Bárbara Rocha

Bárbara RochaPorque sou Mãe D’Água? Porque não podia ser de outra maneira.

Aos 25 anos foi-me diagnosticada Fibromialgia, doença crónica e pouco estudada no sentido de quais as consequências exatas de uma gravidez e/ou de um parto. O sonho que sempre tive de ser Mãe começou a ser envolto de uma certa “incógnita receosa” e foi sendo adiado.

Aos 35 anos tive de me deslocar à Régua e em trabalho conheci a Mariana, ela estava grávida, e, num lanche que nunca mais esqueci, contou-me a experiência da sua primeira gravidez e do seu primeiro parto na água e de como planeava este segundo parto de forma igual.
Nesse fim de semana decidi que estava na hora de ser Mãe e comecei a minha pesquisa e procura de informação para minimizar as possíveis consequências da minha doença no meu corpo e na minha criança.

O parto natural e especificamente o parto na água apareciam em todas as minhas pesquisas como a melhor opção e, depois de saber que o praticavam no Hospital de S. Bernardo em Setúbal, estava decidida!
Um mês depois estava grávida! Quatro meses depois estava a mudar-me para Palmela e começou a aventura… Uma gravidez maravilhosa, calma, tranquila, em que cada passo na direcção desta nossa decisão nos dava cada vez mais segurança.

As sessões de preparação na piscina foram pedras fundamentais no nosso caminho e a visita ao Hospital foi a garantia de que tudo iria correr como esperávamos.
E correu!

No dia em que completava 40 semanas de gestação, a Catarina decidiu que nos queria conhecer e as águas rebentaram durante a madrugada iniciando um trabalho de parto calmo e tranquilo, iniciado em casa, e seguido no Hospital, mas com liberdade, na bola de pilates, no chuveiro, pelos corredores, em pé, sentada, deitada, até que ouvi as “palavras mágicas”: “vamos encher a banheira!”

Nessa altura as contrações eram já muito fortes e começava a ter dúvidas das minhas forças, mas, assim que entrei na água morna tive a certeza de que tudo estava bem e no caminho certo: “agora sim!”
E assim foi, apenas com o pai e a enfermeira parteira presentes na sala, a Catarina nasceu na água num momento maravilhosamente tranquilo.

Fui respeitada, informada e acarinhada, num hospital público por uma equipa de profissionais fantásticos.
Na altura não punha hipótese de fazer de outra maneira, um primeiro parto para mim exigia a segurança de um hospital. Hoje não é possível fazer partos na água em nenhum hospital público em Portugal.

Eu gostava de ter outro filho, mas não me vejo a parir sem ser na água… Por isso, estou aqui! Por mim, e por todas as mulheres que querem ter a mesma opção que eu tive!


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