Hisilicon Balong Grito na Lua Negra

Hoje acreditei no que senti quando me disseram: “Não pode ser assim! Há anos que não tinha uma criança tão difícil!”

Fui abaixo, senti-me a pior mãe do mundo. Faço tudo errado, não sei educar a minha filha, não lhe sei dar o amor e a atenção que merece. Mimo-a demasiado. Deveria ser mais dura com ela, independentemente do que vejo dar resultado.

 

Senti-me perdida. Sem saber o que fazer com ela, sem saber como a ajudar a exprimir quando se sente frustrada, para que não chore, não berre, não esperneie, não sustenha a respiração e não bata (aos outros e a ela própria). Senti que não posso ter uma filha tão diferente de mim e tão agressiva. Senti que ela não faz parte de mim.

 

Senti vontade de procurar ajuda, perceber qual é o problema dela. Senti o mundo a cair aos meus pés e não soube reagir como deveria ao ouvir aquilo. Fiz um esforço para me aguentar e explicar como ela funciona. Explicar que a sesta tem interferido com o sono dela. Explicar que ela nunca foi de grandes sestas e que tem adormecido à meia noite. Como pode acordar bem disposta? Nem tem tido vontade de comer. Vai praticamente em jejum para a escola e cheia de sono.

 

Como pode ela querer ficar e ver os pais saírem? Como pode ela ficar tranquila e sentir-se segura? Como pode ela não chorar e não demonstrar a frustração que sente? É difícil? É… Eu mesma muitas vezes não sei o que fazer. Aprendi a dar-lhe espaço, porque não aceita abraços nesses momentos. Aprendi a deixá-la acalmar porque quanto mais tento falar mais ela berra. Aprendi a falar quando há tranquilidade e quando aceita colo e abraço.

Desde bebé que lhe explico a rotina dos seus dias, que lhe transmito segurança no abraço e no colo. Como posso ficar bem por deixá-la a chorar? Como posso ficar bem se me dizem que tenho que sair ainda no mês de integração. Noto que comigo ela fica mais possessiva e que agrava o comportamento dela. Entendo que é importante que eu saia. Mas não me podem chamar a atenção se quero sair com ela calma e tranquila. Destabiliza as restantes crianças? Todos nós temos dias de trabalho menos fáceis. E temos de lidar com eles.

Pela primeira vez hoje senti-a triste quando a fui buscar. Mas viu-me e sorriu e foi logo brincar. Nunca quer vir embora. Isso é muito bom. Sei que irá acabar por chegar o dia em que vai com entusiasmo. Mas tenho de respeitar o sono dela. Respeitar o tempo dela.

 

Não sou má mãe, sou a MELHOR mãe do mundo!!! Escuto a minha filha, a linguagem corporal dela. Converso imenso com ela sobre tudo. Incentivo-a a partilhar e a falar de sentimentos. Criamos jogos com as emoções. Lemos livros sobre elas. Transmito-lhe amor e segurança da melhor maneira possível. Faço o meu melhor. Erro muitas vezes e ela ensina-me. Tem 3 anos. Berra, chora, bate… é criança! E ainda bem que sabe exprimir o que sente. Por muito desagradável que seja para ti. Não esconde o que sente. Pode parecer mal educada? Bruta? Mimada? Que pareça. Mas que seja fiel ao que sente. Que não seja como eu com imensa dificuldade em falar do que sinto. A seu tempo ela saberá gerir tudo isso. Na altura certa. Quando tiver maturidade emocional para o fazer.

 

Por isso “Isto pode ser assim!” E está tudo bem. Aprende a respeitar o espaço dela e a pessoa que está à tua frente. Será mais fácil. Ela não é difícil… é uma criança de 3 anos.


Cátia é mãe, mãe d´água de coração! Adora o conhecimento acerca do funcionamento do corpo humano, desenhar e brincar com a sua princesa. A Cátia é AO, terapeuta de Shiatsu e de Chi Kung, Naturopata e amante das medicinas complementares. Ela defende que devemos aprender a conhecer o nosso corpo e viver em harmonia com ele e com a natureza.

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