[Relato de parto #40] Susana Laranjeiro Henriques Parto Com Água / Relatos

Parto na água- 13 de abril 2017

“ Mateus, um presente de Deus! “

 

Cada vez mais acredito que tudo começa antes da conceção, o que sentimos, pensamos ou desejamos tem um impacto futuro na nossa vida. O Mateus foi um bebé muito desejado. Todo o processo começa quando procuramos o apoio de uma Doula, aqui sim a viagem começou: muitas conversas, desabafos, choros, alegrias, partilhas e entrega foram acontecendo ao longo de 9 meses. Foram 9 meses de descoberta, confiança, entrega e gratidão pela oportunidade de sentir o Mateus dentro de mim. Cada dia era uma aprendizagem. A gravidez ensinou a respeitar-me, acreditar na minha força interior e a trabalhar na minha criança. Foi uma gravidez muito intensa e bem vivenciada. Muitos medos foram trabalhados com muita consciência.

 

 

Na madrugada de 12 de abril de 2017 (quase 41 semanas de gestação) pelas 5h30 da manhã o corpo “acordou-me “ com contrações e, nesse momento, fui para o sofá para ver se passava. Nesse mesmo instante partilhei com a Doula tudo o que estava a sentir. A Doula veio ter connosco passado pouco tempo para dar apoio e tentar perceber como estava a situação. Ao longo da manhã conversei, passeei com a Doula e em cada contração era como se fosse mais um degrau, um objetivo alcançado. Ao longo do dia as dores iam intensificando-se, o momento de receber o nosso filho nos braços estaria a aproximar-se. Da parte da tarde a equipa de parto chegou e observou-me mas a dilatação ainda era reduzida, foi quando me sugeriram ingerir bastante água para ajudar no processo. Sabia e sentia o apoio de todos mas parir era algo que só poderia ser feito por mim, então à medida que e o tempo ia passando, eu ia centrando-me mais em mim, conectei-me comigo, com a minha essência como nunca o tinha feito. Aproximando-se a noite, as dores e o cansaço eram maiores.

 

A Doula e o meu marido eram a minha “epidural”, era neles que me apoiava e tanto que me ajudaram.

 

Por volta das 21h00 as águas rebentaram e as dores aumentaram, senti-me a entrar noutra dimensão, buscando mais forças dentro de mim com a certeza que tudo iria correr bem. Falam da “partolândia”, uma fase do parto em que essa dimensão é como ir às nossas profundezas, encontrar a calma no meio da dor, é o descansar e recuperar energias para as próximas contrações. Quando entrei na piscina, a água criou um ambiente harmonioso, de alguma forma ajudava nas contrações. Sentia-me protegida e envolvida naquela água que me acolhia. O parto na água lavou a minha essência, alimentou partes esquecidas do meu lado feminino, aqueceu a minha alma. Apesar de estar tão concentrada no trabalho de parto, sentia um ambiente muito calmo, harmonioso, todos os presentes respeitaram a minha essência e o que eu queria a cada momento. Cada contração era uma forma de ir mais fundo dentro de mim, de conhecer partes minhas. Quando senti que estava no meu limite dos limites, entreguei, senti e aceitei a dor e nesse momento a parteira disse-me que já podia fazer toda a força do mundo pois já tinha feito 10 cm de dilatação.

 

Woauuu que bom que foi ouvir aquela frase, o Mateus estava chegar.

 

A emoção era muita, a força, a coragem e um acreditar que estava tudo bem. E, é à 1h12 do dia 13 de abril de 2017 que o amor maior chegou a este novo mundo. Que emoção poder abraçá-lo, reconhecê-lo foi dos melhores momentos da minha vida. E recordo-me como se fosse hoje a sensação que senti quando saí da piscina e me deitei. Ele estava ali comigo, connosco, as dores desapareceram e o coração estava cheio, nada mais faltava. Ali terminou, ali começou a nossa viagem a três. Eram 6 pessoas a acreditar que era possível e claro, os nossos dois gatos que apaziguaram o ambiente e dormiam enquanto o Mateus nascia. Foi um momento muito especial que dificilmente alguma vez conseguirei transmitir, tanta emoção vivida, tanta garra e confiança de que tudo estava no caminho certo e tudo é da forma que tem de ser. Acreditamos que o Mateus quis nascer em casa e foi ele que nos deu coragem e confiança de que era possível e ia correr bem.

Tivemos um parto de respeito, de cuidado, de profissionalismo e humanismo, pois a tranquilidade com que a equipa de parto geriu todo o processo era admirável. São Seres humanos muito especiais que ajudam mães a dar à luz de forma digna e no tempo delas. Somos gratos por todo o cuidado, sensibilidade, respeito, amabilidade com que lidaram connosco, sem dúvida que é isto que transforma a vivência que é um parto. O parto foi um momento de transformação, de libertação, superação, confiança, entrega e muito amor. O apoio do meu marido foi essencial em todo o processo, incluí-o em todos os momentos, pois acredito que é essencial incluir cada vez mais a pessoa com quem partilhamos este momento tão especial. Sem ele este processo seria incompleto e vazio.

A Doula esteve sempre presente a cuidar de nós, para nos ouvir, abraçar e apenas estar. Vivenciou cada dor, cada emoção comigo, connosco. O parto foi transformador, ali nasceu uma nova Mãe, uma nova Mulher.

 

Acredito que parir é um processo de auto conhecimento, é vivenciar e sentir, é soltar sem controlar, é estar presente e deixar fluir, é aceitar cada fase, é confiar na nossa capacidade enquanto Mulher, parir é ir… ir até ao fundo buscar o nosso amor interno e com ele vem o nosso filho que nos ensina o que é amor de Mãe e Pai!

 

Sou grata aos 7 Seres especiais (equipa de parto (3), Doula, Leandro, Mateus e a mim) que fizeram parte desta maravilhosa caminhada de 9 meses, especialmente ao meu marido que respeitou o meu sentir, confiou em mim e esteve sempre do meu lado em cada momento importante.

Grata a ti por leres cada palavra que faz parte da melhor experiência que tive até hoje. Parir traz dor mas transforma quando nos entregamos a essa vivência e quando sentimos que do outro lado da dor há amor, amor esse está prestes a chegar a este mundo e tudo vale a pena pelo nosso filho! Grata à equipa especial que tivemos, à Doula e ao meu marido que sempre me respeitou e esteve presente em cada segundo. Foi um parto cheio de AMOR e quando há amor, há vida!

 

Susana Laranjeiro Henriques, uma nova Mulher, uma nova Mãe!

28 anos- Penedos Belos- Porto de Mós

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