Palavras à minha filha Grito na Lua Negra

Escrevo-te de coração “nas mãos”, a aguentar as lágrimas que querem escorrer. Este sufoco na garganta que me faz sentir revolta e injustiça da falta de apoio à maternidade existente neste país.

 

Hoje ficaste a chorar, a gritar “O que aconteceu?” quando te coloquei na cadeira do carro.

Não querias sair do meu colo.

Não querias que fosse embora, nem querias ficar com a tia.

Quando saí do prédio ainda ouvia os teus berros.

 

Estás em boas mãos. Eu sei disso! Tu sabes disso!

 

 

Mas fico de coração despedaçado por te deixar assim. Por não poder ficar contigo em casa. Por ter de ir trabalhar e estar dependente do meu vencimento ao fim do mês.

 

Sinto-me sozinha nestes momentos. Má mãe por me sentir pressionada pela hora de ir trabalhar. Má mãe por ceder à pressão e não me permitir chegar atrasada para te dar mais colo e carinho. Para mamares até te fartares e estares disposta a ir brincar.

 

Filha, eu dou-te o melhor de mim. Tento ser o melhor para ti. Não é fácil. Estou a aprender como tu aprendes a viver sem mim. Abraço-te em pensamento, meu doce, e envio o meu amor para ti nestas horas que nos distanciam.

Logo, vou abraçar-te com mais força que o habitual.

Serás só minha.

Amo-te muito minha querida filha.

Desculpa as vezes que falho e erro.

Estou e estarei sempre aqui para ti.

 

Tua mãe


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.