formação a Barbara Harper deu-me o diploma e um abraço e disse-me para eu nutrir as minhas convicções, como Psicóloga e Sexóloga. Não é que eu precise muito desse incentivo – a alma expande quando se sente no caminho. A partir daí senti o efeito dominó e estou aqui no fundo a rever os mergulhos que dei com Todas as #MãesDÁgua.
Hoje em dia, com a tecnologia ao nosso dispor temos acesso a todo o tipo de informação e bastou um “click” e uns “likes” na página das Mães d’Água. E já sabem os procedimentos: likes, comentários e por iniciativa minha chegar a conhecer este movimento o mais perto possível. A partir daí promovi as Mães d’Água no Espaços Mulher (projeto profissional, desde 2010). Depois surgiu o encontro na Assembleia da República, devido à Petição realizada pelas Mães d’Água. E fica aqui o marco e o encontro real. A chama tem vindo a ganhar uma forma muito agradável na minha vida. Já levei e preconizei as Mães d’Água em vários lugares como na rádio, por exemplo, no ano em que tive um programa dirigido por mim na GondomarFM – Intimidades.  

 

És sexóloga. O que te levou por esse caminho profissional? 

Sou Psicóloga de formação base (com experiência clínica há 10 anos) e sou Terapeuta Sexual pela Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. Recentemente a Ordem dos Psicólogos Portugueses atribuiu-me a certificação de especialista em Sexologia, Coaching e Psicoterapia.

 

Como chegaste até aqui a nível pessoal?

Eu cheguei à sexualidade humana, porque a minha bisavó era uma mulher que lia muito e eu fiquei com essa curiosidade e encantamento pelos livros. A minha Mãe tinha livros maravilhosos sobre a Mulher. O meu pai queria ser Psicólogo. Recordo-me da minha família ter uma biblioteca enorme e havia uma “Enciclopédia da Sexualidade”, até determinada idade: para ler dos 7 aos 8; depois dos 9 aos 12; tinha o dos 15 e 16 e o dos adultos. Eu achava que era uma evolução que eu iria viver – claro que eu lia um bocadinho mais à frente!   Estávamos no início da adolescência.

 

A minha avó materna viveu comigo, teve 9 filhos e ela sempre me contou as histórias dos nascimentos das minhas tias e tios. Ela sempre me disse que a minha mãe vinha do Útero dela e Eu do Útero da minha Mãe. Sempre contou que paria de cócoras, em casa, e que detestou parir a última filha no Hospital. Adorou parir a minha Mãe em casa (na fratria a minha mãe é a penúltima). Existem estas memórias narradas e sentidas em mim. Intuitivamente eu sei que quem lê esta entrevista tem o sentimento de Eureka – Pois! claro! Ahhhh ahhhh … gargalhadas …

 

E ao nível mais académico e, consequentemente, profissional?

No final do curso de Psicologia, nós temos que fazer um estágio e uma monografia. No estágio, eu inscrevi-me para uma maternidade e inscrevi-me para educação sexual nas escolas. E fui para a educação sexual nas escolas. Na altura fiquei triste, porque queria ir para a Maternidade Júlio Dinis, cidade do Porto. Mas hoje, faz todo o sentido o meu percurso! A Educação para a Sexualidade faz com que hoje eu esteja aqui. Assim, a minha monografia e tese de mestrado foram sobre sexualidade no climatério, para as pessoas melhor compreenderem, antes, durante e depois da menopausa. Posteriormente, o meu percurso tem vindo a fluir no sentido de esclarecer a sexualidade perinatal e daí também o meu interesse pelo trabalho das Mães d’Água. Quando acabei o meu curso de sexologia percebi que havia muito a fazer neste País. Agora, ao chegar aqui, percebo que, anteriormente, estudei a sexualidade no climatério, na terceira idade e que, mais recentemente, tenho vindo a estudar sobre a saúde sexual perinatal. Atualmente, considero-me uma Sexóloga apaixonada e focada na área Perinatal. 

 

Sou defensora dos direitos humanos e sexuais. Defendo que a mulher tenha liberdade de expressão no seu parto. Preconizar que a mulher tenha autonomia, que tenha privacidade, que ela escolha a Doula e os profissionais de saúde que melhor se adaptam às suas necessidades… que tenha liberdade… o direito ao prazer sexual também está inerente e este, para mim, claro que é relativo ao parto orgásmico.

 

A propósito de leituras, li mais ou menos por estes dias o seguinte: “Nós, Humanos, somos a sociedade mais complexa de seres vivos! Podemos criar, acalentar, educar e formar a nossa prole e, ao mesmo tempo, agredir, humilhar, destruir, abusar e matar a mesma descendência.” Acho que aqui está a dizer tudo – considero que as Mães d´água também têm uma visão ecológica, abrangente e muito positiva do que queremos criar, acalentar e educar em prol da Mulher e das novas gerações. Ao divulgar e tornar real este desejo – partos na água no Sistema Nacional de Saúde, está-se a promover o início da vida com saúde. 
 
Perspetivo a Mulher no seu todo, nas dimensões física, psicológica, social, sexual e espiritual. Depois considero que atualmente precisamos de uma atmosfera que nos una a todos, profissionais de saúde, educadores, pais, professores e famílias. Uma consciência de co-responsabilidade e, nas Mães d´Água, considero que encontrei isso, a união, experiências positivas de partos na água, de saberes e sinergias com um único propósito, daí advindo um grau de satisfação elevado no nascimento de uma nova Vida. Ao longo do meu percurso formativo, destaco o curso com a Barbara Harper, mulher extremamente inspiradora que me impulsionou a envolver-me com este Movimento.

 

Porquê? Porque na formação com ela, como psicóloga, eu percebi que, existem traumas no nascimento – já tinha consciência disso na psicologia transpessoal – e o outro lado da moeda, serão os partos fisiológicos e respeitados em toda a dimensão, logo nascimento saudável, na água. Por outro lado, Eu sou uma Mulher das ciências, e nesse sentido tenho informação científica que me alicerça/sustenta. Cada vez é mais importante educar para a compreensão da sexualidade e da vivência da mesma de uma forma plena, satisfatória e positiva. A AMMA (“mascote” das Mães d’Água) pode ser exemplo disso, usando-a para formações de educação para a sexualidade – pais, educadores e profissionais de saúde.

Na tua opinião, que hábitos um homem e uma mulher devem ter para uma vida sexual saudável? 

(Ressalvo/Relembro mencionar que há Mulheres que podem ter uma companheira e que poderão ler a nossa entrevista; neste sentido agrego todos os possíveis casais no discurso – embora responda às questões para o casal heterossexual). Se o casal viver e partilhar esta convicção para o parto, em que poderão chegar a usar a água, irão ter muitos mais recursos, com certeza, para viverem esta fase das suas vidas de forma saudável, incluindo no pós-parto. Várias opções serão estudadas, contudo as certezas do que querem será fundamental, cada um terá um papel a desempenhar e os limites são necessários e devem ser explorados/refletidos. (Acrescento aqui que o companheiro da mulher pode não ser o pai biológico; são casos que acompanho de perto e desejo abrir a diversidade de narrativas existentes – podendo estar 2 homens à espera do novo Ser; é crucial auxiliar a história desta Mulher, auxiliando os tais papéis a desenvolverem-se). A sexualidade de hoje é influenciada por inúmeras dimensões que irão influenciar a sexualidade do amanhã, individualmente e em casal.

A MULHER é O centro e merece o Meu apoio!

A protagonista do Parto é a Mulher.

 

Como é que uma sexóloga pode ajudar a que a Mulher passe por uma gravidez e parto mais serenos? 

 

Lígia Catão no consultório – concha 
 
Relativamente à Mulher (grávida, futura parturiente) o apoio psicossexual ao longo da gravidez deveria existir. Dar espaço para a mulher expressar a suas necessidades físicas, emocionais, espirituais, culturais e sexuais é importante. No parto nasce uma mãe (biológica/ adoptante) e/ ou pai; uma nova realidade. É um capítulo novo. E na sociedade nascem outras potencialidades do Ser Humano. O bebé vai ensinar-nos algo a todos. Dentro do casal é preciso perceber até que ponto é que a sexualidade de ambos/(as) vai ao encontro desta ideia. A saúde sexual do outro elemento do casal deve ser também falada.  A fase que antecede ao parto é uma preparação. Há homens que estão muito bem preparados e outros não! Por outras palavras, há homens que acreditam muito no poder da mulher; outros não.  É preciso saber os limites de cada um e papéis a desempenhar. Existem aqueles que querem fazer parte.
Existem várias condicionantes socioculturais que é preciso esclarecer no futuro.

 

Na gravidez, qual o papel do pai no acompanhamento da Mulher? 

Para uma vida física, psicológica, social e sexual saudável, o homem e a mulher devem estar em sintonia e, por vezes ou nem sempre, é fácil. É preciso comunicar! Esse é o grande desafio. Se falarmos de partos, há homens que não querem ver e há os que querem.

 

E isso faz todo o sentido?

Depende de cada pessoa! Idiossincrasias e circunstâncias de cada indivíduo ou casal. Realidades para uns: a mulher, até agora, era amiga, namorada, amante, companheira e outros papéis. E agora vai ser mãe! E o cérebro da mulher muda pois é uma nova realidade. Há transformações anatómico-fisiológicas e emocionais determinantes. Para os homens, o momento do nascimento de um filho é crucial para a reconstrução do vínculo com a companheira/nova mãe, para a construção do seu papel de pai. Os homens também têm ansiedades e medos. “Será que vou ser um bom pai?” (é a dúvida que paira). Assim, este percurso de acompanhar a mulher vai permitir que o homem esteja envolvido nas novas descobertas.
Ele também vai nascer como pai. Pode ser uma forma de nascerem outras cumplicidades, em casal.  É preciso apoio e muito diálogo; pois há toda uma nova dinâmica relacional que surge, com a criação de uma família (no caso de um primeiro filho) ou o crescimento da mesma (quando já existem filhos anteriores).
 

De que forma é que uma sexualidade saudável pode ajudar no momento de parto?  

A sociedade está a precisar de educação para a sexualidade, incluindo na gravidez, parto e pós-parto. Considero fundamental falar de sexualidade na gravidez, temática que não é explorada entre a maioria dos casais e nas preparações para o parto. Relativamente à saúde psicológica, a depressão pós-parto não é somente, assunto de mulheres; o homem também pode ter e é uma temática pouco abordada. Os homens têm muitos medos e muitas fobias. E um filho, na maior parte das vezes, traz essas fragilidades à superfície. O medo do parto, tocofobia é premente.  Exemplificando: há mulheres que se queixam que o homem não lhes toca durante a gravidez. Existem muitas ideias erradas, crenças que devem ser esclarecias.  

A saúde psicológica deve ser fomentada.

Considero que as Mães d’Água têm vindo a mostrar o outro lado, incluindo histórias de famílias com partos satisfatórios e integrados num circuito de apoio ao novo casal. Demonstrando que isto é possível, que é real. 
 

Que projetos profissionais tens em mão? Algo novo para surgir? Queres partilhar?  

Ganhei o prémio de melhor poster científico em Nascer Positivo no passado mês de Maio/2017, no Hospital Escola Fernando Pessoa. Com um misto de orgulho e com a responsabilidade de um grande desafio à porta. É meu propósito compilar os meus saberes sobre a sexualidade perinatal. O poster apontou a necessidade de dar a conhecer o parto orgásmico e o papel da sexologia perinatal nas equipas interdisciplinares. Explorei/explorarei qual o papel do sexólogo nas equipas interdisciplinares, quer para auxiliar os profissionais de saúde, quer para potenciar todas as novas características que os pais precisam. As equipas interdisciplinares, no fundo, terão que ser potencializadas/promovidas, cada vez mais. Os médicos precisam desta informação e precisam de saber reencaminhar. É fundamental! No outro dia disseram-me: mas tu estás contra os médicos? Eu não estou contra eles, aprendi com alguns! Eu quero a união com eles, para que haja Saúde no Parto porque o contrário é o Trauma no Nascimento. Eu quero potenciar o Ser Humano. Desejo que o Parto deixe de ser um evento clínico (modelo biomédico) e que passe a ser perspetivado nas diversas dimensões do Ser Humano (modelo holístico, integrativo biopsicossocial).

 

Um Sexólogo/ terapeuta sexual preconiza os direitos sexuais, é esta a minha função na sociedade.   Por vezes, é preciso educar os profissionais de saúde para alterar crenças e atitudes que estão erradas. Outras vezes, tenho que ajudar casais, para que percebam que os homens podem tocar nas mulheres quando elas estão grávidas. Outras vezes, tenho que fazer psicoterapia, propriamente dita. É premente, Educar a sociedade para a Sexualidade. O Sexólogo perinatal trabalha quer com os profissionais de saúde quer com os futuros pais.

 
De resto, para mim é fundamental apoiar os casais a terem qualidade de vida, dignidade e respeito. Aquele excerto que citei no início resume bem a minha visão: “numa época em que se fala tanto de sustentabilidade é preciso refletir também sobre quais os comportamentos sexuais que precisam ser revistos e os valores morais e éticos. Um comportamento sexual ecológico precisa sanar as feridas passadas e prevenir as futuras, numa consciência amparada pela espiritualidade, no sentido de saber que todos estamos ligados ao Todo, na busca da justiça ecológica e social. Precisamos pensar numa atmosfera que nos una a todos, sexólogos, educadores, pais e famílias. Uma consciência de co-responsabilidade. Nós, Humanos, somos a sociedade mais complexa dos Seres Vivos. Podemos criar, educar, formar em algo positivo e podemos fazer o oposto.” 
 

O que pensas sobre o parto na água? Imaginas-te a ser uma mãe d’água? 

Se me imagino a ser uma mãe d’água? Sou Mãe de água de coração/convicção e gostava de Parir na água, Claro! Translúcida como a água (risos)… 
 

Que sonhos tens para a tua vida? 

A minha grande missão é que deixe de haver traumas no nascimento e que comecem a existir narrativas de partos com orgasmos, prazer e êxtase. Narrativas mais saudáveis e positivas. A minha ambição é que eu possa colaborar, mais concretamente nestas áreas. O excerto que citei é um excerto do programa de ajuda humanitária – há uma parte de mim que gostava de ser bombeira! Há uma parte de mim que gostava de ir para ajuda humanitária com as psicoterapias/ trabalho que preconizo!  Quem sabe está lá uma mulher a parir e vai precisar única e exclusivamente do meu Acreditar e Presença. A minha experiência como Doula irá ser-me útil. É maravilhoso ver um Ser Humano a nascer.
 
 Lígia Catão (Agosto/2017) – Doula no Hospital da Póvoa

 

Este ano, inscrevi-me numa formação de sexualidade no parto. E não ocorreu. E foi a própria mentora Naoli Vinaver que me transmitiu que é possível termos um parto orgásmico. Eu fiquei muito triste, mas percebi que realmente há muito a fazer com os profissionais de saúde. Eu não sei se isto se deve à falta de educação para a sexualidade ou à falta de consciência geral do que é Parir e do empoderamento necessário da Mulher. Este assunto é de todos!  A sexualidade perinatal é vista antes da conceção até ao período de quando o bebé faz 3 anos. Se nós formos a pensar, aquilo que eu faço hoje terá consequências positivas no meu futuro. Então, aquilo que a Barbara Harper entre outros me transmitiu foi que, de facto, eu tenho muito que fazer! Faz sentido eu estar nas Mães d’Água.

Vou falar de mais uma coisa que acho que é fundamental! Se pensarmos que uma mãe é a matriz da saúde física, social, psicológica e espiritual de um bebé... É no útero, que está a potência máxima.

Lembro-me daquele vídeo que fala da nossa própria Chama. Esse vídeo eu uso muitas vezes. Todos nós temos uma chama para nutrir! E se estivermos saudáveis, passamos isso para os bebés. Talvez tenha sido por isso que eu não fui para a maternidade, há uns anos atrás. Gostaria que as mães, mulheres estivessem sempre ligadas à sua chama interna e empoderadas. Gostaria que os bebés e as mães nascessem num ambiente de prazer e alegria, ao invés de no meio de desrespeito e sofrimento. E gostava que a nossa sociedade não estivesse tão carente de amor, mas sim que expressasse esse amor/essência. Por tudo isto, continuo com alento para continuar. Essa é a minha chama.

Lígia o que acrescentarias a esta nossa entrevista?

Todos nós, Nascemos, e há algo comum a todos. Refletir no meu nascimento, eu sei que não nasci nas condições que eu gostaria de ter nascido. A minha mãe perdeu quatro bebés antes de mim. O medo de me perderem foi premente, aumentando os níveis de ansiedade na minha mãe. Sei que na minha matriz fui muito desejada – e por aquilo que leio também sei que é muito importante. E também sei, por exemplo, que a minha mãe teve muito prazer quando eu mamei. O prazer também existe na amamentação e isto não é falado. É um segredo? É um tabu. Aqui temos outra hormona de que gosto – oxitocina (neurotransmissor do amor). Estas histórias deveriam ser passadas de mulher para mulher. É importante! A sexualidade vive, nasce e morre connosco.  Acrescentaria que é crucial sabermos a nossa história de Parto. Eu teria mudado o medo da minha mãe por outra palavra – Alegria e coragem para o processo de me conhecer extra útero.
Proponho aos leitores que façam este exercício – conhecer a sua história de Vida.

  

 

Se queres conhecer mais sobre o trabalho da Lígia espreita aqui.

Fotografia de capa de Lieve Tobback e, as restantes, gentilmente cedidas por Lígia Catão.


Sou a Liliana, mas todos me conhecem por Lili. Sou dança, sou Sol, sou música... sou riso, sou lágrimas, estações... sou o dia, sou a noite... sou um eclipse de sentimentos e sensações. Filha da Terra, Mãe d'Água de Coração! ☼