Para dias difíceis… Grito na Lua Negra

Como mulher cíclica tenho vivido imensos períodos em que me sinto cansada e com necessidade física e mental de me isolar. Nem sempre é fácil e poucas são as vezes em que consigo grandes momentos para mim. As minha luas vermelhas são vividas com uma intensidade acrescida pela escuridão da lua negra. É preciso uma capacidade para respirar e esvaziar a mente para falar com todos com a atenção e carinho que necessitam. Para brincar e sorrir para a minha filha. Quase nunca o consigo. Dou respostas tortas a toda a gente e não mostro muita paciência para as chamadas de atenção da minha filha.

 

Abraçar o outro quando eu é que preciso de ser abraçada e ser, antes de tudo, mulher. Mulher sem ser mãe, namorada, profissional… Mulher que se respeita e nutre o seu corpo, como ele lhe pede. Colocar-me em primeiro lugar antes de tudo.

 

O que posso fazer para que esses dias sejam mais fáceis? Que truques tenho aprendido?

Guardar o banho para quando tenho o meu namorado em casa. Muitas vezes vou quando ela está a brincar mas, acaba por me aparecer na casa de banho e entra no banho. Por isso, quando ele está em casa é a altura ideal. Fecho a porta e tenho um banho quente à minha espera. Posso colocar um incenso, música, velas ou, apenas, focar-me na minha respiração.

Fazer um bolo ou bolachas de chocolate é muito bom!!! O chocolate, nestes dias, é o meu melhor amigo. E isto pode tornar-se uma tarefa divertida com os mais pequenos.

Praticar yoga com o jogo de cartas que ela adora. Vai aprendendo enquanto fazemos algo juntas. Fazer afirmações com ela também me acalma e ela fica fascinada em repetir. Hábitos bons que acabam por se tornar pequenos grandes momentos.

 

Mas, mesmo com estes pequenos “retiros”, nem sempre me sinto presente. Há momentos em que me apetece desaparecer e estar sozinha, esconder-me num buraco onde ninguém me veja. E tenho um bom suporte familiar. Mas tenho esses momentos. Sou humana. Aceito-os. Cada vez mais os vejo como necessários e parte do meu ciclo. E assim, sinto que respeito o meu ciclo.

Penso nas mulheres que são mães solteiras ou que têm os maridos fora. E, sozinhas, tomam conta de um, dois ou mais filhos. Um grande abraço para essas mulheres que não têm a quem pedir ajudar ou um abraço. Grandes, super mulheres!


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.