Como falar de morte com uma criança de 2 anos? Grito na Lua Negra

 

 

Há medida que fui crescendo comecei a ter uma noção totalmente diferente do Tempo. Mas, como mãe, a minha visão é ainda mais diferente. Vejo a minha filha crescer, aprender e apreender tudo a uma velocidade assustadora.

 

Este ano tem sido arrebatador para a minha família. Já três pessoas chegaram ao fim do seu ciclo de vida. E, embora a minha filha não mantenha grande contacto com uma boa parte da família por vivermos longe, fez-me pensar. Como podemos comunicar com os nossos filhos sobre isso? Falar-lhes sobre os ciclos naturais da vida? Fazê-los entender que não terão possibilidade de ver/falar com a pessoa que falece?

 

Eu sou defensora da comunicação positiva e consciente. Cá em casa optámos por falar de tudo mesmo que pareça que ela não está a ouvir (ultimamente, com a quantidade de birras, são muitas as vezes em que parece não ouvir). Mas ela ouve e apreende. Eu vejo isso. Ela fala sobre essas conversas noutros momentos.

Com estas perdas vividas senti necessidade de falar, sem negatividade, sem a levar a funerais ou igrejas, sem vestir-me de preto, sem falar de cerimónias e costumes. Apenas explicar o ciclo de vida que, quando atingimos o nosso propósito e a nossa missão, termina. Optámos por não falar em estrelinhas embora, ache que as crianças devam sonhar e fantasiar. Mas, gosto de ser honesta com ela. Tal como não digo que existe pai natal a distribuir prendas pelos meninos que se portaram bem, falar o céu também não me parece a melhor associação. São opções pessoais.

 

Uma coisa que me parece importante é que ela entenda que pode chorar, mostrar o que sente sem ter medo ou vergonha. É importante para mim que ela entenda que pode mostrar e dizer que está triste. Que é normal sentir-se assim. E que é importante que entenda que eu também estou, que também sinto vontade de chorar ou de me isolar. Que as pessoas também me fazem falta.

Aceitar o meu abraço e dar-me outro em troca.

 

E vocês? Como vêem a morte? Como falam dela com os vossos filhos?

Gratidão


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.