Aproveite para se desconstruir mais um pouquinho nesse carnaval Coluna Humaniza-te

Olá Mães d´água quanto tempo!

Quem é vivo sempre aparece não é mesmo?

Existem datas comemorativas especiais onde o preconceito gosta de aparecer mais que o normal e uma delas é o carnaval. Hoje vou-me  focar um pouquinho como mãe no uso de fantasias.

Este ano, decidimos não pular carnaval com as crianças porque estamos trabalhando muito (graças às Deusas). Procuro, sempre, ser criativa e trazer para elas autonomia fazendo a fantasia em casa reciclando roupas e transformando-as. Particularmente não gosto de comprar pronta, acho que fazer parte dos processos além de estimular a criatividade dos pequenos, gera o valor agregado de terem passado por todas as etapas de uma fantasia que vai ser única, assim como eles.

Baseado nesse videozinho  do @catracalivre trago os questões relacionadas às fantasias das crianças (https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/7-fantasias-para-nao-usar-neste-carnaval/ ).

Crianças AMAM fantasiar-se!

Podemos aproveitar esses momentos, para não mais fazer o que todo mundo sempre fez, e isso muitas vezes não é fácil. Precisamos lembrar que o que apresentamos aos nossos filhos são as referências para a formação dos seus caráteres portanto, não adianta, por exemplo, falar que “somos todos iguais” (o que não somos ainda infelizmente) e não explicar que determinadas atitudes ofendem toda uma legião de pessoas. Crie, inove, aqui vão algumas sugestões.

Então vamos juntos semear esse mundinho maravilhoso que merecemos?

 

Manu de “Suber Batman Bruxinha” – segundo ela e Lenin (foto de capa) de árvore

 

O que não fazer

  1. Estereótipos étnicos:

A não ser que você seja da etnia com a qual se vestiu pode soar pejorativo, e isso se chama “apropriação cultural”.

“Ah mas Gláucia que saco, minha filha quer se fantasiar de doutora brinquedos que é uma personagem negra de desenho e ela é branca.”

 Uma resolução simples e ainda uma conversa bacana para aproveitar o ensejo seria: Explicar para a sua criança branca que ela é branca, o que é privilégio. Que a sociedade é racista e que pintar o seu filho de negro ofende e machuca porque essa prática se chama “blackface”. Um bom início para você e a sua criança serem pessoas melhores.

 (Uma explicação bem fofa do que é blackface https://www.youtube.com/watch?v=-my07GV5QLM).

Indígenas, orientais, Islâmicos, judeus, indianos e até roupas tradicionais podem ser lindas, mas lembre de que reforçar estereótipos, pode não só ofender pessoas, como também pode ensinar algo que não é tão legal aos seus filhos. Uma divisão hierárquica entre raças, que é nociva e ao longo dos tempos gera guerra e nos desmembra e enfraquece. Eu, pelo menos, acredito que um dia poderemos nos ver como humanos, isso para mim é importante, sinta se é para você. Às vezes, como pessoas brancas, podemos achar que estamos “homenageando” mas vale sempre lembrar que fantasia não homenageia ninguém, existem muitas formas de ser anti-racismo e fazer blackface não é uma delas.

 

  1. Hipersexualização infantil

A criança é pura, aqui no Brasil é verão, ver crianças seminuas é comum e seria lindo se a sociedade fosse desconstruída mas não é.

Roupas muito justas, meninas hipermaquilhadas, ensinam muitas vezes às meninas que isso é o que a mulher é. Reforçam um esteriótipo machista, que ensina que a menina precisa de estar dentro de moldes e padrões para ser aceite. Isso não é legal.

 

  1. Meninos como super-heróis e meninas como princesas.

É normal que com o bombardeio da mídia seja essa a tendência, mas, essa pode ser uma ótima oportunidade para conversar com os seus filhos e incentivarmos fantasias que sejam mais pessoais, por exemplo:

Ao invés de usar uma fantasia de um herói ou princesa já existente, converse com o seu filho e faça-o criar o próprio personagem, lembrando sempre que super-heróis podem ser sensíveis e princesas podem ser guerreiras e fortes.

 

Um mundo de possibilidades:

Todo momento é uma oportunidade, e esse momento, quanto humanidade que vivemos é ideal para semear um mundo mais justo, feliz, honesto e próspero.

Humaniza-te.

Bons fluídos e que comece 2018.

Bom Carnaval a todos.

 

~Carinho Meu~

Glaucia Figueiredo Hansen


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.