Dormir com o bebé Coluna Humaniza-te

Cama partilhada, compartilhada, ou co-sleeping são termos usados para a família que partilha o sono no mesmo espaço, a noite toda ou não.

Tenho dois filhos, e ambos começaram a dormir em camas separadas de mim mais ou menos aos três anos de idade, momento em que eu senti que estavam prontos e sentiam seguros para fazer esta transição.

O uso desta prática visa um sono mais tranquilo para todos, e entre os seus benefícios estão os do contacto pele com pele e o da amamentação (muito facilitada e beneficiada com esta prática).

Estudos sugerem que bebês que dormem assim se tornam crianças mais seguras e independentes, ao contrário do que pode pensar quem acredita que contato físico com o bebê o vá deixar “mal acostumado”.

Aliás, isso é um mito que pode “render” aqui vários textos! Mas quero já ressalvar que esta visão comum de que se pode “mimar bebés demais” é fundamentada em argumentos ultrapassados, e está de facto comprovado que o contato físico com bebés humanos é fundamental para o desenvolvimento biológico deles e também sua plasticidade emocional.
Tudo o que o bebé vivenciar no início da vida vai influenciar a sua formação por completo, e por isso sugiro esta prática da cama partilhada para um início de vida e adaptação ao meio extra-uterino suave e feliz.

Um dos maiores benefícios da cama partilhada é o contacto com a mãe (tão necessário para o bem estar do bebé). Acredita-se que dormir com a mãe será também mais “seguro”, dado que as mães são mais sensíveis biologicamente aos movimentos de seus bebés, mas eu acredito que qualquer membro da família é capaz de fazê-lo, e beneficiará com isso. Ninguém vai conhecer a sua casa, sua cama e seu ambiente melhor que você.

Esta prática é no fundo algo bem simples, instintivo, e natural para o ser humano.

Antes de sermos uma sociedade “civilizada” os bebês dormiam com seus pais.

Existem diversos “manuais de cuidados” para cama partilhada. Se houver preocupação com as medidas de segurança, e fizer sentido para você, pesquise (mas aconselho sempre a aplicar um bom filtro, pois existe muita informação falsa na internet, e claro, muitas visões contraditórias, usar e abusar da intuição de mãe para escolher).

Basicamente se você toma algum tipo de medicamento que afeta o sono, tem alguma patologia, ou questões de espaço físico (como a cama, colchão e móveis inadequados, seja por serem moles demais, ou por terem pontas, esquinas, altura, vãos, etc) reveja se essa é uma possibilidade segura para você (ou que adaptações precisará de fazer para que seja seguro).

A minha experiência foi muito gratificante, mas a minha visão é uma, criar filhos é uma arte não uma ciência e cada família tem seu jeito especial de ser.

Fica aqui a minha dica, o documentário “1000 Dias”, trailer AQUI

(produzido pela Maria Farinha Filmes, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Instituto Alana e Fundação Bernard van Leer).

Boa semana!
Gratidão

Leituras recomendadas:

LLL slepping with your baby

UNICEF Partilhar a cama com o seu bebé

Behavioural sleep laboratory – artigos e ensaios por James J. McKenna (entre outros)


Mãe de Lenin e Manuella, Doula, Terapeuta Corporal, Instrutora de Yoga com foco em Gestantes e Crianças, da Associação Internacional de Ecologia Feminina,desenvolve e aplica projetos na área, workshops e atendimentos individuais desde 2008.