Coragem Grito na Lua Negra

Em Agosto fará um ano que deixei de pintar o cabelo. Tem sido uma viagem pacífica até há bem pouco tempo. Na nossa sociedade tudo é alvo de crítica… (no caso dos cabelos) o corte, a cor, o penteado,… Vivemos num mundo de padrões e quem ousa ser “diferente” é ridicularizado. Mesmo que isso seja ser-se fiel a si próprio. A maternidade trouxe-me a coragem e o ímpeto de olhar para dentro de mim! Sentir! Colocar os pés no chão e perceber o que quero ser. E a minha decisão de deixar de pintar o cabelo advém daí. Usar cada vez menos químicos e respeitar/aceitar quem eu sou! E isso implica ter o cabelo quase branco aos 32 anos. Coisa que não me incomoda. Mas atrapalha quem está à minha volta. Não a familia, felizmente tenho uma família que sabe o que realmente importa. Mas a sociedade em geral.

Muitas mulheres pintam o cabelo para se esconderem. Não aceitam a pessoa que são e permitem que a sociedade lhes imponha o que devem ser. Sei como é… A semana passada, no meu local de trabalho, duas pessoas abordaram-me… A primeira ficou especada a olhar para mim e disse “Está esquisito o teu cabelo.”. Por incrível que pareça, foi uma mulher de cabelo grisalho. A segunda disse “Não me leve a mal mas existem tintas que não têm químicos.” (ela pensava ser essa a única razão para eu não pintar). Disse-lhe que sabia e que a minha decisão era não pintar de todo.

Como reagir perante isto? Mexeu comigo, estaria a mentir se dissesse o contrário, sobretudo porque alguns destes comentários tinham malícia. Para que saibam… sou CORAJOSA!!! Deixar de pintar e assumir as brancas é um acto de coragem! Sou corajosa! Sou forte, mas vulnerável e íntegra.

Não deveria ser necessária esta coragem mas, vivemos num mundo de imagem e muito patriarcal, ainda! Engraçado no homem não haver esse tipo de conflito. Até lhe confere um certo charme e estilo, dizem elas. E as mulheres… (falta de sororidade?)… são as que mais apontam o dedo. Mesmo as que já são mães e passaram por todas essas adaptações e transformações. Porque será que o fazemos? 

Sou muito grata por ser “diferente”. E só gostava de ter a coragem e o despreendimento para rapar o cabelo ou cortá-lo bem curto. Mas, ainda, não estou nesse nível. Brincando com a situação já consigo imaginar algumas das coisas que me viriam dizer!

Tenho uma filha e quero que ela saiba respeitar-se sempre. Acredito que sim! Já o faz! Já diz que é linda e anda na rua de bóia e luvas de neve sem problema. Até as oferece a quem a interpela na rua. Age com naturalidade, de acordo com a sua vontade. Quero que ela cresça sem esses medos e limites. Que seja livre para voar!!!

E para quando ela ou eu me esquecer…

Sou mulher

Sou corajosa

Respeito quem sou

Amo-me e aceito-me!

Gratidão

Fotografia por Filipe Raimundo


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.